Divinópolis: Morre o empresário Valdemar da Delles Jeans


Começou a circular no início da tarde desta quinta-feira (03), rumores sobre a morte do empresário Valdemar Amaral. Posteriormente foi confirmado ser o empresário que foi um dos precursores do setor confeccionista na cidade, que ficou mais conhecido pelo nome da sua própria marca de Delles jeans ‘Valdemar da Delles’  – De acordo com informações de amigos, ele já estava doente e estaria internado. 

A Delles Jeans figura entre uma das primeiras fábricas de jeans registradas ao lado da Savage de João Batista, do Hotel JB em 1975. Enquanto a fabrica de Valdemar foi registrada no final da mesma década, assim como a  Styllepoch, Malharia Eduardo, Esmeralda, Badson, Jullier, entre outras, quando Divinópolis estava começando a se tornar um polo confeccionista e  era conhecida como o paraíso do jeans.

O SURGIMENTO DAS PRIMEIRAS CONFECÇÕES
A história de Divinópolis pode ser dividida em duas fases: a primeira, de ajustes, de 1912 a 1962, quando a cidade se industrializava. Nesse período aconteceram duas guerras mundiais, o golpe de Estado que apeou do poder o presidente do Brasil Washington Luís (15.11.1926 a 24.10.1930) e colocou em seu lugar Getúlio Vargas, e no interior de Minas Gerais, surgiram as primeiras usinas siderúrgicas e fundições. Mas foi na segunda, a partir da década de
1970, com a crise nos setores do ferro gusa e ferroviário que o município cresceu com o segmento do vestuário.
No início dos anos 1970, Divinópolis possuía 216 estabelecimentos industriais com um pouco mais de 3.000 funcionários. A população de 70.688, considerada na época, em 7º lugar no Estado de Minas Gerais.

No final dos anos 1970, houve crise nos setores das siderurgias e ferroviário. E estendeu-se na década seguinte. Sem dúvida, este momento foi o início da história das confecções. As mulheres passaram a ter maior participação no município com o surgimento das primeiras fábricas de roupa amadoras. Com os maridos desempregados e filhos, muitas esposas “arregaçaram as mangas” para montar as primeiras facções de roupas na cidade. Em casa ou até mesmo em um “fundo de quintal”, algumas jovens passaram a ajudar no orçamento doméstico através da produção de vestuário. O negócio que havia começado como alternativa de sobrevivência da família, em pouco tempo prosperou. Algumas fábricas de roupa cresceram nesse período, de tal forma, que aqueles mesmos metalúrgicos com esperança em novo impulso dos setores de ferro gusa e ferroviário, abandonaram as profissões e assumiram novos papéis como: vendedores, cortadores de tecidos e representantes comerciais. Naquele momento, filhos e maridos acataram os incentivos das mulheres, mães e esposas. Toda a cidade se viu contagiada pela vocação feminina. Em entrevista para o documentário “Memória e Oralidade do setor confeccionista de Divinópolis”, Aparecida Gontijo, da Keila Confecções, diz que a visão de seu pai, daquela época, era: “Mulher tinha que cozinhar, passar e costurar.”

Diante desse cenário, o mercado e a cultura regional descobrem um novo segmento de trabalho, sendo a mulher a figura principal de atuação. O nicho de mercado foi opção interessante a quem possuía condições financeiras para investir. Assim, alguns empresários perceberam a movimentação dos negócios e aproveitaram a oportunidade para aplicar na área do vestuário.

A primeira fábrica de confecção de jeans foi registrada em 1975. Seu proprietário, José Batista Soares. A marca era conhecida como Confecções Savage. O empresário relata no documentário que: “Essa empresa, foi minha galinha de ovos de ouro, comecei fabricando cinco calças jeans por dia e terminei minha confecção com até mil peças diariamente. Fui muito feliz.”

No final dos anos 1970 e início dos anos 1980, a Keila Confecções se destacava como a boutique da Aparecida Gontijo. Em toda parte da cidade, a cada ano, apareciam novas confecções. Segundo a pesquisa, nomes de marcas como Styllepoch, Malharia Eduardo, Esmeralda, Badson, Delles, Jullier, Viviane, Vânios Jeans, Leluana, Pare na Pista, Jiros Moda, Malu Modas, Mac Look, entre outras, se destacavam no cenário regional.

