RODEIOS correm riscos em todo pais com tantos processos movidos por ONGs de proteção animal

Publicado por: suporte

Conforme matéria da Folha, a crise chegou forte e não há grandes novidades artísticas no meio sertanejo, as ONGs de proteção animal movem cada vez mais ações contra rodeios e a fórmula, que rendeu anos de sucesso nas últimas décadas, parece estar se esgotando – As explicações para o fenômeno são variadas, mas em comum há o fato de que a maioria dos principais rodeios de São Paulo, Estado que concentra alguns dos grandes eventos do gênero, encolheu nos últimos anos – Embora digam que a Divinaexpo, é o primeiro evento do gênero, em Minas e o segundo do Brasil, o fato é que, a não cita Divinópolis neste ranking no Brasil, e sim a de Americana, Jaguariúna, Limeira e Jales, e diz que em tais cidade este anos as festas estão menores – Uma das principais do país, Americana chegou a ter 11 datas. Até por isso, já atraiu 360 mil pessoas numa só edição. Agora, caiu quase pela metade –só seis dias– e projeta público de 300 mil – Presidente do evento, Beto Lahr fala como uma das causas as atrações semelhantes –mesmos artistas em várias festas, até as pequenas. Diz que as ações judiciais de ONGs não o atrapalham, mas prejudicam a imagem do setor como um todo – “Uma festa que não tenha um departamento jurídico corre risco de chegar na hora e surgir uma liminar para cancelar.” Nos últimos seis meses, ao menos mais três rodeios foram alvo de ações no país.

EVITAR O ‘VAZIO’
Apesar do nome, a Festa do Peão de Limeira não realiza mais montarias em touros devido a uma decisão judicial que impede o uso de sedém (espécie de cinto amarrado na virilha dos bois).
O evento já teve oito datas, com público de 160 mil, mas agora serão cinco. Marcelo Coghi, presidente da festa, conta que, se atingir 80 mil na edição deste ano, ele estará “extremamente feliz”.
“Todas as festas têm reduzido o tamanho da arena. Isso já começou em 2015, ficou evidente. A ideia é não dar sensação de vazia.”

Já a festa de Jaguariúna, que chegou a ter 11 dias, terá só quatro em setembro deste ano. Lá, a premiação ao campeão de montarias em touro caiu também: já foi R$ 450 mil e, em 2015, R$ 100 mil.
Em Jales, outra tradicional, foram cinco noites neste ano, ante as nove até 2014.
Para especialistas, as festas podem ter se tornado vítimas de um “esgotamento de fórmula”, que tem usado criações artísticas artificiais.

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“O setor trabalha com algumas fórmulas para forjar um mercado em torno da cultura sertaneja pop. E elas naturalmente se esgotaram por não haver uma tradição cultural associada. Não é o caso de um Tonico & Tinoco, que atravessam décadas com suas canções”, disse Francisco Rolfsen Belda, docente de mídia e tecnologia e jornalismo na Unesp Bauru.

Um mestrado defendido há alguns anos na Unesp Rio Claro já citava o fenômeno, ao dizer que as festas tinham perdido a cultura sertaneja –música raiz e os caipiras–, para dar lugar ao country, às grandes marcas e ao caubói.

Estimativas do setor apontam que os rodeios movimentam R$ 10 bilhões por ano em mais de 2.000 provas no país.

Para Carlos Rosolen, diretor do PEA (Projeto Esperança Animal), que acusa os rodeios de maus-tratos, o caminho da atividade é o mesmo das touradas. “Tem seus dias contados. O fim dos rodeios está se aproximando e a cada ano será pior e pior. A atividade é reprovada pela sociedade e o chamariz sempre foram os shows.”

CONTRAMÃO
Embora afirme que não é atingida pelo atual cenário, até a tradicional Festa do Peão de Boiadeiro de Barretos –a maior do país– admite preocupação com esses problemas no setor.

“São pontos que nos deixam em alerta, sim. [Mas] Sempre tivemos preocupação de a festa se reinventar, diversificar e zelar pela qualidade”, disse Hussein Gemha Junior, presidente de Os Independentes, grupo que organiza o evento.

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Segundo ele, Barretos está na contramão da crise e mantém as 11 datas em agosto.

AÇÕES JUDICIAIS
Nos últimos seis meses, o uso de animais em provas de rodeios gerou ações judiciais com liminares para barrar sua realização em ao menos mais três municípios.

Em Maricá (RJ), Itaipulândia (PR) e Joinville (SC), as decisões da Justiça não impedem a realização das festas, mas sim a utilização de animais ou de instrumentos que façam os touros pularem durante as montarias.

“Esses ‘estímulos’ [com o uso de aparatos], por certo, passam por procedimentos tendentes a provocar irritação, estresse e, em última análise, desconforto suficiente a provocar o comportamento bravio esperado de um animal de rodeio”, diz trecho da liminar do juiz Bruno Monteiro Rulière que proibia o rodeio na festa de Maricá.

Na decisão, escreveu ainda que “atos de maus-tratos e crueldade contra os animais jamais poderão ser qualificados como uma inocente manifestação cultural”.

Em Joinville (SC), o Ministério Público obteve liminar judicial que também vetava o uso de animais no rodeio. Já em Itaipulândia (PR), foi proibida pela Justiça o uso de instrumentos que pudessem causar dor aos animais.

Esses casos se somam a dezenas de outros nos últimos anos no país. Decisões que proíbem a realização de rodeios já foram concedidas pela Justiça em ao menos 40 municípios nos últimos anos.
Nos últimos dois anos, as ações pedindo o fim das montarias se propagaram a partir de uma brecha jurídica encontrada por ONGs. Elas estão usando um decreto de 1995 do ex-governador Mário Covas (1930-2001), que veta eventos do gênero no perímetro urbano das cidades –a maioria dessas festas ocorre dentro das zonas urbanas.

A brecha foi encontrada pela ONG Amor de Bicho Não Tem Preço, que alega que as montarias “torturam” os animais

Divinópolis
Em Divinópolis, um grupo formado por pessoas que defendem os animais e utilizam as redes sociais para divulgar seus trabalhos e ao mesmo denúnciar maus tratos, está estudando a possibilidade de no proximo ano, seguindo a tendencia nacional ajuizar uma ação contra os rodeios, tanto em montaria de touros quanto de cavalos. Como em épocas passadas anunciaram que iriam tomar tal decisão e não fizeram nada, é aguardar para ver.

Fonte: com Folha


 

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