Governador de Minas, fala sobre as alianças com Itamar Franco e José Serra – Defende os estados do Rio e Espírito Santo na questão dos royalties

Publicado por: suporte

A entrevista ocorreu nesta terça-feira, no Rio de Janeiro, durante a sessão solene da Academia Brasileira de Letras em homenagem ao centenário de nascimento de Tancredo Neves. Em seu pronunciamento, ele lembrou o respeito e admiração que o seu avô e presidente tinha pelas letras.

O Lula e a Dilma vão estar no dia 31 em Minas, isso então não vai mudar?
Minha agenda já está marcada. A informação que eu tive é parece que é dia 30. Não sei da agenda do presidente, ele tem ido muito a Minas. São sempre muito bem vindos, mas neste momento eu tenho as minhas prioridades e a minha prioridade agora é encerrar o meu mandato. Então o meu afastamento do Governo será no dia 31. E acho, se não me engano, a agenda do presidente ficou dia 30.

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E a questão da chapa para o Senado. Vai ser e o senhor mesmo e o Itamar? Está confirmado?
Não há nenhum fechamento. Eu pretendo colocar meu nome como candidato ao Senado. Temos uma aliança em Minas muito ampla, uma aliança que reúne talvez doze ou treze partidos políticos e a chapa tem que ser fruto de um consenso dentro dessa aliança. O presidente Itamar é um forte potencial candidato ao Senado, mas o fechamento, vamos dizer, a convergência total da chapa, da composição do vice, candidato junto com Anastasia, só deverá ocorrer no final de maio.

O senhor defende uma chapa puro sangue no PSDB independentemente se ser o senhor ou não o vice? O senhor acha que daria autenticidade?
Acho que a lógica não deve se prender a que seja do PSDB ou de fora do PSDB. Deve ser o nome que mais ajude a nossa vitória. Temos alternativas. Eu, no momento que saio do centro dessas discussões, no momento que deixo de ser pré-candidato do partido, obviamente, também não tenho o direito de estar interferindo nessa construção.
Acho que os aliados, assim como o PSDB, querem vencer as eleições. Então nós devemos buscar isso no momento certo e a direção do partido deve conduzir isso, ao lado da direção dos aliados e do próprio candidato José Serra, e buscar o melhor nome, esteja ele dentro do PSDB ou fora do PSDB. Isso para mim não é relevante neste instante. O meu papel e a forma que eu tenho melhor de ajudar a candidatura de José Serra é estando em Minas Gerais, como candidato ao Senado.

O senhor tem conversado com a coligação aqui do Rio, com vista à campanha do Gabeira. O senhor vem ao Rio? Já tem alguma coisa acertada?

Eu vou estar à disposição do meu partido e das alianças que o meu partido vier a construir. Recebi há algumas semanas atrás o meu amigo Fernando Gabeira em Minas Gerais. Conversamos muito sobre o seu projeto e acho que a solução aqui no Rio em torno do Gabeira é uma solução adequada, dentro das limitações que o PSDB tinha e eu serei sempre, a partir de Minas Gerais, um instrumento da nossa vitória em nível nacional, mas sempre à disposição também dos partidos regionais onde acharem que eu possa de alguma forma ajudar.

O senhor entende que já está descartada qualquer aliança com o governador José Serra?

Não. Eu estarei ao lado do governador José Serra. Entendo que, para o Brasil, seria importante encerrarmos esse ciclo, reconhecermos os avanços que o Brasil viveu, não apenas a partir de 2003, mas um avanço que começa com o governo Itamar, passa pelo governo do presidente Fernando Henrique. E a grande verdade é essa. Não teria existido o governo Lula como é hoje, se não tivesse havido o governo do presidente Fernando Henrique com a estabilidade econômica, com a Lei de Responsabilidade Fiscal que o PT votou tão contra e o próprio Plano Real também teve a oposição do PT, se não houvesse o inicio dos planos de transferência de renda, os marcos reguladores da macroeconomia. O governo do presidente Lula não é um governo de ruptura, é um governo que dá continuidade ao governo do presidente Fernando Henrique, avança nos programas sociais, temos que reconhecer isso, e acho que a grande tarefa do PSDB é demonstrar que, daqui pra frente, temos melhores condições de consolidar as reformas que ficaram no meio do caminho. Termos uma política externa menos ideológica e muito mais pragmática, na direção dos interesses do Brasil. E estarei ao lado do companheiro José Serra. Só que na nossa avaliação em Minas Gerais, a forma melhor de ajudá-lo, é estando em Minas e, a partir de Minas, ajudar que ele tenha um belo resultado nosso Estado.

