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A CEMIG e o descaso no atendimento rural
Esse poste já se encontra nessa situação há mais de um ano. No entanto a Cemig aguarda pacientemente a sua queda para tomar alguma providência.
Antes de escrever esse artigo me preocupei em não cometer injustiças com a Cemig, buscando relatos na internet que expusessem falhas sistemáticas dessa empresa no fornecimento de energia elétrica na área rural.
Fiquei convencido, depois disso, que os fatos narrados aqui não constituem exceção, mas sim regra na maneira que essa pseudo estatal opera na zona rural. São muitos os relatos de fazendeiros que amargaram grandes prejuízos com os cortes imotivados e inesperados de energia elétrica dessa concessionária.
Possuo um sítio, no município de Sapucaí Mirim – MG, na beira da estrada vicinal que liga essa cidade com a cidade de Monteiro Lobato em São Paulo. O meu sítio fica há mais de vinte quilômetros de Sapucaí Mirim e não muito distante da divisa com o estado de São Paulo.
Nesse último feriado de finados, o meu sítio ficou dezoito horas sem energia elétrica, entre sábado e domingo e depois por mais de vinte e quatro horas após um curto período de duas horas com energia. Naquela mesma semana, que antecedeu o feriado, a energia elétrica já havia falhado quatro vezes, tendo uma delas durado mais de seis horas.
Devido ao mau dimensionamento da rede elétrica e por me encontrar no final dela, as falhas do tipo “piscadas” e de aumento e diminuição de tensão são freqüentes ali e já não causam surpresas aos usuários. No entanto, basta a aproximação da época de chuvas para que a situação daqueles que dependem da Cemig piorar bastante.
Os cortes de energia, por períodos suficientes para degelar uma geladeira, tornam-se uma constante no dia a dia dos sitiantes. Antes de 1997, as falhas totais de energia eram prontamente atendidas porque a Cemig mantinha um escritório e uma equipe de manutenção na cidade de Sapucaí Mirim.
Logo depois da venda de quase 33% das suas ações preferenciais para a Southern Electric e a AES, numa operação mal explicada envolvendo o grupo Opportunity, a Cemig fechou o escritório e o atendimento em Sapucaí Mirim, passando a concentrar as operações na longínqua Itajubá. Não é preciso dizer quais foram as conseqüências dessa mudança. Os atendimentos que antes eram feitos em duas ou três horas passaram a demorar de quatro a oito. Os cortes de árvores, junto à rede elétrica, que sempre antecediam os períodos das chuvas, passaram a ser feitos de maneira não sistemática para atender apenas os casos mais críticos.
As manutenções preventivas envolvendo troca de isoladores, cabos elétricos e postes, simplesmente deixaram de serem feitas. É comum hoje se deparar com postes pendidos, por períodos que muitas vezes superam um ano, e que só são reerguidos após o tombamento definitivo. A Cemig parece ignorar as suas responsabilidades nesses perigosos tombamentos e se preocupa apenas em obter o máximo lucro com aquela mesma infra-estrutura de mais de vinte e cinco anos. Seria cômico, se não fosse trágico, deparar-se com as recomendações de segurança estampadas na conta de luz e ao mesmo tempo ter a sua integridade física duplamente ameaçada pela mesma empresa, tanto pela queda do poste quanto pela descarga elétrica causada pela queda da rede.
Paulo Anders
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