“Vocês acham que servidor público é Magazine Luíza, para parcelar reajuste?”, questionou o tribuno Darly Salvador na Câmara de Divinópolis


Nesta terça-feira (08), o enfermeiro Darly Salvador, que ocupa cadeira no conselho administrativo da Diviprev, compareceu à Tribuna Livre da Câmara Municipal de Divinópolis para tratar de um assunto relativo aos servidores municipais e da Prefeitura. A categoria rechaçou no dia 31/01, em assembleia conjunta entre membros do Sindicato dos Trabalhadores em Educação Municipal do Município de Divinópolis (Sintemmd) e do Sindicato dos Trabalhadores Municipais de Divinópolis e Centro-Oeste (Sintram), a proposta unilateral do prefeito Gleidson Azevedo (PSC), de conceder o reajuste de 5% neste mês de fevereiro e mais 4,63% em maio.

Darly iniciou seu pronunciamento em defesa dos servidores. “É sabido que há um desmonte do serviço público por parte do Governo Federal e seus discípulos estaduais e municipais. Hoje eu fui questionado sobre a estabilidade do servidor. Servidor faz greve porque tem estabilidade. Não! Servidor garante políticas públicas. Se o servidor, agente de trânsito, aplica uma multa, ela tem que ser cumprida ela não pode ser rasgada. Quem garante a educação é o servidor público de carreira que segue o programa estadual. Garante a vacinação, a imunização, são os servidores de carreira quem garantem a segurança. Por que ele não tem vínculo nenhum político, igual eu estou aqui agora. Não tenho questão partidária. A minha é o servidor e a Gestão. Em um país, que 70%, da população, depende dos serviços básicos públicos, é inadmissível que um gestor, que um Executivo queira jogar a população quem lhes serve.”, defendeu.

O tribuno garante já ter presenciado situações em que o funcionalismo público foi tentado a situações de corrupção e antiéticas, no entanto, não cederam. “Se o servidor público tivesse estabilidade seria um caos. Porque eu já vi tentarem furar fila no Hemominas, no MG Transplante, deputado querer pagar a hora. Eu já vi. Todo mundo que sabe a minha formação, sabe que eu tenho conhecimento. Ele é essencial. Mas ninguém, igual eu aprendi na enfermagem, tem condição de cuidar do outro, se ele não estiver bem.”, garantiu.

Na sequência, o porta-voz da categoria explica o tecnicismo por trás do embate. “O servidor precisa resgatar sua dignidade. Ser valorizado. Quando o servidor pede uma recomposição, não é ajuste, não é aumento. O Executivo vem falar de aumento que ele concedeu. O Executivo não concede nada. Único aumento que ele concede é de IPTU. Quem concede é o índice estudado pelo instituto, que inclusive está sendo boicotado todo tipo de pesquisa nesse país pelo Governo Federal. Esses dados que a gente tem buscado e estudado são em organizações não-governamentais.”, explicou.

Darly revela que recebeu uma confissão dramática, de uma servidora com o marido doente e sem ter onde deixar as crianças, enquanto trabalha e se expõe ao risco, na linha de frente, no combate da pandemia. “Senhores, eu presenciei a pouco tempo um servidor. Por questões éticas eu não vou citar nome. Falou para mim ‘Darly, eu não sei o que eu faço. Meu marido sequelado em casa pela Covid. Eu não tenho com quem deixar meus filhos. E eu tenho que trabalhar na UPA. Eu não sei se eu tenho gás e seu tenho pão para dar ele.’”, revelou.

O profissional da saúde provoca o parlamento e a população. “Vocês acham que servidor público é Magazine Luiza? Para parcelar reajuste. O de vocês são parcelados, nobres edis? Salários mínimos são parcelados, nobres edis?”, provocou.

A doença e o cenário de fatalidade são novamente retratados, quando Darly faz pausa proposital e pondera com a estatística dos servidores mortos em Divinópolis, para as pessoas quem assistem e os vereadores pensarem. “Não joguem a população contra nós! Porque nós somos servidores. O nome fala. Servimos a eles. E nessa pandemia, senhores, nós perdemos 38 servidores.”, ponderou.

O tribuno se mostra contrário a privatização de serviços e rebate a qualidade do funcionamento destes, caso fossem privatizados. “Aumentou assustadoramente. Hoje a Diviprev tem 100.422 assegurados. Há um zum-zum-zum aí de terceirizar as coisas. ‘Ah, eles são contra terceirizar porque tem qualidade.’. Nas cidades do Sul, que eu pesquiso e estudo muito, eles estão criando, ensinando a educação continuada, para que os órgãos funcionem bem. Não extingui-los através de terceirização, como há zum-zum-zum aí, não sei se procede, de terceirizar o Serviço de Luto, Sersam e etc.”, rebateu.

Já quase no final, o conselheiro do Diviprev aponta que há um rombo no órgão e que a Prefeitura insiste em abrir processos seletivos, mesmo sem convocar as pessoas que já foram aprovadas anteriormente. “A nossa previdência tem hoje um déficit de 1 bilhão e 300 mil. E os processos seletivos continuam. Não somos contra coisas emergenciais, não. Mas já foi visto e tem provas concretas, processos seletivos, onde tem alguém antes para chamar dos concursos?”, apontou e indagou.

