| JOTHA LEE |
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A ferrenha convicção que o vereador e prefeito eleito Vladimir Azevedo (PSDB) teve durante a discussão do famoso projeto de terceirização do tratamento do esgoto, apresentado por Demetrius Pereira, já não é a mesma. Em entrevista à repórter Daiane Jardim, da TV Candidés, na semana passada, o prefeito eleito já se mostrou menos radical e admitiu a possibilidade de “terceirizar” o tratamento do esgoto da cidade.
A entrevista, que foi ao ar no Jornal Candidés, é um claro sintoma de que Vladimir Azevedo já está mudando o tom de seu discurso. Em recente coluna, afirmei que o prefeito eleito deveria ser coerente com seu discurso sob o risco de ver sua carreira e a confiança do povo em seu governo abaladas. Na entrevista, ao ser questionado pela repórter sobre o que fazer para salvar o rio, Vladimir afirmou: “se for para municipalizar ou terceirizar o tratamento do esgoto isso será feito em um longo debate com a população”.
O que preocupa é que durante a discussão do projeto apresentado à Câmara por Demetrius propondo o repasse do tratamento do esgoto para a Copasa, Vladimir não admitiu, em nenhum momento, que se falasse em terceirizar o serviço. A exemplo dos opositores ao projeto, ele fez discursos duros, espinafrou o atual prefeito Demetrius Pereira pela iniciativa, levantou acusações graves e foi, ao lado da bancada oposicionista ao atual governo, voz forte e tronitoante contra uma possível terceirização.
Agora, prestes a assumir a prefeitura, já entra no seu discurso a palavra “terceirizar”, hipótese que ele jamais admitiu no passado. Além do mais, defendeu ferrenhamente a municipalização do serviço e, neste caso, para Vladimir “terceirizar” era palavrão. Para ser coerente, esta deveria continuar sendo a tônica do seu discurso.
O povo anda calejado com situações semelhantes. A conta, que sempre acaba brutalmente no colo do cidadão, vem sendo cobrada há tempos e sem nenhum tipo de retorno. Os impostos, pagos sabe-se lá com que sacrifício, somem nos ralos podres de administrações corruptas, sem jamais se transformar nos benefícios pelos quais são propostos. E quando um futuro administrador passa a admitir aquilo que ele mais combateu, é no mínimo, preocupante.
Logicamente que é preciso aguardar a posse de Vladimir, esperar sua proposta para salvar o Rio Itapecerica, pois algo precisa ser feito para evitar que o maior patrimônio de Divinópolis se transforme numa lixeira irrecuperável. O Rio já é uma lixeira, mas ainda tem salvação. Se Vladimir deixar o primeiro passo para o próximo prefeito, pode ser tarde demais. Portanto, é esperar para ver qual postura seu governo adotará. Entretanto, ao admitir a hipótese de terceirizar o esgoto e, caso não haja outra solução, que a sociedade participe dos debates como afirmou o próprio Vladimir, mas com poder de decisão e não apenas como coadjuvante de um enredo escrito entre quatro paredes pronto para ser discutido, mas não modificado.
Em cima da hora
É muito, muito estranho, quando autoridades, especialmente, prefeitos, tomam decisões polêmicas aos 45 minutos do segundo tempo, ou seja, no apagar das luzes de seus mandatos. Especialmente quando essas decisões são de interesses exclusivos de um ou outro segmento empresarial, que entra governo sai governo, manda soltar e manda prender como se fosse dono absoluto do pedaço.
No dia 31 de dezembro de 2004, já na prorrogação, o ex-prefeito Galileu Teixeira Machado (PMDB), em sua última canetada como chefe do Executivo, sapecou um aumento para a tarifa do transporte coletivo daqueles de fazer careca ficar de cabelo arrepiado. Foi um dos maiores da história.
Foi estranho ou não? Afinal, se havia tanta necessidade assim de um aumento, por que Galileu sairia da prefeitura queimado dando um reajuste daqueles? Não seria muito mais aconselhável deixar que o próximo prefeito se trumbicasse com o povo? Não seria o óbvio? Para Galileu não era o óbvio. Cascou o aumento sem dó nem piedade.
Mais estranho ainda é que o dublê de jornalista e advogado, Juca Mariano, cansou de escrever no falido jornal Diário do Poste, que Galileu teria levado uma propina da Trancid de nada mais nada menos R$ 500 mil para dar o reajuste. E ainda muito mais estranho foi o fato de que nem a Trancid e nem Galileu levaram Juca Mariano às barras da Justiça para ele provar o que havia escrito. Estaria o Juca com a verdade?
De novo, em cima da hora
Agora, já próximo dos 45 minutos do segundo tempo, lá vem o prefeito Demetrius Pereira apresentar um projeto de lei que determinava a retirada do itinerário dos ônibus intermunicipais e interestaduais do perímetro urbano. E quem levaria vantagem nisso? Só a Trancid, a concessionária que há anos monopoliza o transporte coletivo da cidade. A mudança, se efetivada, traria enormes prejuízos para comerciantes, principalmente os pequenos. O pobre cidadão que mora na zona rural, ao chegar a Divinópolis, se veria obrigado a pagar mais R$ 1,90 (por enquanto) para se deslocar do terminar rodoviário ao centro da cidade. Isso significaria, em um único dia, cerca de R$ 5,7 mil nos cofres da Trancid, levando-se em consideração que cerca de três mil passageiros usam o terminal rodoviário diariamente. Na fritada do mês, a empresa teria engordado sua conta bancária em torno de R$ 171 mil. (é até cômico que se tenha chegado ao número 1-7-1).
Não fosse a pressão exercida por comerciantes, população e alguns segmentos da cidade, possivelmente o projeto teria sido aprovado. Entretanto, a voz do povo foi mais forte e a Câmara, onde não tem ninguém bobo, certamente derrubaria a proposta por puro fisiologismo e não por convicção. Como Demetrius já não pode mais dar benefícios que garantam votos aos vereadores, certamente com a pressão, eles fariam essa “deselegância” ao prefeito, derrotando o projeto, mesmo muito a contragosto.
A matéria foi retirada e a população se salvou na bacia das almas de mais uma daquelas decisões em fim de mandato, cuja beneficiada seria unicamente a Trancid.
Jaiminho
O deputado Jaime Martins anda caladinho nos últimos dias. Experiente na política, o deputado federal por quatro mandatos certamente está aguardando o desenrolar da situação local para definir qual será seu rumo em 2010. Jaiminho gostaria de ser candidato ao Senado, mas parece que ele mesmo entende que a parada será muito dura. Se Jaiminho sair candidato à reeleição para a Câmara dos Deputados, certamente vai para o quinto mandato. Além de ser um sujeito trabalhador, Jaiminho é um dos grandes articulistas da atual política divinopolitana. O homem parece onipresente. Onde tem uma inauguração, um evento, uma reunião envolvendo o nome de Divinópolis, lá está ele. Isso significa bom trânsito em todas as esferas e sapiência política, que muita gente por essas bandas anda precisando aprender.





