A moradora de Divinópolis, Maria Vitória, denuncia uma grave falha no sistema público de saúde, que tem comprometido o acesso de sua filha, diagnosticada com autismo nível 3 de suporte, aos tratamentos essenciais. Segundo Maria Vitória, a menina está há três anos na fila de espera para atendimento pelo SUS, e sua posição na fila de atendimento tem regredido inexplicavelmente, ao invés de avançar.
A mãe relata que a criança, Maria Valentina, de cinco anos, autista não verbal e com severas dificuldades de comunicação e interação, foi excluída duas vezes da fila de espera sem qualquer justificativa plausível. Após cada exclusão, a única alternativa foi refazer o encaminhamento médico, o que a colocou novamente no final da fila. Em novembro, quando procurou a regulação, foi informada de que sua filha ocupava a 186ª posição na fila. No entanto, ao retornar nos meses seguintes, notou que a posição havia piorado: em dezembro, estava em 190º lugar, em janeiro, em 193º, e na última atualização, que é a atual, sua posição é 198º lugar, mesmo sem novas avaliações que justificassem a mudança regressiva de posição na fila.
A demora compromete o desenvolvimento da criança
Maria Valentina possui laudo de autismo desde os dois anos de idade, diagnosticado por um neurologista pediátrico no Rio de Janeiro. Aos cinco anos, ainda não recebeu nenhuma terapia essencial, como acompanhamento com fonoaudiólogo e terapeuta ocupacional, medidas consideradas urgentes para crianças dentro do espectro autista.
De acordo com os médicos que a acompanham, a falta dessas terapias pode impactar severamente seu desenvolvimento. Em um dos encaminhamentos, a profissional responsável descreveu o caso de Valentina como urgente, destacando que a menina apresenta autoagressão, seletividade alimentar severa, uso contínuo de fraldas e atraso no desenvolvimento motor e cognitivo.
Mãe busca respostas e cobra transparência
Desesperada, Maria Vitória afirma não entender como a filha, que já deveria ter sido atendida, segue retrocedendo na fila, enquanto novos pacientes são adicionados à frente dela. A situação tem gerado angústia e revolta, pois há evidências de que crianças que entraram posteriormente na fila já receberam atendimento.
A mãe reforça que o direito ao tratamento está sendo negado e afirma estar disposta a levar o caso às últimas instâncias, denunciando a situação para a imprensa, como o faz agora, e cobrando respostas das autoridades responsáveis. Ela pede que a população ajude a dar visibilidade ao caso, para pressionar as autoridades a garantirem o direito básico da filha ao atendimento adequado.
O caso expõe as falhas do sistema de regulação do SUS, a falta de transparência nas filas de espera e o impacto devastador da demora no atendimento às crianças autistas, que dependem de intervenção à tempo para minimizar as dificuldades causadas pelo transtorno do aspectro austista.
O Divinews seguirá acompanhando o caso. A suspeita é que pessoas influentes possam estar furando a fila.








