O evento reuniu gestores estaduais e municipais, além de representantes de hospitais especializados no tratamento da doença e de conselhos regionais de saúde e de classe.
De acordo com os novos números divulgados pelo fórum, Minas Gerais deve apresentar 46.630 novos casos de câncer no próximo ano, segundo estimativa do Instituto Nacional do Câncer (INCA). Serão 23.790 registros em mulheres e 22.840 em homens.
O encontro didaticamente esclareceu a importância de as autoridades de saúde voltarem-se para o tema de maneira mais diretiva. “O câncer é a segunda maior causa de mortalidade em Minas Gerais, e em Divinópolis a situação configura-se de igual modo”, disse a secretária de Saúde. “A primeira causa de mortalidade no Centro-Oeste e no Estado são as doenças cardiovasculares.”
A secretária de Saúde conta que o Fórum foi altamente esclarecedor, do ponto de vista científico, sobre os avanços obtidos com pesquisas na área, discutindo estratégias para alcançar metas para controle do sério problema de saúde pública.
A neoplasia ou câncer é grupo de doenças que se caracterizam pela perda do controle da divisão celular e pela capacidade de invadir outras estruturas orgânicas.
O câncer pode ser causado por fatores externos (substâncias químicas, irradiação e vírus) e internos (hormônios, condições imunológicas e mutações genéticas). Os fatores causais podem agir conjunta ou seqüencialmente para iniciar ou promover o processo de carcinogênese. Em geral, dez ou mais anos passam-se entre exposições ou mutações e detecção do câncer.
O câncer é doença absolutamente suscetível de prevenção, com tratamentos totalmente eficazes para mais da metade dos casos. “Definitivamente, hoje o câncer já não é sentença de morte como antigamente eram a cólera, a tuberculose ou a hanseníase (lepra). Pelos dados disponíveis e pela história de incidência da doença, vemos que o câncer é tratável”, disse Cherie Mourão, lembrando que se pode ter recuperação completa para alguns tipos de câncer, desde que sejam diagnosticados ao início.
Existem fatores de risco, isto é, estar mais exposto ao risco de câncer, que podem ser evitáveis ou não evitáveis. Para prevenção, é preciso esclarecer às pessoas que trazem o fator de risco na bagagem de saúde, ressalta a secretária de Saúde.
Entre os fatores de risco não evitáveis, está, por exemplo, a idade. À medida que envelhece, o organismo fica mais suscetível a desenvolver células cancerígenas. Outro fator diz respeito ao gênero: alguns tipos de câncer estão mais ligados ao gênero feminino do que ao masculino, como câncer de colo de útero, de mama e próstata.
“Os fatores de risco evitáveis são aqueles que precisam ser trabalhados pelo poder público, tais como o tabagismo”, nota a secretária. Tabagistas têm fator de risco excessivamente acentuado para desenvolver alguns tipos de câncer. A radiação solar pode provocar câncer de pele, quando se está a ela mais exposto sem proteção. O alcoolismo está de certa forma relacionado à degradação do fígado, o que torna alguém mais propenso ao câncer. Além dos fatores, é comum mulheres serem infectadas pelo HPV (sigla em inglês para papiloma vírus humano), que causa lesão no colo do útero, potencialmente precursora do câncer de colo de útero.
De acordo com as estatísticas apresentadas no Fórum, entre as mulheres o câncer de mama deve ser o que terá o maior número de registros, chegando aos 4.250 casos, com predominância dos cânceres de colo do útero, de cólon. Para o sexo masculino, o câncer de próstata deve prevalecer, com 5.350 casos. O número de casos de câncer de traqueia, brônquio, pulmão e de estômago deve também aumentar. O objetivo desse mapeamento é planejar ações educativas e de prevenção dos fatores de risco.
“O Fórum Estadual para Prevenção e Controle do Câncer orientou os gestores municipais a planejarem ações educativas e de prevenção dos fatores de risco”, disse Cherie Mourão. “Em Divinópolis, veremos de que forma melhor rastrearemos as mulheres à procura de problemas de mama e colo de útero.”
O câncer de mama e colo de útero pode ser perfeitamente prevenido de maneira simples, com o exame clínico da mama e da mamografia. No caso de colo de útero, deve-se realizar exame preventivo de Papanicolau, pesquisa citopatológica de células do colo uterino. Ambos os exames podem rápida e seguramente detectar se ali ocorre qualquer tipo de lesão que seja realmente precursora de câncer, mesmo em fase inicial.
Se se encontra o carcinoma in situ (câncer não invasivo) de localização primária, quando está somente em determinado órgão, então as chances de cura são quase 100%. Daí a importância de os gestores municipais desenvolverem ações que ataquem o problema, como mamografia, exame oferecido a todas as mulheres acima de 40 até 59 anos de idade.
Mulheres da faixa etária inferior a 40 anos podem ter outro fator de risco. Se houver história familiar para o tipo de câncer, isto é, se geneticamente se demonstra ser mais frágil por haver casos em família, ou se houver alteração na mama, como nódulo, deve-se realizar o exame, ainda que se esteja fora da faixa etária.
Para o câncer de colo uterino, a ação mais importante é o rastreamento, porque em fase inicial a doença é totalmente assintomática, ou seja, não se tem nenhum sintoma. A única medida que pode detectar se o problema se inicia na área é realizar o exame preventivo de Papanicolau, oferecido pela rede pública a todas as mulheres acima de 25 até 59 anos.
“Principalmente as mulheres que há mais de um ano não realizam o exame devem procurar a unidade de saúde mais próxima para realizar o rastreamento”, adverte a secretária de Saúde.
Outra ação especialmente auxiliar em aspecto preventivo é a oferta de vacina de hepatite B de modo mais extenso à população. Estudos comprovam que a imunidade ao vírus da hepatite B evita o hepatocarcinoma, câncer de fígado. Logo, a proteção pela vacina diminui a incidência.
Também o Ministério da Saúde estuda outra forma de prevenir o câncer pela vacina contra o HPV. Se se desenvolve imunidade contra o vírus, principalmente antes de exposto à infecção, fica-se mais protegido contra a infecção pelo vírus, que causa lesão ao colo do útero, um dos grandes precursores de desenvolvimento de câncer de colo de útero.
“Em futuro próximo ações de vacinação serão dispostas no serviço de saúde público para redução de incidência”, afiram a secretária. A vacina, contudo, não substitui o rastreamento pelo Papanicolau de colo de útero e pela mamografia, que são exames complementares.
“Percebemos que o governo do Estado está fortemente determinado a realizar investimentos para controlar o câncer”, disse Cherie Mourão. A Secretaria de Estado da Saúde iniciou medida em que todo o Estado já garantiu os exames, determinando que todo cidadão mineiro com diagnóstico de câncer tem direito ao tratamento integral resguardado, seja quimioterapia, seja radioterapia. Tanto o Fundo Nacional da Saúde como os fundos municipais da Saúde recebem valor fixo do Ministério da Saúde para atendimento de alta complexidade em tratamento de câncer.
Entretanto, como o número de tratamentos necessários era superior ao recurso, o governo do Estado garantiu a todos os prestadores de serviço de saúde que os paciente atendidos pelo Sistema Único de Saúde – SUS, com diagnóstico de câncer têm garantia de tratamento completo.
Por isso, o Estado já investiu mais de R$ 41 milhões especificamente para suplementar o valor que o teto do recurso normalmente oferecido não supriria. O governo do Estado paga tudo o que vem a mais e assegura o direito a quem precisa do serviço, o que torna o gestor municipal mais tranqüilo por não depender de financiamento.
Release: PMD





