Enganava-se quem estava avaliando que o voto do deputado Jovair Arantes, que além de ser grande aliado de Cunha, é do mesmo partido do delator e mensaleiro, desafeto do PT e de Lula, o ex-deputado Roberto Jefferson, fosse fazer um anuncio diferente que não o parecer favorável ao pedido de impeachment da presidente Dilma Rousseff, e foi isso que ele fez. Depois de fazer um mise en scène na leitura do relatório de carta marcada – Já que antes da leitura na Comissão especial que analisa o pedido de afastamento de Dilma, Jovair na bancada do seu partido tinha antecipado seu “natural” parecer favorável ao pedido de impeachment – O relatório tem 130 páginas em que no seu entendimento chegou a conclusão que Dilma cometeu crime de responsabilidade com as “pedaladas fiscais”, ou seja, usou dinheiro de bancos federais para cobrir despesas do Tesouro Nacional, além de ter usado créditos suplementares sem autorização do Congresso Nacional, o que foi contestado pela defesa da presidente – Assim que terminar a leitura do relatório os 65 deputados da comissão votarão por sua aprovação ou rejeição. Os deputados oposicionistas e governistas contabilizam que existem 35 votos favoráveis a aprovação do relatório pró-impeachment.
A votação definitiva no plenário da Câmara deverá acontecer no domingo (17). São necessários os votos de pelo menos 342 dos 513 deputados para que o Senado seja autorizado a abrir o processo de impeachment.
Com o aval e auxílio de Cunha nos bastidores, todo o trabalho da comissão foi realizado em tempo exíguo, 20 dias entre a instalação da comissão e a leitura do relatório.
Deputados de oposição chegaram à sessão da comissão especial portando cartazes “impeachment já”, fitas verde e amarelo e bonecos do “pixuleko”. Eles prometem ir ainda nesta quarta à porta do Palácio do Planalto levar um “aviso prévio” a Dilma.
Após a leitura do relatório de Jovair, será concedida vista conjunta aos integrantes da comissão. A discussão do texto terá início na sexta-feira (8).
JOVAIR ARANTES
Jovair foi eleito relator da comissão com o aval de Cunha, da oposição e do governo, que chegou à conclusão de que não tinha condições políticas de emplacar no posto alguém mais alinhado a Dilma.
Cirurgião dentista, ligado à bancada da bola e cumprindo seu sexto mandato consecutivo como deputado, Jovair sempre foi um deputado com maior atuação nos bastidores. Ex-tucano, foi ele quem segurou o apoio da bancada aos governos do PT.
Nos últimos tempos se aproximou de Cunha a ponto de integrar a linha de frente da tropa de choque que tenta evitar a cassação do mandato do presidente da Câmara. É, por isso, cotado a ser o candidato de Cunha para comandar a Câmara a partir de 2017.
AGUARDA-SE O TÉRMINO DA LEITURA PARA INICIAR A VOTAÇÃO DOS DEPUTADOS, QUE PROVAVELMENTE VOTARÃO PELA ACEITAÇÃO DO RELATÓRIO PRÓ-MPEACHEMNT


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