Em audiência pelos 61 anos do golpe, parlamentar exige reparação histórica, transformação de presídios e criação de museu da memória: Nesta última quarta-feira (02), na Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG), em Audiência Pública, a deputada estadual Andréia de Jesus (PT) fez um discurso contundente sobre os 61 anos do golpe militar de 1964, apontando como os resquícios da ditadura ainda afetam diretamente a democracia, a população negra, os povos indígenas e os espaços históricos de Minas Gerais.
A parlamentar relembrou que o último deputado cassado pela ALMG durante a ditadura, Dazinho, foi preso em Ribeirão das Neves, onde hoje há uma proposta de ressignificação do presídio para transformá-lo em uma universidade. “É preciso transformar espaços de repressão em lugares de educação, memória e reconstrução”, defendeu.
Andréia também denunciou as torturas sofridas por indígenas em presídios como o da antiga fazenda Guarani, hoje ocupada por uma aldeia Pataxó, e relembrou a perseguição sistemática às religiões de matriz africana, que eram controladas por órgãos repressivos como o DOPS (Departamento de Ordem Política e Social).
“Existem atas que determinavam quem podia ou não participar de sessões religiosas. A repressão ao povo negro foi institucionalizada durante a ditadura”, afirmou a deputada.
A denúncia mais urgente da audiência foi sobre o atual abandono do prédio do DOPS, em Belo Horizonte, que deveria ter sido transformado em um museu da memória da ditadura. Apesar de o governo do estado ter recebido quase R$ 1 milhão em emendas parlamentares para sua preservação, o local permanece em ruínas. Um grupo de ativistas ocupou recentemente o espaço para denunciar o descaso.
“Há um movimento no sentido de apagar a história da ditadura. A ocupação denuncia isso e cobra o projeto de restauração prometido pelo IEF. Precisamos de espaços reais de memória para alcançar justiça”, disse a parlamentar.
A deputada também reforçou a urgência de responsabilizar aqueles que, mesmo após o fim da ditadura, continuam ocupando posições de poder para minar a democracia por dentro. “Democracia é manter a Assembleia de pé, é garantir justiça e reparação histórica”, concluiu.
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