Prefeitos, vice-prefeitos e secretários de cidades brasileiras viajaram a Israel em meio ao auge da ofensiva militar contra a Faixa de Gaza, alegando participar de uma missão de estudos voltada à segurança pública e desenvolvimento urbano. No entanto, apuração do Intercept Brasil desvendou o que se escondia por trás da viagem: uma operação de propaganda política e militar do governo israelense, promovendo tecnologias de vigilância e tentando se legitimar diante do mundo em meio às acusações de genocídio.
Objetivos oficiais disfarçam real intenção
De acordo com documentos e materiais apresentados aos participantes — e agora tornados públicos — os objetivos da viagem incluíam, supostamente:
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Estudar modelos israelenses aplicados à segurança pública e desenvolvimento socioeconômico.
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Observar a atuação conjunta entre governo, setor educacional, empresários, polícia e mídia.
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Apresentar tecnologias de gestão urbana.
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Destacar desafios de liderança municipal em tempos de crise.
Além disso, a missão previa três módulos: visita a projetos de segurança pública com abordagem integrada, análise de ecossistemas de desenvolvimento municipal com foco em parques industriais e, por fim, participação na conferência Muni Expo Israel 2025, promovida pela Federação das Autoridades Locais de Israel, em Tel Aviv.
Porém, de acordo com a reportagem do Intercept Brasil, o verdadeiro propósito da iniciativa não era a troca de experiências administrativas, e sim a promoção da narrativa israelense no cenário internacional. O evento se tornou um palanque para a difusão de propaganda bélica, com forte apelo a tecnologias de vigilância e controle social aplicadas em zonas de conflito — especialmente nos territórios palestinos ocupados.
Tecnologia como vitrine e justificativa política
A comitiva brasileira foi recepcionada pela agência Mashav, órgão de cooperação internacional do governo israelense, em parceria com o Instituto Internacional de Liderança, ligado à federação sindical israelense Histadrut. A Mashav custeou integralmente a viagem dos participantes, incluindo curso, visitas técnicas, hospedagem, alimentação e transporte.
Enquanto isso, Israel enfrentava o impacto de um ataque de mísseis iranianos, que chegaram a atingir alvos em Tel Aviv. Foi nesse cenário que prefeitos brasileiros deram entrevistas diretamente de bunkers, reforçando a impressão de estarem numa missão emergencial de segurança. Mas, segundo o Intercept, o governo israelense se aproveitou justamente do clima de guerra para apresentar seus “produtos de segurança” — sistemas de monitoramento, policiamento automatizado, inteligência artificial aplicada ao controle urbano e equipamentos de vigilância em massa.
Participantes: maioria de direita e extrema-direita
A delegação contou com pelo menos 11 políticos brasileiros, quase todos ligados a partidos de direita ou extrema-direita. Entre os nomes citados estão:
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Álvaro Damião (prefeito de Belo Horizonte – União Brasil)
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Cícero Lucena (prefeito de João Pessoa – PP)
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Jhonny Maycon (prefeito de Nova Friburgo – PL)
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Gilson Chagas (secretário de Segurança de Niterói)
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Claudia Lira (vice-prefeita de Goiânia)
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Janete Aparecida (vice-prefeita de Divinópolis – Avante)
Janete, inclusive, foi citada pelo Divinews anteriormente por manter laços próximos com o governo Zema e ser nome forte do Avante em Minas Gerais. Sua presença na viagem, ainda mais diante do financiamento internacional completo e sem custos para o município, levanta dúvidas quanto à transparência e aos reais objetivos da missão.
Viagem durante genocídio
A grande questão ética por trás da viagem é o momento em que ela foi realizada. Enquanto os prefeitos posavam para fotos em centros de tecnologia israelense, o exército do país promovia ataques que já deixaram milhares de mortos entre civis palestinos. Mesmo diante da crescente acusação internacional de genocídio, as lideranças municipais brasileiras aceitaram participar de um evento que, segundo o Intercept, serviu justamente para reforçar a imagem de “vítima tecnológica” que Israel tenta projetar ao mundo.
A seguir, a programação oficial do evento transcrita dos documentos apresentados aos participantes:
Objetivos:
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Estudar in loco:
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Modelos israelenses aplicados no âmbito municipal relacionados à segurança pública e ao desenvolvimento econômico e social.
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Programas liderados e/ou coordenados por governos municipais em diferentes cidades de Israel, considerando a participação da comunidade educacional (professores, diretores, pais, alunos), polícia, autoridades judiciais, voluntários, setor empresarial e mídia.
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O ecossistema de desenvolvimento municipal, considerando a interação entre os governos locais, o setor acadêmico e o setor empresarial.
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Apresentar as últimas tecnologias aplicadas em diversas áreas da gestão urbana.
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Destacar os desafios da liderança municipal na resposta às demandas e necessidades dos cidadãos em tempos de crise ou emergência.
Sobre a Viagem de Estudos:
A viagem de estudos será composta por três módulos interconectados:
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O primeiro módulo será focado no estudo e na observação in loco de projetos integrados de segurança pública, cujas abordagens preventivas envolvem não apenas os órgãos tradicionais, como a polícia, mas também instituições municipais ligadas ao voluntariado, à educação e ao tempo livre educativo.
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O segundo módulo explorará as relações interdependentes e colaborativas entre os municípios, o setor acadêmico e o setor empresarial, resultando na criação de um ecossistema de desenvolvimento municipal, exemplificado pelo estabelecimento de parques industriais focados principalmente nas indústrias de alta tecnologia.
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O terceiro módulo consistirá na participação na Muni Expo Israel 2025, uma conferência internacional anual organizada pela Federação das Autoridades Locais de Israel. Esta edição destacará o papel de liderança dos governos locais, tanto em situações rotineiras quanto, especialmente, em tempos de crise, particularmente à luz das experiências do último ano e meio. Além disso, o evento reunirá mais de 150 empresas especializadas em produtos e tecnologias aplicáveis à gestão municipal.







Que mi-mi-mi danado