Por Laiz Soares: Uma ajuda para o novo governo de Divinópolis


Sempre soube que o novo prefeito e vice da nossa cidade não sabiam o que é um choque de gestão. Não vejo ninguém na equipe técnica com repertório de verdade nesse assunto. Agora, começaram a demonstrar na prática que realmente não sabem. Ficou claro que acham que choque de gestão se resume a cortar cargos e devolver salas alugadas. Isso é importante de ser feito, desde que feito de forma respeitosa e cuidadosa, e é uma parte do processo.  O verdadeiro choque de gestão é algo muito mais complexo e difícil de ser feito. Envolve, para começar, saber o que é gestão e governança. Só aí já temos problemas sérios, na compreensão dos conceitos. Vamos lá:

Governança: é um conjunto de mecanismos de liderança, estratégia e controle postos em prática para avaliar, direcionar e monitorar a gestão, com vistas à condução de políticas públicas e à prestação de serviços de interesse da sociedade.  (Conceito de governança pública retirado do Decreto nº 9.203, de 22 de novembro de 2017 do governo federal)

Em uma linguagem bem acessível: é como o líder organiza sua rotina e de sua equipe, quando e como ele toma decisões, quais critérios que ele usa para fazer as coisas funcionarem.

Gestão: A gestão é o planejamento de todas as ações que contribuem para o pleno funcionamento de um sistema, o que resulta na efetivação de tarefas, metas e/ou objetivos gerais. Nada mais é do que a capacidade de administração, com o objetivo de alcançar metas e conquistar resultados positivos.

A gestão tem como finalidade conduzir pessoas e processos de forma eficaz, promover melhorias, criando um ambiente colaborativo, motivado, propício ao autodesenvolvimento e, consequentemente, à conquista de resultados. Visto como um modelo de trabalho, este tipo de organização é orientada por uma política de valores do líder que influenciam em todas as etapas dos processos nas diversas áreas.

Fonte: Tribunal de Contas da União (TCU)

 

Não vou detalhar aqui os conceitos de efetividade, economicidade, eficácia e eficiência mostrados no desenho acima. Quem quiser aprender mais tem um vasto conteúdo no Google, basta pesquisar.  Importante para compreensão do quadro:  a palavra “Accountability” escrita em verde na setinha acima significa “prestação de contas”.

Hoje, na Prefeitura de Divinópolis, nenhuma dessas duas rodas acima existem bem definidas e giram direito e em harmonia. Ou seja, não há gestão nem governança. Há caos.  Isso acontece por falta de competência das novas lideranças. Vamos lembrar o conceito de competência para ninguém achar que isso é um ataque injusto, e deixarmos claro que isso é uma constatação de um fato.

Significado de competência no dicionário: Substantivo feminino. Capacidade decorrente de profundo conhecimento que alguém tem sobre um assunto: recorrer à competência de um especialista. Conjunto de habilidades, saberes, conhecimentos.

Sem muita ajuda de profissionais altamente especializados fica impossível para o novo governo fazer um choque de gestão sério acontecer, porque falta competência, já que é algo muito complexo e difícil para quem nunca viveu nada parecido. Por isso é que no site do TCU (vídeo abaixo, recomendo bastante) eles dizem que é necessário para o bom funcionamento da governança pública a existência de um líder “ético e competente” e não somente ético, que acreditamos que nosso prefeito seja. Competente sabemos que ele ainda não é, mas pode se tornar, aprendendo e errando. O processo dele de se tornar competente pode ser acelerado se ele tiver bastante humildade, vontade de aprender, gosto pelos estudos e um bom time.

Um verdadeiro choque de gestão passa por um diagnóstico profundo, analisando as áreas meio e fim. Área meio são as áreas administrativas de todas as secretarias, área fim seria por exemplo a escola ou o posto de saúde. Esse diagnóstico mapeia várias dimensões: recursos (pessoas e equipamentos) e processos, identifica o que funciona e o que não funciona, entende como estão sendo controlados os indicadores de resultado (quando há indicadores). Se não há, é preciso que se crie indicadores adequados para avaliar o processo e o resultado.

