Primeiramente é necessário que se entenda o significado da frase “para inglês ver”
Texto postado na internet diz que segundo o professor de Lingüística Aplicada da Unicamp, a maioria dos especialistas acredita que a fonte mais provável data de 1831, quando o Governo Regencial do Brasil, atendendo as pressões da Inglaterra, promulgou, naquele ano, uma lei proibindo o tráfico negreiro declarando assim livres os escravos que chegassem aqui e punindo severamente os importadores. Mas, como o sentimento geral era de que a lei não seria cumprida, teria começado a circular na Câmara dos Deputados, nas casas e nas ruas, o comentário de que o ministro Feijó fizera uma lei só para inglês ver.
Como ninguém cumpriu a lei original, foi preciso 20 anos depois promulgar outra lei, desta vez pelo imperador Dom Pedro II, em 1852 para que ocorresse a proibição definitiva do tráfico de escravos.
“Para inglês ver”, popularizou-se de tal forma, que hoje se emprega quase como sinônimo de mentira, de uma coisa que parece ser mas não é, tal qual o famoso “denorex”.
Mas, vamos aos fatos: é louvável a intenção de qualquer “estadista”, e neste caso estamos falando do prefeito de Divinópolis, buscar as melhores soluções para os seus munícipes, desde que alicerçadas em fatos reais e factíveis de serem realizados.
A surpresa começa quando em sua entrevista o prefeito transfere a responsabilidade do sucesso de sua viagem à aprovação de uma legislação federal especifica para o assunto que o levou a Inglaterra.
E, fala de forma simplista, como se fosse extremamente fácil, ir à Brasília, conversar com as autoridades e em um passe de mágica aprovar um processo existente em outro país.
Para não pairar nenhuma dúvida quanto ao conteúdo da entrevista, vamos transcrever quase que ipsis litteris o que foi dito, claro que acertando, quando possível, porque às vezes a fala fica truncada, alguns termos da coloquial fala para a transcrição no “papel”.
O prefeito começa a entrevista dizendo que o que é premiado no Brasil é punido lá, como exemplo a questão do chorume. “Porque este resíduo gera gaz metano e ele é um dos maiores atacantes à camada de ozônio, responsável pelo efeito das transformações climáticas – Gera muito CO2, o gás carbônico – O que eles fazem? Eles pegam este resíduo doméstico, resíduo de animais, de podas de árvores, grama e faz um processo chamado de “gestão anaeróbica, sem a presença de bactéria e transforma o lixo em calor e fertilizante – O resíduo final sem a presença de combustível fóssil, sem a emissão de CO2”
“Terei uma agenda na próxima semana, na embaixada do Reino Unido no Brasil, que foi a responsável pela organização desta missão, juntamente com vários órgão do Brasil, como IBAMA, Ministério do Meio Ambiente, Ministério da Cidade e órgãos financiadores como BNDES, para discutir a regulação, para poder ter licença para fazer. E, ao mesmo tempo fonte de financiamento que significaria muito para fazermos este empreendimento que é auto-sustentável depois de 3 a 5 anos”
Fica claro neste ponto que não existe nada de concreto. Não existe aprovação dos órgãos federais, não existe licenciamento e muito menos linha de crédito
Então o Divinews pergunta: diante dos processos e das tecnologias que o senhor viu na Inglaterra, vai mudar o projeto original que o senhor pensava?
“Uma coisa posso dizer, em um ponto nós já avançamos. Só o caso de areia de fundição já valeu muito esta viagem. Que vai ser uma grande solução para as empresas diminuírem o custo de produção. Hoje eles estão levando areia para o aterro de Itaúna. Custa caro este transporte e eles (empresários) ainda pagam pelo espaço que ocupam no aterro. E, mais ainda ganharemos ambientalmente porque faremos a cobertura do nosso aterro com esta areia. E, se houver ainda alguma sobra, vamos fazer produção de tijolos como aconselhou a International Energy – Aí vamos ter que ter licenciamento ambiental”.
Como o prefeito cita a FIEMG – Federação das Indústrias de Minas Gerais, em sua entrevista, afirmando que a instituição seria parceira neste processo. O Divinews entrou em contato com o presidente regional, Afonso Gonzaga, por volta das 22 horas na segunda-feira (28), (Afonso estava em Belo Horizonte e seguiria no dia seguinte para Brasília), com o objetivo de entender melhor todo o processo, inclusive a questão da areia que é levada para a cidade de Itaúna. O presidente então informou que havia sido ele (Afonso) quem indicou o contato profissional na Inglaterra, Sir. James, e que o prefeito, antes de viajar já sabia da todo o processo de reaproveitamento da areia usada nos fornos de gusa e siderúrgicas.
E, continuou a entrevista: “Por isso que esta reunião na semana que vem com as autoridades nacionais brasileiras na Embaixada Britânica vai ser fundamental pra gente discutir se é possível o governo brasileiro licenciar isto, o Ministério do Meio Ambiente. A partir daí nós construirmos uma pauta e as fontes de financiamentos que envolve milhões de reais”





