A política da miséria e a miséria da política. Ou: A “Cátedra Dona Lindu de Ditadura Comparadas”

Publicado por: suporte

Ao discursar rasgados elogios ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o prefeito de Divinópolis (MG), Vladimir Faria Azevedo (PSDB), não poupou críticas ao seu próprio partido, que governou o país entre 1995 –e 2002 com o então presidente Fernando Henrique Cardoso.

Ele acabou de falar em um evento com a participação de Lula na cidade mineira.
Azevedo afirmou que Lula é um exemplo ao país. “A biografia do senhor está acima de qualquer coloração política”, disse ele, afirmando que Lula deixa o legado do “republicanismo” e “uma nova maneira de fazer política que supera o medievalismo”.

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O prefeito lembrou que é do PSDB –um dos principais partidos de oposição ao governo Lula–, mas que estava feliz da mesma forma por receber o presidente petista na cidade, que recebeu investimentos pesados na área da educação e moradia nos últimos anos.

“O último presidente que aqui pisou em agenda institucional foi nosso mineiro Juscelino Kubitschek”, desabafou o prefeito, sem poupar FHC da crítica. Azevedo chegou a ser vaiado ao ser anunciado no evento.

Lula foi à cidade inaugurar dois campi avançados, batizados de “Dona Lindu” –nome da mãe do presidente–, da Universidade Federal de São João Del Rei.

Ele também entregou uma chave de uma unidade habitacional do programa Minha Casa Minha Vida. O governo federal anunciou obras no valor de R$ 35,2 milhões na cidade para a construção de mais de 300 casas para famílias de baixa renda em Divinópolis.

À noite, Lula participa de um comício da campanha petista de Dilma Rousseff em Belo Horizonte, em mais uma agenda oficial casada a atividades de campanha.

Comento

Dispenso-me de comentar muito o comportamento do tal Azevedo — só a destacar, com algum humor, que nome não é destino. Eu costumo ser crítico de todos os governos, como fui do governo FHC. O colega aí parece gostar de todos.

Compreendo. Gente assim existe em qualquer partido. O homem está feliz com os caraminguás que ganhou e considera a sua linguagem — uma espécie, assim, de condoreirismo da traição — uma virtude. Dininópolis tem coisa muito melhor, como a poeta Adélia Prado, por exemplo. Sei lá se vota no PT ou não. Sua poesia não tem nada com isso.

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A miséria da política nem está aí — isso continua a ser um desdobramento ainda da política da miséria de sempre.

O que realmente comove é o fato de o tal Azevedo elevar Lula às alturas no dia em que esse gigante foi inaugurar os ditos dois “campi” avançados da Universidade Federal de São João Del Rei. E como eles foram batizados? “Dona Lindu”, em homenagem à mãe do mandatário.

Por quê? O que fez ela em benefício da educação? Ora, deu à luz Luiz Inácio Lula da Silva. Notem: é o roteiro da beatificação. É a Imaculada Conceição, que se tornou bendita porque mãe do Salvador. É o fim da picada!

Só isso? Não, claro! Lula estava na cidade para entregar casas do Programa Minha Casa Minha Vida e rumou dali para um comício em Belo Horizonte, burlando a legislação eleitoral, dando um jeito de pôr a máquina a serviço da candidata. Alguns juízes do TSE, ultimamente, deram para interpretar textos jornalísticos além do que vai escrito — já ensaiam penetrar nas intenções dos autores. Mas não creio que tentem, nesse caso, fazer o lé casar com lé, e o cré com o cré.

Na aproximação entre o Brasil e a Venezuela, a ditadura chavista não melhorou uma vírgula. Mas a democracia brasileira piorou bastante. Eles já não estão assim tão diferentes de nós como eram antes porque nós nos tornamos, a cada dia, um pouco mais parecidos com eles.

Agora eu defendo que “Dona Lindu” seja o nome de alguma cátedra da, sei lá, Universidade de Brasília talvez… Mas qual? Que tal “Ditadura Comparada”?

Por Reinaldo Azevedo

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