O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), autorizou nesta segunda-feira (2) a transferência do general de brigada Mário Fernandes e do tenente-coronel Rodrigo Bezerra para Brasília. Ambos são investigados por envolvimento no plano denominado “Punhal Verde e Amarelo”, que previa um atentado contra as lideranças do governo eleito em 2022. Os militares estavam presos no 1º Batalhão de Polícia do Exército, no Rio de Janeiro, e agora ficarão detidos no Comando Militar do Planalto, onde cumprirão prisão preventiva em instalações reservadas para militares.
A decisão de Moraes prevê que os presos poderão receber visitas de esposas e filhos, mas qualquer outra visita precisará ser previamente autorizada pelo ministro. O documento ressalta a necessidade de observar as Normas Administrativas para Prisão Especial (NAPE), que regulamentam o tratamento a militares sob custódia.
Fernandes e Bezerra, que faziam parte das Forças Especiais do Exército conhecidas como “kids pretos”, são acusados de planejar ações que incluíam o assassinato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, do vice-presidente Geraldo Alckmin e do próprio ministro Alexandre de Moraes. O plano, segundo investigações da Polícia Federal, buscava impedir a posse do governo eleito em dezembro de 2022.
A operação que resultou na prisão dos militares foi deflagrada em 19 de novembro e recebeu o nome de Operação Contragolpe. Além de Fernandes e Bezerra, outros três homens foram detidos, incluindo um policial federal. O grupo pretendia usar armamento pesado, como fuzis, metralhadoras e lançadores de granadas, para executar o plano golpista.
De acordo com o inquérito, os investigados planejavam criar um “Gabinete Institucional de Gestão de Crise” para coordenar os desdobramentos do golpe. O general reformado Mário Fernandes, que já havia ocupado cargos no governo Bolsonaro, é apontado como um dos principais mentores da trama.
Relatórios da Polícia Federal também indicam que os “kids pretos” atuaram em duas frentes: além de organizar o atentado, o grupo pressionou o Alto Comando do Exército a apoiar o golpe, buscando legitimar a tomada de poder. Apesar do treinamento especializado e das conexões políticas dos envolvidos, as investigações revelaram que o plano foi desarticulado antes de sua execução, garantindo a segurança das lideranças e a continuidade democrática no país.
As investigações continuam em andamento, e a decisão de transferência busca garantir maior segurança no cumprimento das prisões e melhor supervisão dos detidos. A gravidade das acusações reforça o impacto desse caso, que expõe os riscos à democracia e a necessidade de vigilância contínua contra ameaças institucionais.







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