O presidente Lula (PT) afirmou nesta terça-feira (18), ao conceder o Prêmio Camões de Literatura para a poeta mineira Adélia Prado, natural de Divinópolis, que sua obra “transborda verdade” em tempos de mentira e negacionismo.
“Sua poesia é uma homenagem ao real, cuja concretude hoje se esfacela em plataformas virtuais e redes digitais. Em um contexto de negacionismo, mentira e desinformação, a verdade que transborda de Adélia é um importante chamado à realidade”, disse.
A premiação é considerada a mais importante da língua portuguesa e consagra autores da língua que, pelo conjunto de suas obras, tenham contribuído para o enriquecimento do patrimônio literário e cultural do idioma.
“Em tempos de crises econômicas, catástrofes climáticas, guerras e pandemias, não sucumbir é um ato de resistência. É na desesperança, no medo e no ressentimento, que viceja o ódio como projeto político”, disse ainda. “Adélia nos inspira a fazer política como ela faz poesia: as pessoas estão no cerne de sua escrita, assim como deveriam estar no centro de qualquer relação de governo”, disse ainda Lula.
Por meio do filho, Adélia Prado enviou um texto de agradecimento pelo prêmio, além de um “abraço fraterno” ao presidente português e o recado de que ama Portugal.
A premiação foi realizada por Lula junto ao presidente de Portugal, Marcelo Rebelo de Sousa, que foi recebido nesta manhã, no Palácio do Planalto. Na sequência, os dois presidentes se reuniram a portas fechadas.
A poeta havia sido anunciada como a vencedora em junho do ano passado, uma semana depois de ganhar o prêmio Machado de Assis, da Academia Brasileira de Letras, que também seleciona autores pelo conjunto da obra.
À época, Prado havia retomado à literatura depois de mais de uma década do que classificou como um “deserto criativo”.
A escolha por seu nome rompeu uma tradição recente do Camões. O prêmio costuma alternar entre escritores brasileiros, portugueses e de países africanos lusófonos. Desta vez, seleção da mineira vem apenas dois anos depois da seleção de um conterrâneo seu, o crítico literário Silviano Santiago.
A cerimônia desta terça, cujo objetivo é fortalecer os laços entre os países de língua portuguesa, faz parte dos compromissos oficiais do chefe de Estado português no Brasil. Ele e o primeiro-ministro, Luis Montenegro, têm previsão de ficar no país até sexta-feira (20).
Também estiveram presentes no evento o vice-presidente Geraldo Alckmin, os presidentes da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), do STJ (Superior Tribunal de Justiça), Herman Benjamin, o senador Jaques Wagner (PT-BA) e outras autoridades brasileiras e portuguesas.
O autor vencedor, além de ter o conjunto de sua obra reconhecida, recebe uma láurea no valor de 100.000 euros. Metade deste valor é subsidiado pela Fundação Biblioteca Nacional.
Após o prêmio, Lula e a primeira-dama, Rosângela da Silva, a Janja, oferecem um jantar no Itamaraty para o presidente de Portugal e demais autoridades.







O zema será que também vai condecorar a funcionária da rádio?