Escândalo no gusa envolvem os municípios de Divinópolis – Cláudio – Carmo da Mata – Itaúna (atualizado as 11:25 hs)

Publicado por: suporte

Foi tentado um contato com Eduardo Santos, empresário do setor e presidente do Sindigusa. Foi deixado recado na sua empresa, contudo até as 11h15min não obtivemos nenhum retorno.

O advogado da Associação das Indústrias Metalúrgicas de Cláudio (Asimec), Aléssio Salomé, disse que as fundições foram enganadas, eles não sabiam da origem dos produtos que estavam comprando. E, que os fornecedores eram conhecidos e as empresas já compravam deles há muito tempo. Finalizou dizendo desconhecer que qualquer empresário comprasse produtos abaixo do preço de mercado.
A história

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O crime

O Departamento Estadual de Operações Especiais (Deoesp) da Polícia Civil investiga um grande esquema de interceptação e venda ilegal de ferro-gusa para fundições das cidades de Cláudio, Divinópolis, Carmo da Mata e Itaúna, na região que integra o maior pólo do setor de gusa na América Latina.

Embora a investigação tenha começado a cerca de nove meses e seja de caráter sigiloso, informações de que três pessoas envolvidas no esquema estão presas.

A polícia, com ordem judicial, grampeou diversos telefones para investigar o roubo de carga de ferro-gusa na região, e segundo fontes do Jornal o tempo, as investigações vão continuar.

A interceptação da carga é feita no percurso entre as siderúrgicas e as fundições. Existe a suspeita ainda de que o desvio de ferro-gusa é arquitetado em um terminal de embarque e desembarque de matéria-prima em Contagem, na região metropolitana da capital.

No dia 15 (julho), policiais estiveram no município de Cláudio e prenderam dois proprietários de fundição. Eles estariam comprando o ferro-gusa por preços bem abaixo do mercado e ainda sem nota fiscal. Foram ouvidos e liberados.

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O que é ferro-gusa

O gusa é um produto obtido da redução do minério de ferro pelo coque ou carvão e calcário num alto forno. O gusa normalmente contém até 5% de carbono, o que faz com que seja um material quebradiço e sem grande uso direto.

Geralmente nos processos industriais, o ferro gusa é considerado como uma liga de ferro e carbono, contendo de 4 a 4,5% de carbono e outros elementos ditos residuais como por exemplo: silício, manganês, fósforo e enxofre, dentre outros.

O gusa é vertido diretamente a partir do cadinho do alto forno para contentores para formar lingotes, ou usado diretamente no estado líquido em aciarias. Os lingotes são então usados para produzir ferro fundido e aço, ao extrair-se o carbono em excesso.

Os chineses produziam gusa nos finais da Dinastia Zhou. Na Europa, o processo só se tornou comum a partir do século XIV.

O Brasil se destaca como o maior produtor mundial de ferro gusa a partir de carvão vegetal. Minas Gerais é o Estado com maior número de produtores, destacando as cidades de Itaúna, Sete Lagoas e Divinópolis como principais polos produtores.

Produção
Normalmente, o aço é fabricado a partir de carbono e óxido de ferro, no alto forno. Nesta fase se produz o chamado ferro gusa, que contém um excesso de carbono e impurezas como silício (que torna o aço quebradiço), fósforo e enxôfre (que facilitam a oxidação). Retirado o excesso de carbono, silício e fósforo, através de processos relativamente fáceis, resta a retirada do enxofre (dessulfuração), que é mais complicada.

Inovações

A busca de eficiência no processo de dessulfuração do ferro gusa resultou em novos procedimentos e inovações em equipamentos, que aumentaram significativamente a qualidade final do aço e reduziram o consumo de energia, além de transformar um resíduo tóxico em material inerte. As conquistas são da equipe de pesquisa do Laboratório Interdisciplinar de Eletroquímica e Cerâmica da Universidade Federal de São Carlos (LIEC-UFSCar), em parceria com a Companhia Siderúrgica Nacional (CSN). A CSN atualmente produz 4,5 milhões de toneladas anuais de aço e já está operacionalizando as inovações.

Os processos atuais usam óxido de cálcio e carbonato de cálcio que reagem com o enxôfre, formando sulfeto de cálcio. Como a retirada do enxôfre não é muito eficiente, o aço chega a um padrão de qualidade 4 ou 5, numa escala de um a dez. “Acrescentamos carbeto de cálcio (conhecido como carbureto) e borra de alumínio (alumínio metálico), um resíduo da fabricação de alumínio, tóxico para as plantas”, conta Elson Longo, da UFSCar, coordenador da pesquisa. “O alumínio eleva a temperatura do banho e melhora a dessulfuração, convertendo-se, ainda, de alumínio metálico em óxido de alumínio, que deixa de ser tóxico”. Em seguida, é adicionada uma liga de magnésio e alumínio, ambos metálicos, e o resultado é um aço que chega a 10, na escala de qualidade.

As injeções dos elementos dessulfurizadores são feitas no carro torpedo — espécie de “esteira” na qual se faz o transporte do ferro gusa do alto forno para o conversor — de modo que não foi necessário fazer grande reformas na siderúrgica. O custo deste aço nobre, mesmo assim, é mais alto, porém a equipe também pensou num sistema de silos, que permite fabricar aço “a la carte”, com o padrão de qualidade (e preço) definido pelos compradores.

À adaptação no sistema de fabricação, eles acrescentaram também uma modificação no revestimento do carro torpedo, que ganhou uma camada interna de cerâmica altamente refratária e uma tampa, com as quais deixou de perder calor — cerca de 40oC — em seu curto trajeto. Tais medidas, em conjunto, resultaram numa economia de energia de 18%. Para os altos fornos, que usam carvão coque ou mesmo carvão vegetal, isso também significa uma redução nas emissões de gases do efeito estufa.
Fonte: widipédia

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