“A cidade que queremos” – Por Josias Gomes Ribeiro

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Uma cidade moderna, que possua uma boa infraestrutura urbana, com ruas e avenidas largas e bem cuidadas, arborizadas e com amplos passeios. Que possua um transporte coletivo de qualidade, com trânsito organizado que prima pelo respeito ao cidadão e ao pedestre. Uma cidade que conserva seu patrimônio cultural e artístico, que preserva sua arquitetura com imóveis que possuam significado e importância artística, cultural, religiosa, documental ou estética para a sociedade. Uma cidade que se preocupa com o meio ambiente, que trate seu esgoto corretamente, mantém as árvores nativas da região compatíveis com a sua população; que conserva suas matas ciliares, protegendo as nascentes e rios. Uma cidade com áreas de lazer, com parques e jardins, onde se possa tomar banho de rio. Onde saúde, educação, segurança, cultura e hospitalidade, sejam marca de qualidade para todos. Essa é a cidade que idealizamos, que queremos e merecemos.

Pensar em um espaço urbano assim é pensar qual a cidade que almejamos para nossos filhos e netos. Esse é o desafio do planejamento urbano que está colocado para o nosso município. Prestes a completar cem anos, a cidade do Divino, merecia esse projeto e muito mais.

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É muito importante, diria imprescindível para nossa cidade de Divinópolis, um planejamento urbano com vistas aos próximos 10, 20, 50 e até 100 anos; que assegure qualidade de vida e bem estar aos divinopolitanos de hoje e de amanhã. Mas para atingir esses objetivos, temos muito trabalho pela frente.

Com relação ao planejamento urbano, lamentavelmente, a nossa cidade não construiu ainda, qualquer projeto de médio e longo prazo, que nos permita olhar com segurança, para além dos seu primeiro centenário e enxergar um novo horizonte, melhor para todos.

Desde as avenidas e ruas centrais largas e bem dimensionadas, um legado de Antônio Olímpio de Moraes; o sonho de se construir uma cidade Universitária CIDU, legado de Aristides Salgado; as amplas e extensas galerias pluviais/fluvias, legado de Antônio Martins, pouco mais se fez pensando na cidade de nossas gerações futuras.

Ainda se paga caro pelo devaneio de irresponsabilidade conduzido por administrações passadas, ao aprovar dezenas de loteamentos na periferia da cidade, sem a mínima infraestrutura básica. Hoje assistimos perplexos, a especulação imobiliária que avança sem controle e já é responsável pela demolição de centenas de casarões no centro e entorno da cidade velha.

A construção de aranha céus dentro de vilas, ruelas, alamedas e becos é a constatação cabal de que não possuímos regras minimamente razoáveis de uso e ocupação do solo. Alguns dirão que esse é o preço do progresso; eu digo, que é o resultado de uma brutal
especulação, consentida pelo poder público, que não regula nem normaliza, preferindo lavar as mãos, diante do capital especulativo, fonte de financiamento de campanhas políticas.

Em poucos anos não teremos mais nenhum casarão na cidade que possa simbolizar para nossos netos o que um dia foi cidade de Divinópolis nos seus primeiros cem anos. Assistimos perplexos ainda, a morte de dezenas de lagoas, nascentes e pequenos riachos que aos poucos e sem qualquer fiscalização, vão dando lugar a novos empreendimentos e principalmente novas especulações imobiliárias, que a nada parecem respeitar ou temer. O maior centro de lojas da cidade fora construído praticamente dentro do rio Itapecerica, em terreno doado pelo poder público á iniciativa privada. A rua ao lado desse mesmo Shopping Center, teve um córrego canalizado para se transformar em estacionamento e beneficiar seus investidores. Assim o público e o privado se confunde prevalecendo o interesse desse último em detrimento do primeiro.

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Não é diferente o tratamento dispensado aos nossos parques e jardins. Há quanto tempo o município não presenteia a cidade com um novo parque ecológico?
Não me lembro de um novo parque nos últimos dez anos, mas nesse período, dezenas de empreendimentos, condomínios de luxo e demolições de casarões foram executados, sem piedade ou critérios.

Um belo exemplo aqui tão próximo e o da capital mineira, que com pouquíssima área ainda não edificada, entregou á comunidade DEZ NOVOS PARQUES NOS ÚLTIMOS ANOS.
Agora mesmo estamos acompanhando o cercamento e urbanização de um condomínio de alto luxo no bairro Alvorada. Nesse caso, precisamos saber qual a contrapartida foi apresentada ao município, dentro dos 30% destinados ao poder público, que bem poderia ser um novo parque para a comunidade em geral.

E por falar em espaço verde para a comunidade, nos lembramos da lagoa do Sidil, que resiste suplicante e agonizante, podendo ser a próxima VÍTIMA, se nada for feito imediatamente, pois após o calçamento de ruas em seu entorno, o número de veículo que trafega em suas margens, mais que triplicou nos últimos meses.

Pobre cidade que assiste inerte e impotente, a morte das suas belezas naturais, em nome do capital especulativo e da falta de vontade política, de planejamento urbano e de fiscalização. A nossa OMISSÃO E CONIVÊNCIA, com esse estado de coisas, nos deixam tristes e indignados. Não temos outra opção e ação, senão cumprir com a nossa responsabilidade de cidadão, alertando e mobilizando, como também cobrando das nossas autoridades, ações e atitudes. Apesar de tudo isso, tenho esperanças e convicção de que o governo do prefeito Vladimir, possa colocar fim a esse estado de degeneração e estupidez instalado na cidade que tanto amamos e queremos bem.

Como membro do Conselho do Centenário de Divinópolis, apresento essas preocupações para reflexão e compartilhamento de idéias que possam lançar luzes em busca soluções para um efetivo planejamento urbano que nos conduza a um novo tempo em nossa cidade.

Prof. Josias Gomes Ribeiro Filho
Membro efetivo do Conselho do Centenário.

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