O jornalista Esmael Morais, do Paraná em seu artigo disse que o Brasil não aceita golpes contra instituições democráticas e ironizou a mídia, dando como exemplo o impeachment de Collor. Dizendo que, a velha mídia tradicional não tem força para derrubar sequer um pardal, embora tente capitalizar a queda de Collor em 1992. Finaliza esclarecendo que a queda de Collor só aconteceu mesmo, quando o povo foi para as ruas.
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Midia, independente do tamanho, não elege e nem derruba ninguém se não houver a conivência e principalmente a participação real e não virtual do povo. Os veículos de comunicação influenciam, ajudam a formar opinião, mas é preciso que o ambiente lhes seja propicio para o envolvimento do povão, que haja razão para a movimentação de protesto.
No caso do Brasil atual, a partir de políticas de inserção sócio-econômica de uma sociedade que estava à margem e que os governantes do Partido dos Trabalhadores criaram condições para inserir no mercado de consumo as classes menos favorecidas, as chamadas classes C,D,E, fazendo-as subir um degrau e em alguns casos até dois de uma só vez. O escândalo tem quer muito, mais muito cabeludo para afetar a credibilidade de quem propiciou essa ascensão social. E ainda assim vai depender muito da credibilidade do acusador, dos algozes político. Tem que ter uma vida de exemplo ilibada e não marqueteiramente apenas de gogó.
Ate então os presidenciáveis que tem se apresentado para a sociedade, com raras exceções tem grandes telhados de vidro, que não agüentam uma pedrada, com uma pedra pequena, imaginem se for jogado um pedregulho, trinca e cai de uma só vez. É só investigar que acha.
Vinte anos depois da queda de Collor, eis que a velha mídia tenta se reinventar surfando na justa indignação de internautas. A classe média, embalada pela mídia udenista, despejou cerca de 1,6 milhão de assinaturas em abaixo-assinado para derrubar o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL). Eu havia alertado que essa petição onlinenão teria validade alguma e argumentei que estava em curso uma tentativa de golpe do Partido da Imprensa Golpista (PiG) contra uma instituição democrática. A minha opinião (clique aqui para relembrar), por não fazer coro ao senso comum, causou urticária nos conservadores de plantão.
É bom lembrar que a campanha pela defenestração de Calheiros começou pela velha mídia bem antes da sua eleição, no 1º de fevereiro, à presidência do Senado. Chifrado até pelos tucanos, o consórcio Veja, Estadão, Folha, Globo, etc., perdeu a disputa na Câmara Alta pelo placar de 56 votos a 18. Agora tenta reeditar o golpismo contra o Senado valendo-se do “efeito manada” a partir de alguns desavisados festivos.
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Pois bem, neste domingo ensolarado, temperatura de 30º, cerca de cem pessoas (sic) saíram em protesto na orla de Copacabana, Zona Sul do Rio de Janeiro, contra Renan Calheiros. Assim como defendo a livre manifestação de Yoani Sanchéz (clique aqui para ler a minha opinião), a blogueira que mais tem liberdade no mundo, eu também creio que a moçada engabelada pela direitona raivosa também tem esse direito democrático. Mesmo que o Sol escaldante castigue os gatos-pingados, pois se trata de livre-arbítrio. O fiasco anti-Renan se repetiu ontem (23) em Curitiba.
Este é segundo teste da mídia que fracassa em se tratando de mobilização popular. O primeiro, eu gostaria de recordar, ocorreu em agosto de 1992 quando a Folha de S. Paulo, no afã de provar que as manifestações dos carapintadas eram espontâneas, convocou uma passeata no tradicional ponto de encontro das passeatas [no Vão Livre do MASP, em São Paulo]. Para decepção do jornalão, meia dúzia de desavisados compareceram. Uma semana depois a UNE (União Nacional dos Estudantes) e a UBES convocaram uma passeata que reuniu mais de cem mil estudantes. Hoje, novamente, apenas 100 compareceram ao midiático protesto no Rio.
Afinal, por que a indignação de 1,6 milhão de internautas vira apenas 100 manifestantes?
Ora bolas, carambolas! Eu já dei meu palpite há dias sobre isso. Vou repeti-lo: sem partidos políticos, sem entidades de massa, sem o povo na rua, não há conspiração que vença a democracia. É preciso formar uma maioria política na sociedade para legitimar qualquer movimento de impeachment. Sem isso, a meu ver, tudo não passa de tentativa de puxar o tapete, golpismo mesmo, que a sociedade rejeita de pronto.






