Na próxima segunda-feira (16), a Justiça do Trabalho em Divinópolis ocorrerá uma audiência de instrução e julgamento do caso que apura a morte trágica do venezuelano Luiz Arevalo Aguilera Rodriguez, ocorrida em 12 de setembro de 2024, dentro de uma unidade dos Supermercados BH, na loja do Candides, onde ele trabalhava.
A audiência será presidida pela juíza Isabella Bechara de Lamounier Barbosa e promete ser marcada por tensão e revelações graves, sobretudo após a divulgação, pelo Divinews, de que o jurídico da rede teria oferecido apenas R$ 130 mil reais como tentativa de acordo com a família da vítima. Valor considerado pelos advogados de defesa como irrisório diante da dor e da tragédia envolvida.
Trabalhador morre ao tentar alcançar caixa de café com escada imprópria
De acordo com a inicial da ação trabalhista, protocolada pela advogada Mayra Vidal Morais e os demais defensores, Sandro Costa dos Anjos e Leonardo Mourão dos Anjos, tendo também como base o relatório técnico do Ministério do Trabalho, Luiz, que era casado e pai de dois filhos, tentava alcançar uma caixa de café posicionada em altura indevida, usando uma escada totalmente fora dos padrões de segurança. A estrutura da gôndola cedeu e desabou sobre ele, provocando sua morte quatro dias após em um hospital, ou seja, no dia 16
A advogada Mayra Vidal Morais, uma das defensoras da família, em entrevista exclusiva ao Divinews, foi contundente:
“Foi estarrecedor constatar o quão mesquinhos, prepotentes e gananciosos a empresa pode ser com a vida de um trabalhador. Luiz deixou seu país, veio ao Brasil buscando dignidade e teve sua vida ceifada de forma brutal. Isso foi uma tragédia anunciada, fruto do descaso, da negligência e da busca desenfreada por lucro.”
Supermercado tenta culpar a vítima pela própria morte
Surpreendentemente, a defesa da rede Supermercados BH apresentou uma tese de que a culpa seria do próprio trabalhador. Segundo a advogada, essa alegação é “surreal” e visa transferir a responsabilidade por um ambiente de trabalho que não respeita normas mínimas de segurança.
“Há provas robustas de que a empresa negligenciou completamente as normas da NR-18 e NR-35, colocando em risco a vida de seus empregados. A tese da culpa da vítima é não apenas falha, mas também desumana”, afirma a defensora.
Dra. Mayra também explicou ao Divinews que foi observado que “a gôndola não cedeu. Segundo testemunhas, Luiz se desequilibrou tendo em vista que as caixas estavam bem acima do que deveriam estar”.
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Indignação com o valor proposto: apenas R$ 130 mil por uma vida
Durante a audiência de conciliação, a proposta feita pela defesa da empresa gerou revolta. R$ 130 mil foi o valor oferecido para encerrar o processo. A advogada classificou a oferta como “um insulto à dor da família e à dignidade do ser humano”.
“Querem comprar o silêncio da família com um valor que não paga nem os anos de trabalho que Luiz ainda teria pela frente. Isso é uma afronta”, declarou.
A defensora finalizou sua entrevista ao Divinews dizendo que: “Além do que, o próprio Ministério do Trabalho e Emprego em sede de fiscalização apurou uma série de irregularidades que não deixam dúvidas de que o fatal acidente decorreu por culpa EXCLUSIVA do supermercado!”.
Audiência pode marcar virada no caso
A audiência de segunda-feira poderá ser decisiva para o futuro da ação, tanto na responsabilização da empresa quanto no valor da indenização que a família pode vir a receber. Com base no relatório técnico nº 352462-280425-01, do Ministério do Trabalho, que confirma as alegações de falhas de segurança, a expectativa é de que o processo ganhe novos contornos.
A cidade de Divinópolis e os colegas de Luiz esperam que a justiça prevaleça e que o caso sirva de alerta para outras empresas sobre a importância de preservar a vida de seus colaboradores.







JUSTIÇA!!! ✊🏻🦅