A candidatura do José Serra sai agora no dia 10 de abril. Muito se falou sobre o timing do lançamento dessa candidatura. O senhor acha que 10 de abril é lenta, é atrasada, entra no tempo certo…

Acho que a campanha sequer começou. Tenho muito confiança que a experiência do governador José Serra, seu histórico político, no momento em que nós tivermos um debate entre candidatos e entre propostas, acho que o maior desafio do PSDB não é nem o de lançar candidaturas, mas de encontrar o discurso e demonstrar com clareza – seja a partir das nossas administrações estaduais, ou até do que fizemos lá atrás – que temos melhores condições de levar o Brasil daqui por diante, acho que temos todas as condições de, no embate entre os candidatos, demonstrar que é mais seguro o Brasil ser governado pela nossa aliança e pelo governador José Serra. E eu estarei, a partir de Minas Gerais, trabalhando nessa direção.

O senhor já falou a favor do Rio nessa questão dos royalties. Agora nesta noite de homenagem ao seu avô, como o senhor acha o senador à época Tancredo Neves lidaria com esse imbróglio gerado pelos royalties?

Talvez ele estivesse evitando ou tivesse até ajudado a evitar que esse imbróglio chegasse aos termos que chegou. Acho que está faltando hoje ao Congresso Nacional um pouco mais de desprendimento, de generosidade, de visão de pátria. Essa questão dos royalties é uma questão que tem que ser discutida a partir do respeito aos direitos do Estado do Rio de Janeiro, do Espírito Santo e de demais estados produtores. E é muito possível fazer isso. É preciso fazer isso com uma generosidade, um desprendimento maior da União. Estamos vivendo no Brasil, na verdade, quase que num Estado unitário. Hoje, mais de 70% de tudo o que se arrecada no Brasil está concentrado nas mãos da União. É dali que tem que vir pelo menos parte dessa compensação e devemos falar numa divisão entre os demais estados brasileiros a partir daquilo que ainda não foi licitado. Acho que temos um caminho a percorrer desde que haja generosidade e acho que o Governo federal tem nas mãos a primeira e a principal oportunidade de fazer um gesto concreto na direção do Rio de Janeiro, na direção dos demais estados produtores.

O senhor já conversou com os senadores de Minas sobre esse assunto?
Conversei hoje mesmo com o senador Eliseu Resende, já havia conversado com o senador Eduardo Azeredo, e com senadores de outros estados, como Sérgio Guerra, como o meu companheiro Tasso Jereissati. Acho que o PSDB pode ajudar a construir esse entendimento e é muito simples. A base dele é a preservação dos direitos do Estado do Rio e do Espírito Santo. Não é possível imaginar que qualquer estado brasileiro possa ter uma perda tão expressiva como essa entre R$ 6 bilhões e R$ 7 bilhões de uma hora para outra. Mas partindo do respeito a esse direito adquirido, é preciso também que da parte de todos, inclusive do Rio e do Espírito Santo, haja uma compreensão de que o que vier daí por diante, os recursos do pré-sal que serão extremamente expressivos, possa ajudar o Brasil a diminuir as desigualdades. Acho que nenhum carioca, e eu me considero um carioca de alma, nenhum capixaba quer que o Brasil aprofunde o fosso que nos separa entre regiões dentro dos próprios estados. Então, preservado o direito adquirido, é preciso que haja a generosidade de todos para construirmos uma repartição justa desses outros recursos que virão a partir de agora entre todos os estados, no que depender de mim, para resolver o problema do presente e o problema do futuro. O problema do futuro é educação. Só se resolve os problemas que o Brasil viverá lá na frente com investimentos maciços em educação. E o problema do presente mais grave é o da saúde pública vergonhosa que hoje é oferecida à população. Investimento, portanto, em educação e saúde para os outros estados a partir da preservação daquilo que o Rio e o Espírito Santo têm direito hoje.

O senhor estipulou uma data para oficializar a candidatura ao Senado?

Não. Apenas tenho uma data que é o próximo dia 31, na próxima quarta-feira, não desta semana, na outra, que eu deixo o Governo de Minas. A oficialização ocorrerá naturalmente na convenção no mês de junho.

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