Presidente da Unimed Divinópolis, Evangelista José Miguel emite cartilha da COVID-19


O médico e presidente da Unimed Divinópolis, Dr. Evangelista em um artigo publicado avalia que os conhecimentos sobre a Covid-19 a cada dia são ampliados e sobre o tema ele discorreu em sua cartilha

Vírus são estruturas microscópicas menores que um milímetro dividido por um milhão, pouco mais que moléculas, não tem mobilidade própria. Espalham-se passivamente pelos líquidos orgânicos e se procriam no interior das células vegetais ou animais. Se transmitem de uns para outros por contato direto ou indireto através de vetores, ou por secreções como saliva, escarros, micropartículas respiratórias. Devido ao grande interesse ao COVID-19, estudos, estatísticas e observações mais atentas estão acontecendo em todo o mundo e aprimorando alguns conceitos: 

“Vírus respiratórios se transmitem principalmente ao se falar ou respirar próximos uns dos outros.”

Este conceito é corroborado pelas filmagens das micropartículas respiratórias, a ampla disseminação em locais fechados como templos, aviões, navios. A disseminação muito rápida e extensa em aglomerações, estádios de futebol, comícios, reuniões fechadas. 

“O uso de máscaras pode reduzir muito a disseminação rápida dos vírus respiratórios” (rinovírus da coriza, o mixovírus influenza da gripe, covid-19 da pneumonia). Após a teoria das micropartículas suspensas no ar, sem ação da lei da gravidade, vários se despertaram para o uso de máscaras e demonstraram que essa prática é muito eficaz em retardar a velocidade de disseminação dos vírus respiratórios! 

A mortalidade populacional é menor que 1/1000 habitantes no pior cenário possível.” Um vírus respiratório pode alcançar até 60/70% de uma população num ciclo de 01-02 anos conforme amostragens. Tem pico de maior exposição em um período de 03-04 meses. Manifesta infecção mais grave na população com diabetes, hipertensão arterial, câncer, obesidade, outras doenças crônicas e idosos! 99,9% da população fica ilesa mesmo no pior cenário. Menos de 0,1% vai ter infecção grave!

Até agora os piores cenários “de mortalidade populacional” estão entre 1/2000 e 1/3000 habitantes. Tem regiões que a mortalidade populacional poderá ser 1/30.000 – 1/50.000 ou menos dependendo de fatores como índice de aglomerações, idade populacional, clima, poluição, habitacionais, étnicas, nutricionais, etc. Não podemos confundir o conceito de mortalidade dos sintomáticos fortes com “mortalidade populacional.” 

“O principal sintoma do Covid-19 é a febre”, seguido da tosse seca, fraqueza (astenia), falta de ar (dispneia), com período de incubação entre 02 a 14 dias antes de aparecerem os sintomas. O teste PCR (polimerase chain reaction) se torna positivo até 14 dias, e a dosagem de IGG/IGM (teste rápido) se torna positivo após 07 dias. 

“Hospitais públicos devem ser melhor distribuídos e aparelhados, no mundo inteiro, valorizando-se os profissionais da saúde!”

Vacinas demoram. Medicamentos em pandemia devem ser experimentados sem muito protocolo e um pouco mais no início. 

“O isolamento social é a prevenção mais eficaz.”

A transmissão viral era conceituada como sendo principalmente através de gotículas de tosse ou espirro e contato com indivíduo contaminado ou superfícies contaminadas. Tais contaminações são óbvias. Entretanto parecem não explicar, matematicamente, a velocidade de disseminação instantânea e múltipla em ambientes fechados como aviões, reuniões, cultos religiosos, festas, eventos. Esta virose, em pandemia, suscitou muitos estudos e novas teorias foram buscar este teorema matemático. Recentemente foram demonstradas a difusão de micropartículas no ar (não recebem a força da gravidade assim como outras moléculas, como o vapor de água, CO₂, H₂S, etc) e são levados embora, facilmente, por corrente de ar. Estas evidências inferem que a respiração deve ser a principal via de contaminação (respirando-se o mesmo ar do infectado). Assim sendo, os principais meio de prevenção seriam: 1) Isolamento, 2) O distanciamento social nas ruas e no trabalho. 3) Uso de máscaras, 4) Os cuidados próprios de higiene e antissepsia e 5) Ventilação e higienização dos ambientes de reuniões e trabalho. O distanciamento social nas ruas ou no trabalho deve ser 02 metros ou mais. Ao atender ou conversar com uma pessoa na rua ou no trabalho ambos os interlocutores deveriam portar máscaras para evitar que micropartículas de sua respiração alcance o outro. Micropartículas da respiração podem ocupar uma sala fechada em poucos minutos. Não ocupam uma sala bem ventilada. Com o passar dos meses a população vai ficando imune e como o tempo de incubação é em média 05 dias a disseminação acaba reduzindo rapidamente no final. Se todo mundo ficasse isolado 14 dias provavelmente a epidemia acabaria neste tempo!

