Segundo Olímpio, o pedido de mais de R$ 1 milhão em propina foi feito pelo senador em 2010. Na ocasião, o senador democrata disse ao empresário que tinha informações de que ele havia dado R$ 5 milhões para a campanha do então governador do estado, Iberê Ferreira, e exigiu o mesmo valor.
Ainda de acordo com George Olímpio, no entanto, o pagamento feito para o então governador do estado custou R$ 1 milhão. Assim, Agripino aceitou receber o mesmo valor, que seria pago em três parcelas, de R$ 200 mil, R$ 100 mil e R$ 700 mil.
“Ele disse: Pronto. E ai vai faltar R$ 700 mil para você dar a mesma coisa que deu para a campanha de Iberê”, conta o empresário.
“Para mim, aquilo foi um aviso bastante claro de que ou você participa ou você perde a inspeção. Uma forma muito sutil, mas uma forma de chantagem. R$ 1,150 milhão foram dados em troca de manter a inspeção”, explicou.
Em seu depoimento ao MP, Olímpio afirma que o esquema de registro de veículos foi negociado na casa da então governadora do estado Wilma Faria (PSB), atual vice-prefeita de Natal. O convite para a reunião foi realizado, segundo o empresário, por Lauro Maria, filho de Wilma.
Em 2010, Wilma deixou o cargo para concorrer ao Senado Federal e quem assumiu o posto foi o seu vice, Iberê Ferreira (PSB), falecido em setembro 2014. De acordo com a promotoria, o então governador peessebista também recebeu propina pelo esquema.
Por telefone, o Fantástico falou com o senador José Agripino Maia, que estava em Miami. Na ligação, Agripino afirmou que conheceu George Olímpio e que o empresário “teria ido” a sua casa, em Brasília, “uma vez”. Agripino disse ainda ao Fantástico que o Olímpio esteve também em seu apartamento no Rio Grande do Norte, mas negou ter recebido R$ 1 milhão do empresário.
História antiga – O encontro entre o senador do DEM e o empresário já havia sido relatado em 2012 pelo lobista Alcides Fernandes Barbosa, que estava preso e foi ouvido pelo Ministério Público. À época, seu depoimento ao MP foi revelado com exclusividade pela revista “Carta Capital”.
Na delação, Barbosa afirmou que foi convidado pelo fundador do PSDB, João Faustino Neto, hoje falecido, a participar de um coquetel na casa do senador Agripino Maia. O convite teria sido realizado, segundo o lobista, em virtude da ausência inesperada do Aloysio Nunes (PSDB-SP) e de outra pessoa de nome “Clóvis’.
De acordo com o MP, o outro convidado provavelmente seria o ex-ministro da Casa Civil do governo do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, Clóvis Carvalho. Na residência de Agripino Maia, Barbosa afirma que foi levado ao “sótão” onde viu Olímpio prometer o pagamento de R$ 1 milhão para o presidente do DEM.
O repasse ilegal de propina para o senador também foi confirmado em depoimento dado ao MP pelo empreiteiro José Gilmar de Carvalho Lopes, conhecido como Gilmar Montana, em alusão ao nome de sua construtora. Segundo ele, que foi preso em 2011, o repasse milionário de Olímpio para Agripino era “fruto do desvio de recursos públicos” do Detran/RN.
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BRASIL 247
Áudio confirma propina de Agripino. Xeque-mate?
Ministério Público divulgou nesta tarde o primeiro áudio sobre a propina de R$ 1,1 milhão que teria sido paga ao senador Agripino Maia (DEM/RN); na conversa o ex-deputado João Faustino, morto em 2014, fala com o lobista George Olímpio sobre o pagamento ao parlamentar para facilitar a implantação de serviço obrigatório de inspeção veicular no Rio Grande do Norte; Agripino, que foi um dos coordenadores da campanha presidencial de Aécio Neves, no ano passado, tem sido um dos mais moralistas dos parlamentares do Congresso, a exemplo do ex-colega de partido Demóstenes Torres; confira a conversa comprometedora; reportagem de Daniel Dantas Lemos
Por Daniel Dantas Lemos
Em áudio divulgado na tarde de hoje pelo Ministério Público ao anunciar denúncia contra Delavam Melo, o ex-deputado João Faustino, morto em janeiro de 2014, aparece em diálogo com George Olímpio. Trata-se do primeiro áudio.
Os dois falam sobre o fim da inspeção veicular no início do governo Rosalba Ciarlini. George espera que João possa abrir as portas junto ao governo a partir de Carlos Augusto Rosado, marido da então governadora. Na conversa, falam sobre a propina de R$ 1 milhão 150 mil paga a José Agrino Maia.
A conversa é na casa de João e foi gravada por George. Conversam sobre uma negociação entre Carlos Augusto Rosado e João.
Diz João: “Haveria uma participação do consórcio na campanha e até uma participação mensal depois da campanha”.
Carlos Augusto teria respondido: “Essa participação mensal, eu dispenso”
…
João continua: “Ele [Carlos Augusto] diz que se lembra, sabe das negociações que Zé Agripino fez, sabe que você se comprometeu”
George: “Fora a negociação, daquele dinheiro, tem uma parte que foi dada. (…)e mais cento e cinquenta. Eu dei uma parte por último, que ele me pediu, eu dei por último. 150, um cheque, que ele pegou dinheiro daquele rapaz, que fica lá na tevê, na Tropical”
João: “Sei, sei, o sobrinho dele, Tarcísio”
George: “Tarcisinho, que vence em setembro o cheque. Mais 150, no final da campanha ele disse assim: ‘George, eu preciso de você'”
João: “Você deu R$ 200 mil, não foi?”
“Eu dei R$ 300 mil, em dinheiro. Marcílio deu R$ 400, Ximbica deu R$ 300”
João: “Mais 150”
George: “Na última semana ele me chamou e disse: ‘George, eu preciso de você’. Mais 150”
João: “Fora os juros”
George: “Os juros eu já vou pagando. Agora, em Brasília, ele me pediu para pagar o desse mês.
Chega eu fiquei destreinado”.Já na parte final da conversa, depois de discutirem que, no governo, apenas Miguel Josino, então Procurador Geral do Estado, era contrário a uma solução que mantivesse a inspeção, George propõe:
“Não valeria, depois dessa conversa, uma ligação do senador José Agripino para Miguel Josino, nesse sentido? ‘Miguel: defenda a lei, que é um absurdo o que está se dizendo da inconstitucionalidade'”
Diz João: “Eu vou falar com José Agripino”, ao que George complementa dando os argumentos em cima de uma lei sobre inspeção veicular semelhante feita pelo Distrito Federal que foi julgada constitucional pelo STF.


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