O ex-prefeito Antônio Martins Guimarães, que administrou Divinópolis de 1973 a 1977, deixou a Prefeitura com avaliação altamente positiva. Até hoje é considerado um dos melhores prefeitos que a cidade já teve, especialmente por sua ousadia. Antônio Martins tinha uma visão futurista e foi ele o responsável pelo traçado reto que a cidade tem hoje em suas ruas centrais. E isso não é pouca coisa, pois em 1973, Divinópolis ainda era uma cidade com apenas 80.344 habitantes. Hoje, com cerca de 220 mil pessoas, percebe-se a visão de Antônio Martins lá nos idos de 1973.
Embora tenha deixado a Prefeitura com um importante legado de obras, Antônio Martins cometeu um único pecado, que foi definitivamente mortal para sua carreira política. Já no primeiro ano de seu governo, entregou o abastecimento de água para a Copasa, com um contrato de concessão de 30 anos, que venceria em 2003. Avaliado como um excelente prefeito, acreditava-se que sua carreira política seria longa, mas ele nunca mais conseguiu um cargo eletivo. Tentou voltar à Prefeitura, concorreu a uma vaga na Assembleia Legislativa, sem sucesso.
O ex-prefeito Galileu Machado (PMDB), que agora tenta conquistar seu quarto mandato à frente do Executivo, em 2000, três anos antes do vencimento, decidiu renovar o contrato de concessão do abastecimento de água com a Copasa. Protegido por uma cláusula contratual, Galileu fez a renovação silenciosamente. Somente ele e o ex-presidente da Câmara na ocasião, Vanilson de Sousa Rocha (hoje ocupando cargo de confiança no governo de Vladimir Azevedo) tomaram conhecimento antecipado da renovação. Galileu e Vanilson foram a Belo Horizonte, renovaram o contrato e somente depois do preto no branco, é que a população foi informada do ato. Os demais vereadores também foram maridos traídos. Galileu, todos sabem, depois disso não conseguiu novo cargo público e Vanilson Rocha hoje ocupa cargo de confiança na Prefeitura como um prêmio de consolação por sua aliança com Vladimir Azevedo.
O atual prefeito e candidato à reeleição, Vladimir Azevedo (PSDB), de história mais recente, também terá pela frente as maldições eleitorais da cidade. Todos, que de uma forma ou outra se envolveram diretamente com a Copasa, não conseguiram retornar à vida pública pelo voto. Junte-se a isso o fato de que Divinópolis nunca reelegeu um prefeito.
Em junho do ano passado, Vladimir Azevedo, num ato unilateral, repassou o tratamento do esgoto para a Copasa. A situação do atual prefeito ainda é mais grave, pois em 2007, quando a Câmara discutia a lei que autorizava o Executivo a negociar o tratamento do esgoto, Vladimir era oposição e foi o líder da bancada de vereadores que tentou impedir a entrega da concessão do esgoto para a Copasa. Traindo o próprio discurso e sem nenhuma justificativa para sua quase repentina mudança de opinião, quatro anos depois de espinafrar a Copasa e tripudiar de forma veemente a iniciativa do ex-prefeito Demetrius Pereira (PT), Vladimir entregou o esgoto para a empresa, em moldes que poderão ser altamente prejudiciais ao povo. Mais grave, ainda, foi a liberação da tarifa do esgoto. A lei inicial previa uma taxa de até 70% do valor da conta de água. Vladimir modificou a legislação, liberando a cobrança e repassando todas as decisões para a Copasa, ou seja, deixou Divinópolis completamente de mãos atadas, sem nenhuma autonomia. Com a liberação, é bem provável que a tarifa do esgoto, a partir do ano que vem, seja de 100%, ou seja, o cidade, a conta de água vai dobrar de preço.
Conseguirá Galileu se livrar da maldição da Copasa e se eleger prefeito pela quarta vez? Conseguirá Vladimir se livrar das maldições da reeleição e da Copasa? No primeiro caso é até possível que o tabu seja quebrado. Porém, no caso da Copasa, Vladimir terá que contar com aquela máxima na qual todo político acredita: o povo tem memória curta.
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