Em Minas Gerais, mais de 630 crianças e adolescentes são vítimas de crimes sexuais todos os meses. Entre janeiro e setembro de 2024, a Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública (Sejusp) registrou 5.699 casos de violência sexual contra menores de 18 anos, e embora esse número seja ligeiramente menor que o do ano passado, especialistas alertam que a realidade pode ser ainda mais grave, já que muitos abusos não chegam até as autoridades.
Os crimes incluem estupro, assédio, exploração sexual e tráfico de pessoas para fins sexuais, todos previstos pela Lei nº 12.015/2009, é para combater essa violência, foi deflagrada nesta quarta-feira (06) a operação Hagnos, que ocorre em todo o Brasil durante o mês de novembro. A operação busca prender criminosos envolvidos na exploração sexual infantil, e um dos detidos foi o primo do “Maníaco de Contagem”, acusado de abusar da própria filha. Ele foi preso na região Oeste de Belo Horizonte, onde também integrava uma facção criminosa de tráfico de drogas.
Jorge Tassi, especialista em segurança pública, explica que, frequentemente, os agressores são pessoas próximas das vítimas, como pais, tios, avós ou até funcionários de escolas. “São indivíduos que deveriam proteger as crianças e, em vez disso, abusam delas”, afirma. Isso dificulta a denúncia, pois as vítimas se sentem envergonhadas ou com medo de falar, e, por isso, Tassi defende que a prevenção passa pelo diálogo aberto sobre sexualidade com as crianças. “Elas precisam entender que ninguém pode tocar nelas sem o consentimento delas, mesmo que seja uma pessoa próxima”, diz.
As consequências desses crimes são profundas e duradouras, afetando a saúde mental das vítimas. Por isso, é fundamental que elas recebam apoio psicológico e médico. No entanto, o maior obstáculo no combate ao abuso sexual infantil é o silêncio. Muitas vítimas se calam, seja por vergonha, medo ou pela relação de confiança com o agressor, o que dificulta o trabalho das autoridades.
Tassi ressalta que todos têm um papel na proteção das crianças, especialmente aqueles que convivem com elas diariamente, como familiares e professores, e que a sociedade precisa se unir para mudar esse quadro. A chave está em falar sobre o tema de forma aberta e ensinar as crianças a reconhecerem comportamentos abusivos. “É preciso prepará-las para que, se algo acontecer, saibam como reagir e buscar ajuda”, explica.
A operação Hagnos é um avanço, mas é fundamental que mais vigilância, cuidado e ações aconteçam para garantir um futuro mais seguro para as crianças e adolescentes de Minas Gerais e do Brasil.






