O ministro Carlos Lupi pediu demissão do ministério da Previdência nesta sexta-feira (2), em meio à crise dos descontos ilegais em aposentadorias e pensões do INSS (Instituto Nacional do Seguro Social) – “Tomo esta decisão com a certeza de que meu nome não foi citado em nenhum momento nas investigações em curso, que apuram possíveis irregularidades no INSS”, escreveu o ministro em rede social ao afirmar que havia entregado o cargo – O Palácio do Planalto anunciou que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) convidou o ex-deputado federal Wolney Queiroz (PDT-PE), atual secretário-executivo da Previdência, para ocupar o cargo de ministro. A substituição será publicada em edição extra do Diário Oficial da União.
Apesar da ausência de provas da participação de Lupi no esquema, prevaleceu no governo a ideia de que ele não tomou providências para deter o problema e também não reagiu como deveria após a explosão do caso.
O procurador Gilberto Waller Júnior foi escolhido para chefiar o instituto, em substituição a Alessandro Stefanutto, demitido após operação da Polícia Federal e da CGU (Controladoria-Geral da União) para combater o esquema de descontos ilegais.
Lupi afirmou ter apoiado as investigações desde o início e disse esperar que haja punição rigorosa aos responsáveis. O pedetista disse ainda que vai continuar “acompanhando de perto e colaborando com o governo federal” para a devolução de recursos desviados.
“Faço questão de destacar que todas as apurações foram apoiadas, desde o início, por todas as áreas da Previdência, por mim e pelos órgãos de controle do governo Lula. Espero que as investigações sigam seu curso natural, identifiquem os responsáveis e punam, com rigor, aqueles que usaram suas funções para prejudicar o povo trabalhador”, afirmou.
Segundo a investigação, descontos não autorizados em aposentadorias e pensões do INSS ganharam força a partir de 2019, no mandato do então presidente Jair Bolsonaro (PL), e atingiram a casa dos bilhões a partir de 2023, no terceiro mandato de Lula. O aumento atípico nos últimos anos —com movimentações no Congresso que impediram regras mais duras para esses débitos— chamou a atenção.
Em entrevista à Folhanesta semana, Lupi disse ter certeza de que havia “safadeza de muita gente”, mas argumentou que o governo não foi omisso no caso. “Eu não tenho preocupação nenhuma, não fui omisso em nada”, afirmou.
“Agora, são 6 milhões de processos, não é simples investigar. A Previdência Social tem mais de 1 milhão de pedidos novos por mês, não pode parar a Previdência. É tudo complexo, tudo difícil”, completou.
Além de não ter consultado Lupi sobre o futuro do INSS, Lula deu carta branca para que o novo presidente adotasse medidas saneadoras, incluindo mudanças na estrutura do órgão. Pesou para a escolha o perfil técnico, descrito como de “xerife”, de Waller.
Logo após a operação, Lupi saiu em defesa de Stefanutto. “A indicação do doutor Stefanutto é de minha inteira responsabilidade. Ele é procurador da República, um servidor que, até o presente momento, tem me dado todas as demonstrações de ser exemplar”, declarou.
Ao longo da semana, colaboradores do presidente foram acumulando críticas a Lupi, desde a manutenção de integrantes da velha estrutura do INSS à resistência a exonerar Stefanutto.
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Com informações da Folha de São Paulo






