Governador Zema diz que jeito desconfiado e medroso do mineiro é uma das causas do sucesso do isolamento social


O segundo estado mais populoso do país, Minas Gerais tem chamado a atenção pelos baixos números de casos e mortes provocadas pelo novo coronavírus. O estado ocupa hoje o 11º lugar entre os que registram problemas com a doença. Os bons números, porém, são explicados, em parte, pela subnotificação. Minas é o segundo estado com a menor taxa de testagens do país. Contudo, o Governador Romeu Zema atribui que o isolamento social está dando certo no Estado pelo jeito do mineiro ser, “o mineiro é mais desconfiado, mais cuidadoso, talvez um pouco até mais medroso, e isso levou essas recomendações muito mais a sério”  

Um estudo concluído esta semana pelos professores Leonardo Costa Ribeiro, do departamento de ciências econômicas da Universidade Federal de Minas Gerais, e Américo Tristão Bernardes, do departamento de física da Universidade Federal de Ouro Preto, aponta que a subnotificação em Minas é quatro vezes maior do que a média nacional. O estado é o que apresenta o segundo maior índice de casos não contabilizados, atrás apenas do Mato Grosso do Sul.

Os pesquisadores destacam na pesquisa que Minas realiza apenas 476 testes por milhão de habitantes, enquanto Distrito Federal e Amazonas, por exemplo, realizaram cerca de 1.600. “Minas Gerais está bem abaixo da faixa de testagem do Brasil, que já é bem abaixo daquela de outros países com grande quantitativo de casos confirmados”, assinalam.

Para calcular o tamanho da subnotificação, os professores fizeram uma comparação entre a média de internações por síndrome respiratória aguda grave (SRAG) registrada entre 2012 e 2019 e as ocorridas este ano. Em 2020, Minas é o terceiro estado do país com mais internações por essa causa, atrás apenas de São Paulo e Rio. “Consideramos que a combinação de alto número de hospitalizações por SRAG com baixos números de testes e casos confirmados seja um indício de que ocorra grande subnotificação dos casos confirmados”, dizem.

Pelos dados tabulados, concluíram que para se chegar ao número real de pessoas infectadas no Brasil seria necessário multiplicar o número oficial por 3,8. Em Minas, a multiplicação seria por 16,5, o que elevaria os 3.950 casos registrados na última quinta-feira para mais de 65 mil. Em São Paulo, se fosse computada a subnotificação detectada no estudo, os 54.286 casos passariam para cerca de 130 mil. No Rio, elevação seria de 19.467 também para pouco mais de 65 mil.

– Na região Sudeste, em São Paulo, Rio e Espírito Santo, a taxa é de mais ou menos 100 infectados por grupo de 100 mil habitantes. Em Minas, está entre 15 e 16. É muita diferença. Um argumento é que Minas adotou medidas de isolamento. Mas minha avaliação é que não há como explicar um diferença tão grande por conta   de isolamento – afirma Bernardes.

Professor da Faculdade de Medicina da Universidade Federal de Uberlândia, Nilton Pereira Junior, que tem se dedicado a estudar o comportamento do coronavírus, acredita que os números de Minas são resultado da combinação entre subnotificação e as medidas de restrição adotadas.

– São dois fatores, um é questão da subinformação, do ponto de vistas dos dados não estarem aparecendo adequadamente por causa da falta de testes, mas é óbvio que as grandes cidades de Minas, por iniciativa dos próprios municípios, tomaram a decisão de implementar o distanciamento social no momento adequado, quando alguns diziam até que era precoce – analisa o professor.

O governador Romeu Zema reconhece a subnotificação, mas descarta que ela seja maior do que a média nacional. Diz que a baixa ocupação de leitos de UTI destinado a pacientes com coronavírus prova isso. O índice do estado é de apenas 6%. Em São Paulo, o número está em  69% e o Rio, é superior a 80%. Zema garante que não há fila para testes no estado e que todas as pessoas hoje que procuram as unidades de saúde com sintomas fazem os exames.

– Se Minas está tendo subnotificação, o que estamos acompanhando é que o estado está numa situação de segurança e os hospitais são um reflexo disso.

O governador também avalia que os baixos índices de casos em Minas são resultado de uma combinação de fatores. O primeiro deles foi a adoção das medidas de isolamento no dia 20 de março, quando a doença começava a se alastrar nas duas principais metrópoles do país, São Paulo e Rio, mas não havia chegado às demais regiões.

– Proporcionalmente a nossa antecedência foi como se Rio e São Paulo tivessem adotados as medidas de isolamento oito ou dez dias antes. Isso fez uma diferença muito grande.

O governador também entende que o jeito do povo mineiro contribuiu.

– O mineiro é mais desconfiado, mais cuidados, talvez um pouco até mais medroso, e levou essas recomendações muito mais a sério.

O governador Romeu Zema reconhece a subnotificação, mas descarta que ela seja maior do que a média nacional. Diz que a baixa ocupação de leitos de UTI destinado a pacientes com coronavírus prova isso. O índice do estado é de apenas 6%. Em São Paulo, o número está em  69% e o Rio, é superior a 80%. Zema garante que não há fila para testes no estado e que todas as pessoas hoje que procuram as unidades de saúde com sintomas fazem os exames.

– Se Minas está tendo subnotificação, o que estamos acompanhando é que o estado está numa situação de segurança e os hospitais são um reflexo disso.

O governador também avalia que os baixos índices de casos em Minas são resultado de uma combinação de fatores. O primeiro deles foi a adoção das medidas de isolamento no dia 20 de março, quando a doença começava a se alastrar nas duas principais metrópoles do país, São Paulo e Rio, mas não havia chegado às demais regiões .

– Proporcionalmente a nossa antecedência foi como se Rio e São Paulo tivessem adotados as medidas de isolamento oito ou dez dias antes. Isso fez uma diferença muito grande.

O governador também entende que o jeito do povo mineiro contribuiu.

– O mineiro é mais desconfiado, mais cuidados, talvez um pouco até mais medroso, e levou essas recomendação muito mais a sério.

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