Diante dos valores já ajustados encontramos uma situação bem contraditória: se no final das contas esses parlamentares ganham cerca de 1 milhão e meio de reais, mas gastam, em média, o mesmo valor em suas respectivas campanhas, ou trabalham por patriotismo ou existe uma possível troca de favores entre os tais políticos e os seus financiadores. Quem acaba pagando as duas contas é o povo brasileiro.
É sabido que as campanhas milionárias dos candidatos brasileiros pouco têm de suas próprias contribuições. Na verdade, o dinheiro gasto por eles na briga eleitoral é quase todo arrecadado a partir de “doações” feitas por empresas, empresários, partidos, etc. O que provoca dúvida, no entanto, é qual o interesse dessas pessoas em ajudar os candidatos? O que ganham com isso?
Fica a certeza, porém, que todo esse investimento volta em benefícios para seus investidores, seja em dinheiro, em prestação de serviço, em privilégios, dentre tantas outras possibilidades de fazer valer o velho dito popular “uma mão lava a outra e as duas juntas batem palmas”.
É possível usar como exemplo o caso do candidato a Deputado Federal Rodrigo de Castro, do PSDB, que arrecadou o valor irrisório de R$ 3.660.985,54 (Três milhões, seissentos e sessenta mil, novecentos e oitenta e cinco reais e cinqüenta e quatro centavos), mas acabou gastando apenas R$ 3.711.381,04 (Três milhões, setecentos e onze mil, trezentos e oitenta e um reais e quatro centavos).
Outro bom exemplo é do candidato a Deputado Estadual Lafayette Luiz Doorgal de Andrada, também do PSDB, que arrecadou nada a menos nada a mais que R$1.324.306,53 (Um milhão, trezentos e vinte e quatro mil, trezentos e seis reais e cinquenta e três centavos), mas acabou gastando cerca de 50 reais a menos.
Os dois candidatos utilizados no exemplo supracitado foram eleitos e, provavelmente, serão cobrados pelas doações que receberam. Ora, toda ação provoca um reação. No mundo capitalista poucas são as pessoas que doam sem querer nada em troca. É difícil acreditar que no meio político seja assim, que alguns empresários sejam tão caridosos a ponto de doar 100 mil reais de bom grado e esquecer, deixar por isso mesmo. Alguém discorda?






