Na sentença, o magistrado pede para oficiar o Tribunal Regional Eleitoral (TRE) para marcar data de nova eleição na cidade. No lugar do prefeito cassado vai administrar o município o atual presidente da Câmara até que o imbróglio judicial seja decidido em todas as instâncias da Justiça.
De acordo com a chefe do cartório Nívia Vinha da Silva, as duas partes envolvidas anunciaram que vão recorrer da sentença para TRE. Carlos “Tetão” esteve ontem à tarde no cartório eleitoral retirando cópia da sentença para levar para seu advogado.
O pedido de abertura de Ação de Investigação Eleitoral (Aije) foi feito por Pedro de Paula (DEM), o Pedrão, que ficou em segundo lugar no pleito. Ele anexou documentos e depoimentos para comprovar as ‘doações’ em troca de ‘apoio’ nas últimas eleições. Oficiais de justiça cumpriram mandado de busca numa casa e apreenderam documentos que ajudaram como prova dos abusos.
O prefeito cassado teve 2.023 votos, 122 a mais do que Pedrão, que obteve 1.901 votos. De acordo com o advogado Ruy de Toledo Arruda Neto, que representa o demista, durante toda a campanha eleitoral, o candidato do PSB, seu vice e pelo menos 30 candidatos a vereador da coligação captaram votos junto a eleitores em troca de dinheiro, remédios, cestas básicas, materiais de construção, gasolina e até churrasco.
O “esquema” foi denunciado por um dos candidatos. Na sentença, o juiz confirma que Sandro Donizete Soares, candidato a vereador da coligação do prefeito eleito, admitiu em depoimento que, durante a campanha, cada candidato a vereança dispunha de uma cota de cestas básicas para serem distribuídas aos eleitores, fornecidas pelo comando do partido e relaciona as pessoas para as quais entregou, sempre com compromisso do voto.
Essa testemunha é comparada pelo Ministério Público de Lins ao deputado Roberto Jefferson (PTB), delator do “Mensalão” que envolveu políticos do PT e de vários partidos com esquema do publicitário Marcos Valério no governo Lula. A Promotoria cita que o Soares contrariando com o próprio partido trouxe à Justiça e demonstrou que o abuso do poder econômico “campeou livre e solto” durante a campanha eleitoral em Sabino. Além da cota de cestas básicas, a testemunha contou à Justiça que cada candidato a vereador poderia se utilizar de verba disponibilizada pelo partido para compra de medicamentos, em favor de eleitores e combustível para o transporte dos votantes, sempre com vinculação de votos.
Fonte: site JCNET




