A dor de uma criança de 5 anos é tratada como “birra” por servidores de uma escola municipal em Divinópolis. O resultado? Um diagnóstico tardio de apendicite, que exigiu cirurgia de urgência.
O caso será investigado pelo Ministério Público de Minas Gerais após representação feita pelo vereador Vítor Costa.
Segundo relato da mãe, a menina, autista e não verbal, chorava intensamente durante o turno escolar. No entanto, em vez de receber atendimento imediato, teve seus sinais de sofrimento desconsiderados. A escola classificou o episódio como drama infantil.
Ao ser devolvida à família, por meio do transporte escolar, a criança mal conseguia caminhar. A ida à UPA revelou a gravidade do quadro, apendicite aguda.
A equipe médica agiu rapidamente e realizou uma cirurgia de urgência, evitando consequências ainda mais sérias.
Falas ofensivas
A denúncia também destaca que servidores da escola teriam feito falas ofensivas e capacitistas, afirmando que a criança “usa o laudo de autismo para fazer o que quer”. Para a família, além da negligência no cuidado, houve claro preconceito.
O vereador Vítor Costa, ao tomar conhecimento do caso, protocolou uma representação formal no Ministério Público.
No documento, ele exige a apuração de responsabilidades, principalmente da Secretaria Municipal de Educação.
Para o parlamentar, faltaram protocolos e ações concretas de acolhimento e proteção.
“Estamos diante de uma possível violação de direitos fundamentais. A dor de uma criança autista não pode ser ignorada. É nosso dever garantir que o poder público atue com sensibilidade, rapidez e responsabilidade”, declarou o vereador.
Além do pedido de investigação, o mandato solicitou providências imediatas para proteger a criança e evitar que outros casos semelhantes ocorram.
O gabinete de Vítor Costa também abriu um canal direto com outras famílias que, porventura, enfrentem situações de descaso ou discriminação na rede municipal de ensino.
Prefeitura de Divinópolis
A Secretaria Municipal de Educação esclarece,sobre o ocorrido na EM João Gontijo da Fonseca está acompanhando de forma responsável e atenta a situação da criança citada.
De acordo com o que apurado com a gestão escolar, ao longo do período em que esteve na escola, a criança não apresentou comportamento atípico ou qualquer sinal que indicasse necessidade de atendimento médico emergencial.
No momento em que relatou sentir dor, a mãe foi prontamente contatada e teve pleno conhecimento da situação. Em comum acordo, diante da informação recebida, a responsável permitiu que a criança permanecesse na escola, optando por não buscá-la naquele momento.
Em curto intervalo de tempo, cerca de 20 min. a escola tentou novo contato telefônico, conforme registrado no histórico de chamadas do celular. Não houve resposta nem retorno da mãe.
Considerando que o horário regular de aulas já estava se encerrando e não havia sinais clínicos aparentes que indicassem um quadro de urgência, a criança retornou para casa no transporte escolar, conforme rotina previamente autorizada pela família.
A crise clínica que culminou no diagnóstico de apendicite, de fato, um evento inesperado e isolado, tanto para a escola quanto para a própria família, que até aquele momento também não havia identificado sinais da condição médica.
É importante ressaltar que a equipe escolar realizou todos os procedimentos de acolhimento e cuidado possíveis e pertinentes ao ambiente escolar.
Após o ocorrido, a responsável esteve na secretaria de educação e comunicou pessoalmente o ocorrido às equipes da Educação Inclusiva e do Transporte Escolar.
Na ocasião, informou que já havia procurado a Promotoria de Justiça e que daria seguimento ao trâmite jurídico, mencionando, inclusive, que a criança não permaneceria matriculada na escola.
A Secretaria Municipal de Educação reafirma seu compromisso com o cuidado e o bem-estar de todas as crianças e informa que as averiguações internas estão em andamento.
Caso necessário, os registros e informações disponíveis serão encaminhados ao Ministério Público para as providências cabíveis.






