Secretário de Saúde de Divinópolis afirma que decisões sobre covid-19 são tomadas “sem interface política”

Publicado por: Redação

O secretário de Saúde, Amarildo Sousa, concedeu uma entrevista ao DiviNews e esclareceu polêmicas em torno de suas decisões e como a Secretaria enfrenta uma pandemia com a pressão dos empresários do comércio, algumas politicagens internas e as subnotificações que podem elevar consideravelmente o número de casos do Covid-19 na cidade –  Amarildo garante que o decreto de reabertura do comércio pode ser alterado com aumento de casos, se a ocupação dos leitos chegar a 70%.

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DIVINEWS: A flexibilização do comércio ocorreu no dia 27 de abril. E é notório um fluxo grande de pessoas nas vias e aglomerações em alguns locais além de pessoas sem o uso das máscaras. Os agentes estão dando conta da fiscalização? Como a Secretaria de Saúde avalia isso?

Amarildo: Constatamos que houve um aumento de (cerca de) 30% nos movimentos das vias urbanas durante o horário de comércio e isso também trouxe uma elevação na circulação de pessoas nas linhas de ônibus. Então, nosso objetivo, junto a Secretaria de Trânsito, é aumentar os horários dessas linhas, em dialogo com as empresas responsáveis, que já promovem a higienização e pede as pessoas que entrem com máscaras nos veículos. Além disso, recebemos o reforço de agentes de trânsito que estão sendo treinados pela secretaria de saúde para atuarem na vigilância sanitária e também fiscais de posturas, dobrando o pessoal para podermos acompanhar tanto as pessoas que estão circulando pelas ruas quanto o comércio, para que cada segmento abra no dia que o decreto prevê.

DIVINEWS: Assim como o Brasil, Divinópolis está com ascendência de casos. E, nas próximas semanas é esperado que o número aumente consideravelmente. Será feito alguma coisa?

Amarildo: Sim, nós estamos atentos e caso nós precisarmos readequar nosso decreto, nossas normativas, isso será feito, tudo centro do contexto do comportamento da epidemia no município. Então, se percebermos um aumento desenfreado dos números de casos, faremos sim, uma adequação.

DIVINEWS: O senhor e toda sua equipe está agindo tecnicamente com o foco na saúde, nos riscos de contágio. Porém, temos notícias de que alguns membros do Governo agem de forma política com pressão sobre o corpo técnico. Se der errado e os casos aumentarem, o senhor pagará essa fatura sozinho ou vai dividir com quem o pressiona, dando nome aos bois?

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Amarildo: Todas as nossas decisões foram tomadas dentro de um grupo e também foram ouvidos um corpo técnico e o comitê. Não houve só uma interface política para essa decisão, eu não estou sozinho, todos dessa administração estão juntos e nossas atitudes serão avaliadas ao final. Não é preciso que a gente aponte (o dedo) em ninguém porque somos um grupo coeso e dentro da administração.

DIVINEWS: As mortes por Síndrome Respiratória indicam subnotificação da Covid-19. Isso mascara a real causa da morte ser pelo vírus? Há como ter uma estimativa real de quantas pessoas estão morrendo por causa do coronavírus?

Amarildo: Nós fazemos o acompanhamento, através da Vigilância Sanitária, de todas as Síndromes Respiratórias Agudas e todas as mortes causadas por essa síndrome no município. Isso acontece todos os meses, então, ao final de cada mês, nós apuramos os números de notificações de agravos por síndrome respiratória aguda e também o número de mortes. Já é notório um aumento significativo em cada mês, relacionados à síndrome, e não há outra forma de relação a não ser pela pandemia, pois se há um aumento como estamos observando, em relação ao mesmo período dos outros anos, o fator preponderante será sim, o coronavírus.

DIVINEWS: Secretário, não é possível ter os números exatos de casos também porque muitos médicos não realizam essa subnotificação, certo? Como colocar em número exatos a porcentagem de pessoas infectadas no município?

Amarildo: A subnotificação é um fenômeno que ocorre na saúde do Brasil como um todo, não é exclusivo da época da pandemia, nós temos esse problema instaurado desde a existência do sistema de saúde.  Isso acontece da seguinte forma: quando um profissional de saúde faz um atendimento, seja de qualquer doença, de Covid ou H1N1, por exemplo, ele é obrigado por lei a notificar a secretaria, no setor de epidemiologia. Nós sabemos que muitos profissionais não cumprem essa parte, prestam apenas o trabalho assistencial e esquece um pouco essa parte burocrática, que tem uma importância no sentido de balizar as ações que a secretaria de saúde vai fazer.

Ou seja, se 10 pessoas chegam com sintoma de Covid, o profissional, em tese, teria que notificar os 10 pacientes, contudo, isso muitas vezes não ocorre e nós só descobrimos no final, quando o paciente ou fica grave, ou precisa ir a uma instituição hospitalar. Então, isso só pode ser mensurado ao final, em que iremos comparar os números de notificação com os números de pessoas adoecidas. Na cidade, nós temos feito um trabalho de conscientização para que os profissionais façam as notificações de todas as doenças, mas é uma coisa que é impossível colocar em números exatos.

 

Por: Luisa Henriques (Divinews)

 

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  1. Jean disse:

    Há uma demora nas divulgações dos casos?tem aumento nas notificações,e os casos descartados e confirmados nao chega a 500,tem que fazer os textes rapidos,pra saber o numeros reais

  2. Paulo Cesar disse:

    QUEM DISSE QUE DIVINÓPOLIS TEM UM INSTITUTO MEDICO LEGAL(IML)DECENTE???FALTAM PROFISSIONAS DE TODAS AS ÁREAS:MEDICOS LEGISTAS,AUXILIARES DE NECROPSIA,MOTORISATA E VEÍCULOS FUNERÁRIOS PARA TRANSPORTE DOS CORPOS!!!ALÉM DISSO FALTAM INSUMOS BÁSICOS, EQUIPAMENTOS DE PROTEÇÃO INDIVIDUAL (EPI).É COMUM OS RESULTADOS DE NECROPSIA VIREM COM MORTE INDETERMINADA NOS ATESTADOS DE ÓBITO !!!POR OUTRO LADO HÁ INGERÊNCIA POLÍTICA POIS COLOCAM MORTES POR COVID19 NESSA CONTA PRA INFLUENCIAR OS ÍNDICES DE PANDEMIA NA CIDADE!!!

  3. angela maria disse:

    para saber se a pessoa morreu de síndrome respiratória aguda ou coronavírus, é só fazer uma autópsia bem feita, tá difícil?

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