Há exatamente três meses, a rotina de uma família de Luz, no Centro-Oeste de Minas Gerais, virou um drama marcado por dor, incertezas e cobranças. Desde o dia 16 de março de 2025, Mariane Conceição de Couto Alves, de apenas 16 anos, está desaparecida após um afogamento no Rio São Francisco.
O caso, inicialmente tratado como um acidente, hoje carrega uma série de questionamentos que mantêm os familiares em estado constante de angústia. As buscas oficiais, feitas pelo Corpo de Bombeiros, duraram 14 dias. Foram encerradas sem o corpo ter sido localizado.
Versões conflitantes e cenário suspeito
O irmão da adolescente, Hugo Couto, tem liderado uma luta incansável por respostas. Ele conta que os amigos que estavam com Mariane, no Rio São Francisco naquele dia alegam que tudo não passou de um afogamento durante uma pescaria. Mas, segundo Hugo, muitos pontos dessa versão não se sustentam.
“O local é de difícil acesso. Não tem estrada. Eles abriram caminho com o carro. Além disso, ninguém ali sabia nadar. Tudo isso é muito estranho para quem decide ir pescar”, desabafou Hugo, em entrevita ao G1.
Outro detalhe que chama a atenção da família é o estado do terreno no dia em que visitaram a área. “O mato estava alto, com muito cupim e pedras. Não havia vestígio de que as pessoas tinham permanecido ali por muito tempo. O dono da fazenda até disse que o grupo ficou pouco mais de uma hora no local”, revelou.
Falta de respostas e impactos psicológicos
A ausência de respostas e a sensação de abandono por parte das autoridades têm afetado emocionalmente os pais de Mariane. A mãe entrou em estado de depressão, enquanto o pai já manifestou pensamentos suicidas. Hugo, visivelmente abalado, relata o sentimento de impotência diante da falta de avanços na investigação.
“Minha família está destruída. Fomos à delegacia, pedimos que os amigos que estavam com ela fossem ouvidos. Mas a resposta foi lenta e superficial. Só queremos uma investigação de verdade”, cobrou o irmão.
Investigação da Polícia Civil segue como fatalidade
Em nota oficial, a Polícia Civil de Minas Gerais informou que, até o momento, as diligências preliminares apontaram para um afogamento acidental. As autoridades reforçaram que o caso tratado como uma fatalidade, mas não descartaram futuras ações, caso surjam novos elementos.
Entretanto, a resposta não convence a família. Eles acreditam que a investigação encerrada de forma precoce e que muitos detalhes importantes não foram considerados. O pedido, agora, é por uma retomada das buscas com uso de novas tecnologias, além de uma análise mais detalhada sobre as circunstâncias da morte.
Clamor por justiça e por um desfecho digno
Além disso, a falta de informações concretas tem impedido que a família viva o luto de forma adequada. Enquanto o corpo de Mariane não localizado, a esperança, mesmo que mínima, ainda persiste.
“Só queremos uma resposta. Seja ela qual for. O que não aguentamos mais é essa angústia diária. Precisamos saber o que realmente aconteceu com a minha irmã”, concluiu Hugo em entrevista ao G1.






