A entrevista coletiva foi dividida em várias fases, com as explicações dos dois promotores, o de Fundações e de Saúde, respectivamente Sérgio Gildin e Ubiratan Domingues e o diretor da DICTUM, Ariston Silva, de vez enquanto amparado por alguns informações de Afrânio Emilio.
Inicialmente o promotor de Fundações, Sérgio Gildin falou das razões da intervenção administrativa e lembrou que o processo já completou um ano e avaliou os resultados como positivo.
Explicou ainda que a opção do ex-superintendente, Euler de Paulo Baumgratz era por encerrar as atividades, mas pela importância do hospital para a cidade e região, ele como promotor Curador de Fundações, após conversar com vários órgãos, inclusive os deputados, optou por uma intervenção menos ortodoxa, que foi a administrativa através de um TAC – Termo de Ajustamento de Conduta.
“Inicialmente foi apresentada uma dívida de R$ 80 milhões e um déficit mensal de R$ 3,7 milhões, porem os dados eram muitos imprecisos, já que os softwares não se comunicavam – Posteriormente, constatou-se que o valor apurado da dívida era de R$ 120 milhões”, afirmou Gildin.
A seguir o diretor da Dictum, Ariston Silva fez uma apresentação prolixa e técnica, sustentada em ações futuras que foram tratativas entre o hospital, o município, estado e o governo federal, contudo que ainda precisam se concretizar. De concreto mesmo, o fato é que o hospital tem atualmente um faturamento de cerca de aproximadamente R$ 8 milhões de reais e uma despesa de R$ 9.350 milhões, gerando o déficit mensal de R$ 1.350 milhão.
O diretor da empresa interventora disse que atualmente o HSJD trabalha com a taxa de 87% de ocupação, sendo que 73% é de atendimento ao SUS e 27% são atendimentos dos planos de saúde.
Foram dadas muitas informações, “picotadas e soltas”, de consistente mesmo foram poucos os dados apresentados e um deles é que o HSJD quer trabalhar dentro da contratualização que são 928 atendimentos e não da demanda que pode chegar a 1.500 atendimentos, mas que gera déficit para o hospital.
Sérgio Gildin
Na fase final da reunião, o promotor Sérgio Gildin em entrevista para os veículos, diante de inúmeros questionamentos, afirmou que a Dictum está realizando bem, o trabalho para o qual ela foi contratada, tanto é que o contrato com a empresa foi renovado por mais um ano, através da assinatura de mais um TAC – Termo de Ajustamento de conduta. Disse também que existe sim o risco de fechamento do hospital, mas que o MP não trabalha com tal hipótese, muito pelo contrário, trabalha com a perspectiva de expansão, desde que os recursos que são devidos, sejam repassados para o hospital.
Informou também que foi entregue para o Ministério Público Federal (MPF), uma cópia do relatório da consultoria feita pela Prince, em que foram detectados alguns desvios, que ele estimou em cerca de 3% do total da dívida do hospital, cerca de R$ 3,6 milhões, mas que não teria sido este valor que causou os problemas financeiros do hospital. Ele não soube precisar se o MPF instaurou algum inquérito.
Ubiratan Domingues
O promotor de Saúde, Ubiratan Domingues também acredita que a intervenção tem tudo para ser bem sucedida, lembrando que o hospital é apenas um prestador de serviço e que o poder público precisa ampliar o atendimento na região. Quanto a diminuição do atendimento, já que o hospital passará a atender somente o que está contratado com o estado, ou seja, os 928 atendimentos e não a demanda, que excede em 400 atendimentos, Ubiratan afirmou que a decisão do que será feito tem que dos gestores da saúde, que detém o poder de comprar serviços dentro ou fora do sistema, na rede privada, pois caso contrário, se não houver compra vai continuar acontecendo o que já ocorre, desassistência para todos os lados.
Ariston Silva
Ao termino da coletiva, na fase de gravação, Ariston foi mais resumido e menos prolixo e com isto foi um pouco mais fácil entender sua explanações.
O diretor avaliou que ao reduzir o déficit do hospital em R$ 1,2 milhão e ter aumentado a assistência de 63% para 85%, que o projeto está no caminho certo.
Respondendo à pergunta de uma das jornalistas, se eles teriam previsão de diminuir a dívida (R$ 120 milhões), ele respondeu que a primeira meta seria zerar o déficit (R$ 1,3 milhão/mês), isto se os recursos do município, do estado e do governo federal fossem repassados corretamente, o déficit estaria zerado. Aí eles teriam condições de administrar a dívida e começar a reduzir.
Outra questão levantada foi quanto aos contratos com as Clinicas Médicas que no passado os interventores foram categóricos em afirmar que estavam superfaturados. Já na reunião desta quarta-feira Ariston recuou na terminologia de “superfaturamento” dizendo que não o termo correto não seria este, que os 26 contratos que ele afirmou que já foram revistos, estão baseados na produtividades como principal medida. Dentre os 26, Ariston afirmou que também existem fornecedores.
Já com relação as Clinicas Médicas que anunciaram que vão parar suas atividades, o diretor, disse ser solidários com eles, por que nos dois últimos meses o pagamento da equipe está atrasando e isto cria uma desmotivação. “Nossa posição é de solidariedade”.
“Nós temos a expectativa que os recursos anunciados pelo governador, possam logo chegar e aí vamos conseguir equilibrar as contas”
Quanto ao Plano de Saúde, quando perguntado pelo editor do Divinews, Ariston se mostrou confuso em suas respostas quanto aos números. Disse que o plano está com seus pagamentos em dia, mas que existe um déficit mensal de R$ 150/200 mil reais e que a dívida do plano é de 5 a 6 milhões
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