O isolamento e o distanciamento social são as armas mais efetivas. Evitar aglomerações e ambientes fechados respirando-se o mesmo ar que o infectado. As autoridades devem ficar atentas com a indisciplina da população, fazer campanhas educativas para esclarecimentos adequados e informações. O uso de máscaras deve, obrigatoriamente, acompanhar a flexibilização de serviços essenciais. Torna-se importantíssimo um cidadão atender ou aproximar-se de outro portando máscara, e usa-las em todas as operações produtivas no comércio, serviços ou indústrias. Usar máscara em lugares públicos ou no trabalho é um respeito ao próximo e a si próprio. Em tempos de pandemia deveria ser imposto por Decreto.

Os cuidados próprios seriam antissepsia do ambiente com água sanitária diluída em três partes d’agua. Higiene com água e sabão das mãos, rosto e nariz frequentemente. Higiene oral e escovação dos dentes. Banhos quentes com água e sabão. Colocar as roupas para lavar diariamente. 

“Cuidados pessoais com a saúde melhora a imunidade:” Procurar ter alimentação equilibrada com proteínas, verduras, frutas cítricas, polivitamínicos. Tomar banho de sol (vitamina D), ter sono adequado, atividades físicas não extenuantes. Tomar banho quente com bastante água e sabão. Escovar dentes e usar fio dental, antissépticos bucais. Evitar resfriados, bebidas geladas, ambientes gelados. Tomar vacinas públicas. Evitar açúcar, gorduras saturadas, álcool. 

“Índice de aglomerações e exposições:” Podemos identificar aglomerações muito frequentes e cotidianas em diferentes graus considerando todo o território nacional. Quanto maior a complexidade urbana e maior o número de habitantes maior o índice de aglomerações e exposições. Os principais locais de aglomerações são estádios esportivos, shows, palestras, metrôs, transportes coletivos, rodoviárias, aeroportos, edifícios residenciais e comerciais, shoppings, escolas, igrejas, restaurantes, academias, locais com filas, bancos, clubes esportivos, favelas, asilos, praias, pontos turísticos, supermercados, feiras, praças, fábricas, comércios, hospitais, clínicas, unidades de pronto atendimentos, ruas ou praças com muito fluxo de pessoas. Cada cidade brasileira tem índices de aglomerações bem diferentes umas das outras que poderíamos classificar de 1 a 100%. Ex.: São Paulo/RJ/BH/Salvador/Recife/Fortaleza – 100%; Ribeirão Preto/Juiz de Fora/Uberlândia – 50%; Divinópolis/Uberaba – 40%; Itaúna/Pará de Minas – 30%; Carmo do Cajuru/Cláudio – 10%.

“Por isso o isolamento social deve considerar três aspectos: índice de aglomerações, efeito na cadeia produtiva e seu impacto econômico, mortalidade comprovada, capacidade hospitalar instalada e população referenciada a cada cidade.” 

“Mortalidade Comprovada:” “É o dado mais correto da epidemia para planejamento das secretarias de saúde.”

Outros dados como “teste em massa,” número de casos confirmados, número de casos recuperados, são muito variáveis. Por exemplo, em um determinado momento os testes são positivos em até 0,1% da população inteira. Um indivíduo negativado deveria ficar repetindo? E os recuperados não diagnosticados que são inúmeros? A mortalidade mostra o real efeito em cada localidade de forma mais confiável. Testes aleatórios, só ajudam para amostragem, igual boca de urna, concluindo-se qual o percentual está contaminado ou curado em determinado momento! 

“A mortalidade populacional por uma catástrofe econômica seria 10 vezes maior que a mortalidade do Covid-19 em seu ciclo de 01-02 anos:” Em termos de mortalidade temos que considerar que a “mortalidade populacional é aquela observada em toda a população em um ano, e a “mortalidade individual” é aquela observada no indivíduo exposto a um evento particular (ex. cirurgia bariátrica, cirurgia plástica, tabagismo, uso de drogas, automedicações, acidente de trabalho, trabalho militar, determinadas infecções, etc.). Podemos também analisar a mortalidade populacional conforme suas causas internas e externas.

Causas Internas ou Individuais:

IAM (Infarto Agudo do Miocárdio) – 200 mil/ano

AVC (Acidente Vascular Cerebral) – 200 mil/ano

Câncer – 160 mil/ano

Doenças crônicas – 140 mil/ano

(Diabetes, reumatismos, insuficiência renal, etc)

Causas Externas ou Coletivas (Culturais, Sociais, Trabalhistas):

Acidentes de trânsito – 55 mil/ano

Assassinatos – 45 mil/ano

Infecções diversas (pneumonia, rins, apendicite, sarampo, dengue, aborto, parto) – 30 mil/ano

Gripe – 10 mil/ano

Acidente de trabalho – 6 mil/ano

Suicídios, automedicação, iatrogenia, uso de drogas, cigarros, álcool – 30 mil/ano

Fome – 10 mil/ano

Exposição a eventos: cirurgia bariátrica 0,2%, cirurgia plástica 0,1%, trabalho policial 0,1%, catástrofes/afogamentos/enchentes/frio/calor, etc.

