Fernando Pimentel (PT) diz que Aécio Neves (PSDB) por suas ferrenhas críticas ao PT e à Presidente vai se arrepender

Publicado por: suporte

Entrevista de Pimentel para Kennedy Alencar para

Luta armada, tortura e Lei da Anistia

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Ex-preso político torturado pela ditadura militar de 1964, Pimentel diz que a luta armada “cumpriu, sim, um papel” para a redemocratização do Brasil. Ele se emocionou ao falar da tortura e dos companheiros que foram mortos pela ditadura.

“A gente cumpriu, sim, um papel. (…) A contribuição foi importante. Dar o exemplo de resistência, um exemplo de coragem que muitos companheiros deram e doaram suas vidas ao Brasil. Isso consolidou de alguma forma no povo brasileiro e na opinião pública a necessidade de uma mudança. Ela veio depois, felizmente, por meios pacíficos”, afirma Pimentel.

Pimentel se emociona ao falar da tortura que sofreu ao ser preso com 19 anos e de companheiros que morreram. Com voz pausada e olhos marejados, relata: ”Fiquei preso até aos 23 anos. Foi um período muito difícil, muito duro. Nos primeiros quinze dias, constantemente torturado com choques elétricos, espancamento, o que era usual na época para os presos políticos. Depois, ao longo desses três anos, eu tive também um período de pelo menos 9 meses de isolamento completo. Fiquei incomunicável, sozinho em uma cela sem livro, sem rádio, sem televisão, sem nada. Também foi um período duro. A gente não sai melhor nem pior do que ninguém. A gente sai, de fato, diferente. Você melhora em relação a si mesmo. Você conhece mais os seus limites. Você passa por uma experiência que eu não quero que ninguém passe por isso para amadurecer. É muito melhor amadurecer de outro jeito. Mas ali eu cresci, amadureci e, graças a Deus, sobrevivi. Muitos companheiros não tiveram essa sorte. Se me marcou, não ficou nenhum ressentimento. Não tenho ódio, não tenho raiva, não tenho ressentimento nenhum desse período. Neste momento, tenho uma lembrança muito viva daqueles que perderam a vida.”

Na avaliação do governador eleito de Minas, o relatório final da Comissão Nacional da Verdade “é o encontro do Brasil com a própria história”. ”Todos os países da América Latina que passaram por ditaduras militares, como foi o nosso caso, fizeram esse encontro. A Argentina fez, o Uruguai fez, a Guatamela fez, o Chile fez. E estava faltando isso.”

No entanto, o petista afirma que não vê “ambiente para a gente pedir uma revisão da lei da Anistia”. Ele considera “um caminho muito razoável” ações do Ministério Público que têm obtido algumas condenações argumentando que a ocultação de corpos de desaparecidos seria um crime permanente e passível de punição até hoje. Ou seja, a ocultação de cadáver não estaria coberta pelo perdão da Lei da Anistia de 1979.

Lula e 2018

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Pimentel diz que não pensa, neste momento, em eventual candidatura à Presidência da República. Mas faz uma ressalva: “Estou na vida pública, o que vai acontecer depois, o futuro vai dizer”.

A respeito de eventual candidatura do ex-presidente Lula em 2018, respondeu: “Se tem alguém com legitimidade para fazê-lo no Brasil é o Lula. Mas não sei se vai fazer.

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