Ministro prevê colapso da saúde em abril, maio e junho; defende segurar movimentação das pessoas nas ruas para frear transmissão


O ministro da Saúde, Mandetta, afirmou nesta sexta-feira (20), após ter declarado que prevê um colapso do novo coronavirus nos hospitais a partir do meio do mês de abril, continuando sua subida em maio e junho, só em setembro, a curva de transmissão apresentará uma “queda profunda”. A declaração foi dada pelo ministro durante uma videoconferência do presidente Jair Bolsonaro com empresários.

“No mundo ocidental, onde as informações são mais fidedignas […], fica caracterizado que o vírus tem um padrão de transmissão, [que] ele é muito competente”, declarou o ministro.

“São Paulo está fazendo o início do seu redemoinho [de transmissão]. A gente imagina que ela vai pegar velocidade e subir nas próximas semanas, 10 dias. A gente deve entrar em abril e iniciar a subida rápida, isso vai durar os meses de abril, maio, junho, quando ela vai começar a ter uma tendência de desaceleração. O mês de julho deve começar o platô. Em agosto o platô vai começar a mostrar tendência de queda e aí a queda em setembro é profunda, tal qual a de março na China”, concluiu.

Ainda segundo o ministro, pelas projeções atuais o sistema brasileiro de saúde entraria em colapso no próximo mês.

“Temos um sistema de saúde presente. Conseguimos amenizar o atendimento, temos um tempo para ganhar. Temos aí 30 dias para que a gente resista razoavelmente bem, com muitos casos, dependendo da dinâmica da sociedade. Mas claramente em final de abril nosso sistema entra em colapso.”

Para evitar isso, continuou o ministro, o governo pode ser obrigado a “segurar a movimentação” de pessoas para tentar diminuir a velocidade da transmissão.

“O que é um colapso? Às vezes as pessoas confundem colapso com sistemas caóticos, críticos, onde você vê aquelas cenas, pessoas nas macas. O colapso é quando você pode ter o dinheiro, pode ter o plano de saúde, pode ter a ordem judicial, mas simplesmente não há o sistema para você entrar.” Segundo Mandetta, é este o cenário que a Itália está vivendo hoje. Ele destacou que se trata de um país de primeiro mundo. “Não tem onde entrar [no sistema de saúde].”

 

Comentários

O seu endereço de e-mail não será publicado.

72  +    =  74