Todas essas causas, internas e externas, estão diretamente relacionadas às condições de vida e saúde, alimentação, moradia, acesso à medicina, educação, saneamento, organização social e infraestrutura. Podemos inferir que para cada 2% de redução no PIB estas mortalidade crescem 10%. Este crescimento pode ser 05 a 10 vezes maior que a mortalidade por Covid-19! 

“O isolamento social deve ser planejado por cidade:” A recessão econômica, obviamente vai produzir muito mais mortes que a pandemia Covid-19 em piores cenários. Além das ciências médicas tem-se que observar as ciências sociais, as ciências econômicas, as cadeias produtivas como meio de subsistência e sobrevivência, o IDH, a mortalidade infantil, a fome, o desemprego, a falta de assistência médica, sanitária. Os governantes ficam com a difícil tarefa da tomada de decisão que vai ficando mais evidente quando as análises, as contas vão sendo feitas. Para planejar o grau de isolamento o gestor deveria considerar: 1) A mortalidade local do Covid-19 que é dado mais efetivo, 2) O índice de aglomerações na cidade baseado nos fatores que citamos (população, urbanismos, etc), 3) Densidade populacional, sazonalidade, recursos médicos/hospitalares (planejar números de leitos e equipamentos necessários), 4) Decretar regras sanitárias: distanciamento de 02 metros; uso de máscaras em locais públicos e trabalho; ambiente higienizados e com ventilação adequada.

Uma metrópole com mais de 2-3 milhões de habitantes, índice 100% de aglomerações, teria 0,1% de habitantes com infecções e 0,05% necessitaria de leitos hospitalares de unidades semi-intensivas e intensivas, metade disso 0,025% havendo isolamento parcial/planejado! Cidades menores necessitariam esta metade mesmo sem isolamento, mas com cuidados sanitários (distanciamento, máscaras, higienizações). Temos cidades na região com mais de 30 mil habitantes, ainda sem nenhum diagnóstico de Covid-19!

“Muitas variáveis podem influenciar estas projeções e devem ser levantadas e acompanhadas diariamente,” mas pode se ter uma boa margem de segurança para cálculo de isolamento social a ser feita e o número de leitos e respiradores hospitalares se observados estes conceitos acima!

“Observações dos médicos intensivistas no tratamento do Covid-19 por medicamentos em estudos:” Alguns medicamentos vem sendo indicados em fases cada vez mais precoce, à observar. Anti-inflamatórios estão controversos. Há relatos pessoais de médicos intensivistas alegando possibilidades de eficácia no uso de corticoides, assim como uso de anticoagulantes, plasma e medicamentos. Os resultados devem ser breves pelo grande número de estudos. Para casos gravíssimos com SARS (Síndrome da Angústia Respiratória) são necessários cuidados intensivos e respiradores para tratamento de suporte. Nestes casos as medicações ainda não comprovaram eficácia (aguardando comprovações). Quando o tempo é curto as observações e intuições dos médicos intensivistas devem ser consideradas! Avaliar eficácia de medicamentos em fases muito precoces é difícil porque a maioria dos pacientes melhora espontaneamente.

 

Evangelista J. Miguel

Médico Intensivista graduado na UFMG

Presidente da Unimed Divinópolis – MG

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

3 comentários em “Presidente da Unimed Divinópolis, Evangelista José Miguel emite cartilha da COVID-19

  • 2 de maio de 2020 em 12:10
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    Parabéns drº Evangelista, ótima e esclarecedoras informações.

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  • 2 de maio de 2020 em 12:04
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    Parabéns sr. Evangelista sua cartilha serve para entender muito bem o Covid 19 e outros vírus. Devemos ter nosso cuidado, fazer nossa parte o vírus não é letal como nossa mídia fica colocando e abastecendo toda hora. Difícil é a maioria da população entender.
    Está crise infelizmente no Brasil está sendo.politica e não de saúde.
    Para entender melhor.liga na Globo. Faça uma pesquisa no mundo e.veja qual país está pedindo impeachment do seu presidente?os políticos e mídia estão preocupados com eles mesmo e não com vírus.

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  • 2 de maio de 2020 em 07:48
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    Parabéns Dr Evangelista : claro , objetivo e embasado , desmistificando análises estatísticas e comparações errôneas que geram pânico e desinformam em detrimento de informações baseadas em evidencias como o sr expos .
    Esta cartilha deveria ser amplamente divulgada e distribuída a todos .

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