A gestão do presidente do SINDIJORI — Sindicato dos Proprietários de Jornais, Revistas e Similares de Minas Gerais, Rodrigo Silva Fernandes, entrou oficialmente na mira do Ministério Público do Trabalho (MPT) e da Justiça comum. O motivo: uma série de denúncias que apontam para gestão fraudulenta; desvio de finalidade sindical, usando CNAE impróprio; uso político e não técnica, de verbas públicas; omissão de dados; entidade isenta de tributos emitindo notas fiscais para orgãos públicos, em favor de terceiros; e retaliação a associado sem respeitar legalmente o estatuto, entre outras condutas suspeitas.
As acusações foram levadas ao MPT-MG pelo diretor do portal Divinews, Geraldo Passos, após a Superintendência Regional do Trabalho e Emprego em Minas Gerais, comandada por Carlos Alberto Menezes de Calazans, ter se recusado a receber formalmente a denúncia, sob alegação de que caberia ao MPT a fiscalização de sindicatos, sejam laborais ou patronais. A justificativa, no entanto, é contestada por advogados especialistas em direito sindical, que apontam a responsabilidade da Superintendência do Trabalho nessas fiscalizações.
A denúncia tem como base inicial o relato feito por Tatiana Barcelos, ex-coordenadora do sindicato, que rompeu com a gestão de Rodrigo Fernandes e revelou, de forma documentada, diversas práticas irregulares, incompatíveis com os princípios de transparência, ética e legalidade que se espera de uma entidade representativa.
Auditoria prometida nunca apresentada, processo anunciado nunca ajuizado
Um dos pontos que mais geram desconfiança entre os associados é a promessa, até agora não cumprida, da apresentação de uma auditoria interna que supostamente validaria as ações do presidente.
Em uma reunião do SINDIJORI no primeiro semestre, Rodrigo havia prometido não só a entrega documental do resultado de auditoria, o que até hoje não o fez, como também assegurou que iria rebater “ponto por ponto” as denúncias feitas pelo Divinews, outra bravata não cumprida pelo presidente.
Outra ameaça não cumprida seria o processo que garantiu que iria mover contra o Divinews.
A pergunta que ecoa entre os bastidores da imprensa mineira é direta: por que o presidente do SINDIJORI, que ameaça processar, se cala quando cobrado sobre as denúncias que pesam contra ele?
Estaria esperando que com o tempo, o mercado publicitário, associados, agências e clientes simplesmente se esqueçam que ele é suspeito de desvio, de assédio moral contra a ex-coordenadora, e calúnia contra o Divinews?
Divinews é expulso do sindicato e reage com ações civil e criminal por danos morais e calúnia
O portal Divinews, após questionar com veemência a gestão do presidente, foi deliberadamente expulso do quadro de associados do sindicato. Não bastasse a expulsão arbitrária, o nome do veículo e de seus diretores foram citados em assembleia, segundo relatos, de forma mentirosa e caluniosa, com alegações sobre supostas dívidas inexistentes.
A resposta do Divinews foi contundente: ação civil por danos morais e processo criminal por calúnia e difamação, ambos já protocolados contra Rodrigo Fernandes.
“Não aceitaremos ser silenciados por quem manipula informações e usa um sindicato como ferramenta de controle pessoal e político. A imprensa deve ser livre até para denunciar seu próprio sindicato patronal, quando este abandona o interesse coletivo”, declarou o diretor Geraldo Passos.
“COLUNA MINAS GERAIS” e a arrecadação escusa sob suspeita: quem financia o quê?
Uma denúncia de irregularidades na gestão de Rodrigo Fernandes no SINDIJORI levanta suspeitas sobre o uso da “Coluna Minas Gerais”, veículo institucional da entidade.
Segundo relatos, a coluna estaria sendo utilizada para uma suposta arrecadação escusa, beneficiando o sindicato em detrimento de seus associados.
De acordo com as denúncias, associados teriam sido instados a divulgar releases e conteúdos de empresas públicas e privadas, sob a promessa de “retorno financeiro” ou “apoio institucional”. No entanto, o que tem sido observado é que o SINDIJORI, de fato, utiliza o espaço editorial dos veículos para captar publicidade para si mesmo.
Ao ser questionado sobre a veiculação gratuita desses conteúdos, o presidente Rodrigo Fernandes teria justificado a ação como uma forma de demonstrar a “capilaridade” dos veículos associados, visando atrair futuras campanhas publicitárias.
Contudo, as denúncias indicam que, quando essas campanhas se concretizam, apenas um grupo seleto de associados é contemplado, enquanto outros são excluídos sob a justificativa de que o “cliente” não atua em suas respectivas cidades.
A conclusão é que a Coluna Minas Gerais estaria servindo, na prática, como um instrumento de lobby, canalizando verbas publicitárias diretamente para o SINDIJORI e repassando apenas “migalhas” aos associados, em um esquema de suposto favorecimento.
Outro ponto que chama atenção é o questionamento sobre os custos de produção da coluna. Anteriormente, os balancetes do sindicato registravam um custo mensal de R$ 2.000,00 para a produção do material, mas há informações de que esse valor nunca teria sido efetivamente pago. Onde está o dinheiro?
Silêncio dos associados: medo, retaliação e a sombra da FIEMG
Muitos associados ao SINDIJORI, embora profundamente descontentes com a condução do sindicato, optam pelo silêncio, temendo represálias. O que se comenta entre bastidores é que a gestão de Rodrigo é autoritária, centralizadora e blindada por setores da própria FIEMG — Federação das Indústrias de Minas Gerais, que, ao invés de zelar pela ética institucional, estaria fechando os olhos e seguem firmes na defesa de Rodrigo, mesmo com as denúncias já feitas, por ele ser fiel escudeiro do presidente Flávio Roscoe.
O papel do MPT e o futuro do SINDIJORI
Agora cabe ao Ministério Público do Trabalho, diante da denúncia formalizada, decidir se instaura procedimento investigatório, o que pode culminar em ação civil pública por improbidade, desvio de finalidade e dano coletivo, ou mesmo o encaminhamento de provas ao MPT ou quem sabe, ao omisso MTE –
A crise que abala o SINDIJORI expõe muito mais do que desorganização administrativa: revela a fragilidade das instituições quando o poder sindical é manipulado por interesses próprios, em detrimento da base representada. E, sobretudo, expõe como entidades patronais podem se tornar tão ou mais opacas que as instituições que deveriam vigiar.
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O órgão do Ministério do Trabalho e Emprego responsável pela fiscalização de sindicatos laborais e patronais é a Secretaria de Inspeção do Trabalho (SIT).A SIT, vinculada à Secretaria de Trabalho (STRAB), é responsável por organizar, coordenar, avaliar e controlar as atividades de auditoria e auxiliares da inspeção do trabalho, incluindo a fiscalização do cumprimento das normas relacionadas aos sindicatos.