Darly então suscita os vereadores e relembra que se os agentes políticos permanecerem como isentos, vão pender para o lado contrário e minar as reivindicações da categoria dos servidores públicos. “Eu acho que essa Casa tem que se manifestar. E um aviso alguns dos nobres edis. Que quem fica em cima do muro já escolheu o seu lado. E nada, nada que esse governo fizer vai apagar o rastro de destruição. Esse Governo Federal vai deixar a nossa história manchada. Devastada. Por negacionismo. Por falta de conhecimento. A pessoa quando abre a mente por conhecimento, ela nunca mais se fecha.”, suscitou.

Na conclusão de sua fala, Darly se posiciona a favor da ciência, da saúde e da vacina e aconselha que a população de Divinópolis não deixe de acreditar nisso. “Um governo que vai contra a sociedade científica. Que vai na contramão do mundo. E além disso, nós ainda temos os falsos profetas. Os falsos profetas que querem disseminar as nossas crianças. A imunização é o caminho. O imunobiológico é a defesa. É o caminho. Ele não é feito aleatoriamente não. As vezes ele é feito emergencial, mas é necessário. Ele é testado em primatas e tem teste de bioequivalência. Então, senhores, apoiem a nossa causa.”

14 comentários em ““Vocês acham que servidor público é Magazine Luíza, para parcelar reajuste?”, questionou o tribuno Darly Salvador na Câmara de Divinópolis

  • 9 de fevereiro de 2022 em 16:14
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    O câncer da prefeitura são esses vagabundos desses servidores públicos, vão trabalhar seus mama tetas o trabalhador num tem aumento e vcs já ganham muito pra fazer nada, detesto esse perfeito mas ele tá é certo, esse darli e vagabundo nunca trabalhou é um oportunista.

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  • 9 de fevereiro de 2022 em 14:48
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    O ticket alimentação que o funcionário público recebe, pode comprar tudo em veneno e tomar que não morre ninguém. Isso é fazer os funcionários de idiotas, quando na verdade, idiotas são os que comandam essa zona que virou a prefeitura

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  • 9 de fevereiro de 2022 em 12:58
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    Ângelo qual hora você considera apropriada para pedir recomposição e fazer greve? Esta é a mesma hora em você precisa de serviço públicos que estão cada dia piores por culpa dos governantes que vocês elegem de quatro em quatro anos? Ou na hora em que você vai ao supermercado e pega duas sacolinhas por R$200,00, ou na mesma hora em que chega a sua conta de luz! Você deve ser muito bem remunerado para definir a hora em que se deve lutar por direitos, pois pelo que aparenta a sua saúde financeira vai de vento e polpa.

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  • 9 de fevereiro de 2022 em 09:29
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    CADÊ OS FUNCIONÁRIOS DA EMOP ,QUE NÃO RECEBERAM AUMENTO NENHUM EM 2021 SOB AMEAÇA QUE SE DESSEM AUMENTO TERIAM QUE DEMITIR?
    E EM 2022 ATÉ AGORA NADA.
    DEPOIS TROCAM A LOGOMARCA , O UNIFORME , PINTAM O PRÉDIO TODO, FAZEM MIL FESTAS E DIZEM QUE É PRÁ DAR DIGNIDADE AOS FUNCIONÁRIOS.
    KKKKK

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  • 9 de fevereiro de 2022 em 09:11
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    O IPTU sobe conforme inflação, salário do servidor não, não é aumento é recomposição de perdas, enquanto salário mínimo subiu 15% nos últimos dois anos a proposta é 9% dividido em duas vezes. Ainda tem coragem de fazer vídeo e falar que é um grande aumento, mentiroso demais este dançarino.

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  • 9 de fevereiro de 2022 em 06:51
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    Aplaudo você servidor de coragem.

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  • 8 de fevereiro de 2022 em 23:36
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    Esse Darly. Deixou de apoia o Marquinho Clementino para prefeito para apoiar o gleydson para prefeito de olho na presidencia do Diviprev ele nao e de confiança e vira casaca agora ataca o prefeito

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  • 8 de fevereiro de 2022 em 22:08
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    Darly está corretíssimo. Não sou Servidor e nem tenho parentes servidores. Mas SACANEAR financeiramente que serve a nossa População, é cuspir no prato que se alimenta. Quem apoia Bolsonaro é só isso mesmo. Querem tirar dos que mais fazem para o povão. Parabéns e se for preciso, GREVE SIM. Por que NÃO ?

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  • 8 de fevereiro de 2022 em 18:49
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    Hora imprópria para greves e reajustes

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    • 8 de fevereiro de 2022 em 23:18
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      Hora imprópria para trabalhar dobrado, correndo risco de vida, contaminação. Vacinando você e sua família… E ganhando salário mínimo… Já tem 3 anos de hora imprópria para recomposição… Vamos fechar tudo… As vezes economiza, quem sabe ano que vem abrimos novamente. Temos que aumentar é o salário dos juízes, policiais eles podem fazer greve sem hora imprópria. Procura os vereadores e prefeito para fazer os curativos, vacinarem e darem aulas para sua família…

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    • 8 de fevereiro de 2022 em 23:20
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      Vamos então só aumentar o Iptu. As vezes sobra dinheiro, buracos, rombos, e mais nada nunca vi uma cidade tão abandonada…

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  • 8 de fevereiro de 2022 em 17:45
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    Sim! Se não tem dinheiro, muito dinheiro por sinal,deve-se parcelar.

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  • 8 de fevereiro de 2022 em 16:12
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    Parabéns Darly, você falou muito bem na Câmara. Uma pena que aqueles 17 não são servidores. Eles não nos representam. Fora Azevedos.

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Comentários

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