Além do diagnóstico dos problemas bem feito, o choque de gestão audita e revê todos os contratos, muda os processos para otimizá-los, coloca tecnologia onde é preciso, reduz desperdícios, otimiza a produtividade dos servidores, reconhece e premia os servidores com boa performance e cria mecanismo de incentivo para aqueles que poderiam trabalhar entregando mais resultados.

Em um choque de gestão é necessária uma reformulação completa da área de Recursos Humanos, para que os servidores possam ser valorizados, ouvidos e melhor capacitados. Um verdadeiro choque de gestão procura mapear os talentos e entender se eles estão nas posições adequadas para terem melhores resultados. Um choque de gestão valoriza e cuida das pessoas, e não passa um trator por cima delas.

Além disso, um choque de gestão estabelece e pactua metas e prioridades estratégicas com as áreas meio e fim, e cria um mecanismo de governança para acompanhamento destes desafios. Fazer gestão de verdade é algo que está completamente fora do alcance do prefeito e sua vice, por mais que tenham boa vontade, não se faz isso sem muita experiência e qualificação no assunto. Sugiro fortemente que contratem uma consultoria séria e respeitada para apoiá-los nesse processo, caso contrário continuarão nesse amadorismo vergonhoso e patético, achando que gerir é mudar mesa de lugar.  Esse artigo é muito mais do que uma crítica, é uma dica que vale ouro para a nova gestão, espero que considerem e agradeçam a ajuda, estou gastando o meu tempo para explicar para vocês o que já deveriam saber e ter competência para fazer.

8 comentários em “Por Laiz Soares: Uma ajuda para o novo governo de Divinópolis

  • 10 de fevereiro de 2021 em 20:34
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    Não adianta tentar implantar modelos de gestão da iniciativa privada no setor público. Isso já foi demonstrado que não funciona. Principalmente na área da saúde. Nos últimos anos fala-se em “choque de gestão” e “gestão eficiente” mas no caso de Divinópolis sofremos a anos com a falta de pensamento a longo prazo. Parabéns Laís!

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  • 10 de fevereiro de 2021 em 20:08
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    Ninguém consegue governar no grito e na intimidação. Soco na mesa não resolve os sérios problemas do município

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  • 8 de fevereiro de 2021 em 21:25
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    A grande questão que barrou o atual prefeito foi a timidez em nomear em TODAS as posições estratégicas. Quando os legisladores definiram isso (ou seja, é uma ação legal) sabiam da importância de ter nos postos chaves pessoas competentes e de confiança. É claro que podem haver bons funcionários públicos, mas ter a mesma visão de gestão é fundamental e você sabe Laís, que se entrarmos em detalhes isso é bem complicado. Termino dando os parabéns pelo conteúdo e concordando que o prefeito tem muito potencial…tem muita vontade e que com boa assessoria vai longe.

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    • 9 de fevereiro de 2021 em 22:32
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      Um dos melhores comentários que já li nesse site. Seja lá quem for merece meu respeito e atenção. Comente mais.

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  • 8 de fevereiro de 2021 em 19:28
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    não o conheço, mas dizem que o ex-diretor da EMOP na última administração é exatamente o que a Laiz escreveu.

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  • 8 de fevereiro de 2021 em 09:50
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    Parabéns Lais pela aula ! quem quer governar uma cidade deve ter pelo menos um minimo de conhecimento de gestão e politica, outra coisa é ter empatia e humanidade com as pessoas que trabalham com eles. O resto é POLITICAGEM ou velha politica com cara nova REDE SOCIAL.

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  • 8 de fevereiro de 2021 em 09:32
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    Concordo que gestão de choque é muito mais complexa, do que estão tentando em nossa cidade.
    Infelizmente os atuais comissionados que foram priveligiados por slguns servidores , está comprovado que ter conchecimento não é tudo porque gestão de pessoas é diplomático e que nenhum até agora foram aprovados pelos colegas servidores de carreira.

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Comentários

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