Com a profissionalização das empresas, grandes empreendedores se reuniram e decidiram rumos para o setor. Isso no final dos anos 1980. Como iniciativa, criou-se o SinVesd (Sindicato das Indústrias do Vestuário de Divinópolis), que teve como primeira proposta no início dos anos 1990, a realização de feiras de roupa no Parque de Exposições. Esse evento acontecia aos domingos, com a intenção de atrair ônibus com guias, sacoleiras, lojistas
de Minas Gerais e de outros Estados.

 

O texto acima  faz parte da pesquisa de mestrado, defendida na UEMG em 2008 por Rodrigo Bessa

 

3 comentários em “Divinópolis: Morre o empresário Valdemar da Delles Jeans

  • 4 de março de 2022 em 00:31
    Permalink

    Gente do céu que saudades me bateu agora. Trabalhei na BADSON, depois fui para a RAFICAL acompanhando meu querido patrão Antônio Mendes de Morais. De recepcionista à gerente da loja ali na Goiás com a Mato Grosso pouco abaixo do famoso Bazar 70; Saudades daqueles tempos. Muitos de minha família trabalhavam comigo, Todos esses nomes citados aí me trouxeram lembranças da minha mocidade. Geralmente eram parentes ou até irmãos os donos das fábricas. Me lembro com muito carinho de uma noite de natal dia 24, meu querido patrão e amigo O Mendes me levou ao sítio dos cunhados tia Lourdinha com o Sr. Valdemar para um lanche de natal, eu adorei, fiquei ali descansando um pouco depois de um dia de muitas vendas na loja Radical e lá, degustei as famosas empadas que dona Ilza esposa de Mendes e sua irmã Lourdinha faziam e muitas outras delícias da ceia natalina…
    Ahhhh eu fui uma das que foi para o parque de exposições vender calças, jaquetas shorts etc no atacado. Chego até a sonhar com aquilo. Meu Deus!!! Vendíamos tudo.
    Tempo bom. É com muito carinho por essa família que abraço um por um nesse momento tão triste do passamento do senhor Valdemar. Deus dê o conforto a cada um de vocês parentes e amigos e o descanso eterno a
    Senhor Valdemar da Delles!

    Resposta
  • 4 de março de 2022 em 00:12
    Permalink

    Gente do céu que saudades me bateu agora. Trabalhei na BADSON, depois fui para a Radical acompanhando meu querido patrão Antônio Mendes de Morais. De recepcionista à gerente da loja ali na Goiás com a Mato Grosso pouco abaixo do famoso Bazar 70; Saudades daqueles tempos. Muitos de minha família trabalhavam comigo, Todos esses nomes citados aí me trouxeram lembranças da minha mocidade. Geralmente eram parentes ou até irmãos os donos das fábricas. Me lembro com muito carinho de uma noite de natal dia 24, meu querido patrão e amigo O Mendes me levou ao sítio dos cunhados tia Lourdinha com o Sr. Valdemar para um lanche de natal, eu adorei fiquei ali descansando um pouco depois de um dia de muitas vendas na loja Radical e lá, degustei as famosas empadas que dona Ilza esposa de Mendes e sua irmã Lourdinha faziam e muitas outras delícias da ceia natalina…
    Ahhhh eu fui uma das que foi para o parque de exposições vender calças, jaquetas shorts etc no atacado. Chego até a sonhar com aquilo. Meu Deus!!! Vendíamos tudo.
    Tempo bom. É com muito carinho por essa família que abraço um por um nesse momento tão triste do passamento do senhor Valdemar. Deus dê o conforto a cada um de vocês patentes e amigos e o descanso eterno a
    Senhor Valdemar da Delles!

    Resposta
  • 3 de março de 2022 em 13:42
    Permalink

    Eu fui fundador com mais três colegas e montamos uma feira no parque de exposições: está feira foi um sucesso pois de trezentas e poucas empresas fomos para mais de mil empresas. Desta feira nasceram os shoppings.

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