Vereadora autora da Lei que instituiu a Semana de Adoção em Divinópolis lamentou não apresentar o trabalho preparado

Publicado por: suporte

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Geraldo Passos,

Agradeço a reverência do DIVEWS a  LEI da adoção, não por ser de minha autoria e sim pela relevância do assunto.

Enquanto vereadora fizemos LEIS importantes e esta é uma delas.

 

Agradeço ao Grupo de Volta Pra Casa, Dr. Casé, Vereador Marcos Vinicius que tiveram a elegância e o compromisso com a causa quando na reunião da Câmara Municipal. Penso que Adotar é acreditar que a história é mais forte que a hereditariedade, que o amor é mais forte que o destino.

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Repasso ao DIVINEWS, parte do trabalho que eu tinha preparado para apresentar na Câmara Municipal, como convidada do vereador Marcos Vinicius para ali deixar minha contribuição.

Enquanto preparávamos o Projeto de Lei 33/2012 que foi acolhido pelos vereadores e transformado na Lei Municipal nº 7.555, fizemos estudos e chegamos à conclusão que mediante os números que apontam a realidade da ADOÇÃO no Brasil, é preciso haver uma mudança cultural e por isso a que Lei determina seja uma semana para evidência do tema.
Veja porque!

Realidade no Brasil:

Os números do cadastro revelam que o perfil exigido pelos interessados em adotar ainda é um dos entraves para a reinserção dessas crianças e jovens em uma nova família.

Do total de inscritos, 10.123 declararam aceitar somente crianças brancas.
Aqueles que aceitam apenas crianças negras somam 582.

Outros 1.573 afirmaram que só adotam crianças pardas.

O CNA, por sua vez, registra a existência de 1.550 crianças brancas, 882 negras e 2.095 pardas atualmente aptas à adoção.

Pretendentes que se disseram indiferentes em relação à raça chegam a 8.643.

•      Também 22.392 pretendentes desejam adotar apenas uma criança.
•      Das que estão aptas, somente 1.072 não têm irmãos.
•      A idade exigida também representa uma barreira.
•       A maior parte dos pretendentes tem interesse em adotar uma criança com até cinco anos de idade.
•      De acordo com o cadastro, 5.136 pretendem adotar crianças com até nove meses de vida.
•      Outros 5.400 desejam filhos com um ano de idade.
•       Interessados em adotar crianças com dois anos chegam a 5.545;
•      três anos, a 4.785;
•      quatro anos, 2.641; e cinco anos, 2.339.
•       A partir dos seis anos o número de interessados cai para 795.

O grupo de idade mais procurado é o que concentra o menor número de crianças.

•      De acordo com o cadastro, há :
•      06 crianças com até nove meses,
•      36 com até um ano,
•      51 com até dois anos,
•      74 com até três anos,
•      77 com até quatro anos e
•      96 com até cinco anos de idade. Ainda segundo o CNA, os estados que mais concentram crianças e adolescentes aptos a adoção são o Rio Grande do Sul (758), o Paraná (433) e Minas Gerais (562).
e 86% só aceitam adotar crianças ou adolescentes sozinhos, enquanto boa parte dos jovens possui.
•      Os dados do Cadastro Nacional de Adoção revelam uma desigualdade alarmante na relação entre pretendentes e candidatos à adoção.
•      Enquanto 26.694 pessoas estão aptas a adotar, 4.427 crianças e adolescentes esperam por um novo lar.
•      Os fatores de restrição revelam que, no Brasil, a adoção ainda é um processo que tem critérios extremamente seletivos como prioridade antes de ser entendido como um ato de amor indiscriminado.
•      Como disse no inicio, eu penso que é preciso haver uma mudança cultural nesse sentido:
•      “Precisamos trabalhar cada vez mais para a efetivação dos melhores interesses das crianças e adolescentes. O CNJ contribui para essas mudanças com o seu sistema de cadastros da infância e juventude”.
•      Necessitamos de uma mudança de cultura quanto ao perfil desejado pela maioria, para que todos os jovens tenham oportunidade na adoção.

 

Como reflexão deixo poema de Herbert de Souza

A criança é coisa séria.
“A criança é o princípio sem fim. O fim da criança é o princípio do fim.
Quando uma sociedade deixa matar a criança é porque começou seu suicídio como sociedade. Quando não as ama é porque deixou de se reconhecer como humanidade.

Afinal, a criança é o que fui em mim e em meus filhos, enquanto eu em humanidade.
Ela como princípio é a promessa de tudo. É minha obra livre de mim. Se não vejo na criança, uma criança, é porque alguém a violentou antes e o que vejo é o que sobrou o que lhe foi tirado.

 

Mas essa que vejo na rua sem pai, sem mãe, sem casa, cama e comida, essa que vive a solidão das noites sem gente por perto, é um grito, é um espanto. Diante dela, o mundo deveria parar para começar um novo encontro, porque a criança é o princípio sem fim e o seu fim é o fim de todos nós.” Herbert de Souza

Desta forma, deixo minha contribuição neste primeiro ano de cumprimento da Lei, e sugiro que no próximo ano, possamos realmente estar fazendo a campanha durante uma semana como determina a Lei, provocando uma mudança c u l t u r a l na nossa sociedade.

 

Precisamos trabalhar cada vez mais para a efetivação dos melhores interesses das crianças e adolescentes. Afinal, Adotar é acreditar que a história é mais forte que a hereditariedade e que o amor é mais forte que o destino.

 

Dra. Heloisa Cerri

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