O ex-presidente Jair Bolsonaro participou, neste domingo (16), de um ato em defesa da anistia aos envolvidos nos ataques antidemocráticos de 8 de janeiro. O evento ocorreu na praia de Copacabana, no Rio de Janeiro, e reuniu apoiadores do ex-mandatário. Durante seu discurso, Bolsonaro afirmou que não deixará o país e disse que continuará sendo um “problema”, independentemente de seu futuro.
Bolsonaro também citou o apoio do presidente nacional do PSD, Gilberto Kassab, para aprovar um projeto de anistia aos golpistas. “Deixo claro aqui, esse 50% [de apoio ao projeto] não é do PL, não. Tem gente boa em todos os partidos. Eu, inclusive, resolvi um problema com Kassab, em São Paulo, e ele está ao nosso lado com a sua bancada para aprovar a anistia em Brasília. Todos os partidos estão vindo”, declarou.
O ex-presidente voltou a negar envolvimento nas investigações em que é citado, mencionando casos como as investigações sobre joias, compra de vacinas e aquisição de imóveis. “Todas as narrativas contra mim foram por terra. Sobrou apenas a fumaça do golpe”, afirmou.
Críticas ao STF e baixa adesão ao ato
Bolsonaro também fez críticas ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), que conduz as investigações sobre a tentativa de golpe. Ele acusou Moraes de atuar de forma parcial nas eleições de 2022 e de manter investigações sob sigilo.
Apesar das expectativas de grande público, a manifestação em Copacabana teve adesão abaixo do esperado. Bolsonaro havia prometido reunir “mais de um milhão” de pessoas, mas imagens de transmissões ao vivo mostraram que a presença foi reduzida, com espaços vazios ao longo da orla.
Possível prisão e julgamento no STF
O Supremo Tribunal Federal marcou para 25 de março a análise da denúncia apresentada pela Procuradoria-Geral da República (PGR), que acusa Bolsonaro de liderar uma organização criminosa para tentar reverter o resultado das eleições de 2022. Se condenado por todas as acusações, o ex-presidente pode pegar uma pena que varia de 12 a mais de 40 anos de prisão.
A defesa de Bolsonaro nega as acusações e alega que não há provas concretas de sua participação em uma tentativa de golpe de Estado. O ex-presidente, que já está inelegível até 2030 por abuso de poder político, criticou a rapidez com que o STF tem tratado seu caso.






