Corrupção mata

Publicado por: suporte


Não é só a corrupção que mata. Usar o dinheiro público, indevidamente e mal empregado, é também um grande crime contra a sociedade. É matar pessoas inocentes em várias áreas. Na saúde, por não ter um atendimento adequado, pela falta de dinheiro que é usado indevidamente. Na infraestrutura, por estradas e ruas com buracos e falta de sinalização que causam acidentes. Na Educação que os recursos foram desviados para gastar com shows, festas e publicidade, colocam jovens e crianças em zona de risco, que migram para as drogas entre outros inúmeros perigos. A falta ou a pouca atividades esportivas e culturais, deixam os jovens ociosos. Não ter verba para uma Secretaria de Desenvolvimento Econômico captar novas empresas para gerar empregos para os munícipes. Isto é o exemplo de apenas a ponta de um pequeno iceberg de outras inúmeras situações em que a corrupção mata muitos cidadãos.

Onofre pontuou em seu artigo que até o Poder Judiciário que já entrou no imaginário popular como uma instituição contaminada pela corrupção, dizendo que a venda de sentenças por magistrados não mata pessoas diretamente, mas destrói negócios, destrói família, destrói carreiras profissionais e destrói a esperança da sociedade contra a barbárie das injustiças.

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O mineiro de Campos Altos radicado pelas terras do Mato Grosso em seu artigo se refere especificamente à corrupção assassina que ocorre em Cuiabá, mas pode ser transportada para qualquer local do país. Se mata em Cuiabá, mata em qualquer lugar. São Paulo, Rio, Belo Horizonte, Divinópolis, Itaúna e milhares de outras cidades. E, quem usa a arma da corrupção para matar tem que ser preso e condenado. Independentemente de quem seja.

Leia na íntegra o artigo do jornalista Onofre Ribeiro

Corrupção mata

Vou me basear em três fatos.

1- conferência dos senadores Cristovam Buarque e Pedro Taques na maçonaria, em Cuiabá na semana passada; 2 – na promessa de combate sangrento à corrupção, feita pelo presidente empossado do Tribunal de Justiça de Mato Grosso, também na semana passada, e 3 – na denúncia do prefeito Mauro Mendes, nesta semana, de desvios de remédios e de materiais no Pronto-Socorro de Cuiabá.

O que há em comum entre os três fatos, é a corrupção, manifesta nas suas diversas formas. Quando se desvia vergonhosamente o dinheiro da saúde para compra superfaturadas de medicamentos e de serviços contratados por governos, está se matando pessoas inocentes que morrem nos corredores dos prontos socorros, nas enfermarias e nas maternidades do país.

Quando se desvia dinheiro das rodovias, está se matando gente que morre aos milhares no trânsito. Quando se desvia o sagrado dinheiro da educação, as mortes são em série. Morre gente no crime, porque não tem opção de emprego, morre nos prontos socorros em crimes de morte, morrem à míngua nas cadeias, de onde também se desvia até o dinheiro da comida dos presos.

O senador Pedro Taques disse que em 18 anos como procurador da República não conseguiu “por na cadeia” os corruptos que denunciou. Claro, o rico dinheiro público desviado serve também pra pagar bons advogados. Mas o coitado que procurou a saúde, a escola e acabou preso, morreu por não atendimento, por não ter atendimento educacional, ou morreu em algum descaminho da sua vida. Mas se roubou uma bicicleta velha ou um pacote de bolachas, pega até três anos de cadeia. Já o corrupto do dinheiro público não será preso e nem devolverá o dinheiro desviado.

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No Pronto-Socorro de Cuiabá não é de hoje que se desvia medicamentos para clínicas e hospitais privados. Um recente secretário de Saúde de Cuiabá confidenciou-me que o pronto socorro de Cuiabá era o único comprador de fios de suturas em cirurgia na capital. Segundo ele, as milhares de cirurgias realizadas em Cuiabá usavam fios comprados pelo pronto socorro. Quanta gente morreu ali costurada com barbante, para os endinheirados serem costurados com fios adequados?

Já o Poder Judiciário entrou no imaginário popular como instituição contaminada pela corrupção. A venda de sentenças por magistrados não mata pessoas diretamente, mas destrói negócios, destrói família, destrói carreiras profissionais e destrói esperanças da sociedade contra a barbárie das injustiças. Penso que o presidente eleito, Orlando Perri, vai ser vítima de milhares de intrigas produzidas no meio judicial, por conta da sua promessa de combate severo aos crimes de corrupção.

Quando um comportamento fica cultural, se torna legítimo aos olhos de quem o pratica, e certamente muita intriga vai ser atirada contra o presidente Orlando Perri. Mas a sociedade o apoiará. Basta que denuncie.

De qualquer modo, a corrupção não acabará em um mandato. Mas o fato dela ser denunciada como habitual, já é um passo muito grande. Roubar remédios, dinheiro da saúde e da educação ou sentenças vendidas já são do conhecimento público, ainda que permaneçam sempre impunes. É pouco, mas é muito!

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