Diocese de Divinópolis determina que cada padre decidirá sobre o retorno das Igrejas


Após três meses de completo fechamento das Igrejas e suspensão da atividade litúrgica das 25 cidades que compõem a diocese de Divinópolis, o Bispo Dom José Carlos determinou que cada sacerdote na sua paróquia, em diálogo com as autoridades sanitárias do município, decidirá sobre o retorno gradativo e possível das celebrações nas Igrejas.

Em Divinópolis, as paróquias e atividades religiosas católicas reabrem nesta sexta-feira 26, após decreto municipal que permite a realização de celebrações de sexta a domingo, com, no máximo, 100 pessoas.

De acordo com a deliberação da diocese, as cidades que têm mais de uma paróquia, a decisão deve ser tomada em comum acordo entre os párocos, para evitar confronto e deslocamento de pessoas de uma paróquia a outra.

Os padres também devem se atentar às situações de agravamento do quadro de contágio que obriguem a novo fechamento, mesmo que as autoridades municipais insistam em continuar. “Temo pelo aumento dos casos, como aconteceu em lugares onde as celebrações foram liberadas e tiveram que ser suspensas novamente. Mas, com temor, decidimos experimentar aqui a reabertura possível e permitida. Contudo, não nos esqueçamos de que nosso compromisso com a vida deve ter primazia maior do que aquela dada pelas políticas e agentes públicos”, explica em trecho Dom José Carlos.

Para o Bispo, o retorno das igrejas deve se ater a todas e a cada uma das exigências sanitárias que o momento exige e que os decretos municipais estabelecem, com cada pároco se tornando responsável pela seriedade e firmeza na aplicação das medidas de proteção dos fiéis na sua paróquia.

“Penso que não haverá um retorno às celebrações ordinárias a pleno público nas Igrejas ainda por um bom tempo. Mas temos que retornar aos poucos. O tempo de fechamento já se estende por demais, mas agora sabemos que há uma pandemia, que ela mata e quais cuidados devemos tomar para evitar o contágio. Agradeço ainda uma vez a presença criativa e fecunda de cada sacerdote na sua paróquia e insisto na volta e na regularidade do atendimento de cada um nas suas comunidades, com as devidas precauções e cautelas, bem como no atendimento emergencial aos doentes e idosos, se solicitados para Confissão domiciliar ou hospitalar e Unção dos Enfermos”, reforça Dom José Carlos.

A diocese ainda deliberou novas diretrizes para as cidades onde houve permissão para a atividade religiosa, frisando as restrições e proibições que cada município impôs sobre o seguimento. Confira:

1 – A orientação primária é: FIQUE EM CASA! A flexibilização dos vários segmentos não significa fim da pandemia ou pleno relaxamento do cuidado e da prevenção. Estamos ainda em movimento de crescimento do contágio e das mortes. O mais seguro e mais sensato é evitar toda e qualquer aglomeração de pessoas.

2 – Nos municípios onde haja permissão para o retorno da atividade religiosa litúrgica (Eucaristia e Palavra), que ela retorne, nas condições, restrições e proporções em que foi estabelecida pelas autoridades municipais.

3- Não se extrapole, sob nenhum pretexto, o número de pessoas e o tempo permitidos para cada celebração.

4- Que as celebrações se multipliquem, se necessário; assim mais pessoas poderão participar.

5- Que não se retomem ainda as celebrações presenciais diárias (apenas alguns dias, se permitidos), mas dê-se maior atenção e se multipliquem as celebrações da liturgia dominical (sábado, à tarde, e domingo).

6- Que haja o uso dos produtos e medidas de proteção e higienização (álcool em gel, máscara, limpeza periódica dos ambientes), delimitações de distância e cuidadosa precaução com o toque (evitar abraço da paz, não dar as mãos, comunhão somente na mão, sem exceções). Quem não se dispuser a utilizar-se destes recursos de proteção não deve participar das celebrações ainda. Aguarde o tempo em que isso não será mais necessário.

7- Que cada paróquia encontre formas de convidar os participantes a cada celebração, zelando pelo bem e pela saúde de todos, não permitindo presença constante de alguns e impossibilidade para outros que também estejam em condições e queiram participar.

8- O número permitido de participantes às celebrações da Eucaristia e da Palavra pode ser considerado também, caso aconteçam, para as celebrações de Batismo e Matrimônio.

9- A retomada das atividades religiosas refere-se tão somente a celebrações litúrgicas, não de reuniões, encontros, catequese e outras atividades.

10- Haja a suspensão imediata de todas as atividades litúrgicas se assim determinarem as autoridades municipais, por possível agravamento da situação da pandemia.

11- Cada sacerdote deixe claro aos fiéis que tomam parte nas celebrações dos possíveis riscos de contaminação, eximindo assim qualquer responsabilidade da parte da Igreja. Em alguns lugares, há um termo de responsabilidade que o fiel deve assinar, a pedido dos comitês municipais de enfrentamento da pandemia. Assim teremos como avisar aos que estavam naquela celebração sobre sintomas que aparecerem proximamente em alguém que participou dela, exigindo assim a atenção dos demais presentes.

12- Verificar em cada município e paróquia a possibilidade de se levar a Sagrada Comunhão aos doentes e idosos em casa ou nos centros de saúde e aos que cuidam deles, garantindo-se ao Ministro Extraordinário da Sagrada Comunhão Eucarística todas as condições e precauções necessárias ao desempenho desta missão. Não antes de um pedido e consentimento das famílias ou cuidadores destes doentes e idosos.

13- Sigam-se atentamente as orientações da CNBB para as celebrações comunitárias no contexto da pandemia, emanadas pela Comissão Episcopal Pastoral para a Liturgia, em 21 de maio de 2020.

14- As cidades e paróquias que não podem ainda retomar as atividades religiosas, aguardem que esta determinação seja dada pelos municípios. A decisão primária nesta matéria não é do Bispo Diocesano, mas das autoridades sanitárias. Não optaremos pela desobediência nem por posturas de risco à saúde pública. Os sacerdotes desaconselhem os deslocamentos de pessoas para participar de celebrações em outras paróquias ou cidades.

15- As celebrações online continuem para atender aos fiéis que não possam ou não queiram ainda participar das celebrações presenciais permitidas.

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