Ela que é repudiada por dirigentes, jogadores, policiais, imprensa e muitos torcedores e freqüentadores dos estádios estraga a beleza do espetáculo e mancha a história do futebol, paixão nacional dos brasileiros. Enquanto os jogadores brigam dentro de campo para mostrar quem é o melhor, a torcida inflamada por hinos e canções que incentivam o time do coração e provocam o adversário aguçam a rivalidade. Essa mesma rivalidade remete a violência dentro e fora das quatro linhas.
Na partida entre Coritiba e Fluminense, por exemplo, bastou um empate para o Estádio Couto Pereira se transformar em uma praça de guerra. Os torcedores, inconformados com o rebaixamento do Coritiba para a Série B, invadiram o campo e partiram para cima do juiz Leandro Vuaden, que precisou de escolta policial para deixar o gramado. Um helicóptero da Polícia Rodoviária Federal foi chamado para socorrer os feridos em estado grave. Cadeiras voavam das arquibancadas, e até mesmo as ripas que sustentavam as placas de publicidade que ficam à beira do campo foram arrancadas e serviram como arma no confronto entre torcedores e policiais. O time do Fluminense também entrou na briga, com a invasão do campo, os jogadores foram acuados junto à sua torcida. A polícia militar, com um efetivo bem inferior ao número de torcedores, só conseguiu controlar a multidão com balas de borracha e bombas de efeito moral. Até uma mangueira de apagar incêndio foi usada a fim de conter os ânimos dos mais exaltados. De acordo com as primeiras informações da Polícia, 14 pessoas ficaram feridas no confronto, duas em estado grave.
Até o que era para ser motivo de comemoração terminou em pancadaria. No Leblon, torcedores rubro-negros se envolveram em um tumulto que manchou a festa do hexacampeonato. Um torcedor foi agredido com um pedaço de pau e vários chutes. Outros torcedores se envolveram na briga e inflamaram, ainda mais, o vandalismo.
Já dentro de campo, uma simples marcação, por exemplo, vem acompanhada por empurrões, puxões, bate-bocas, ofensas, cabeçadas e por aí vai. Essas, por sua vez, acabam em calorosas discussões, que consequentemente, terminam em agressões físicas. Na intenção de esfriar os ânimos, outros membros dos times tentam pôr fim ao tumulto e, acabam se envolvendo na confusão. Nessa hora só o árbitro consegue apaziguar a situação. E faz isso à sua maneira: expulsa os exaltados e dá continuidade a partida. Em alguns episódios é necessária a intervenção da polícia. E o que era para ser uma disputa sadia torna-se um confronto.
Eles que tanto pregam a paz nos estádios travam uma verdadeira guerrilha dentro de campo da maneira mais desleal com carrinhos e entradas mal intencionadas. Eles fazem do que era para ser um espetáculo de dribles, lances bonitos e raça, um circo de horrores. Eles que deveriam dar o exemplo perdem a cabeça, a taça, a razão e nos envergonham. E para quê?
Campeonatos como o Brasileirão, por exemplo, todos os anos têm. É válido dar o melhor de si pela disputa do título, mas honrar a camisa vai além de fazer gols. Significa ter raça, união, cumplicidade e, acima de tudo, respeito pelo ser humano, estejam eles vestindo a camisa que for.
E, para os torcedores, há formas de se protestar, sem violência. O jogador do seu time não deu o melhor de si? Você não concorda com o time que foi escalado, etc? Não vá ao campo. Não apóie seu time se você acha que ele não merece. Cobre dos dirigentes e dos jogadores garra, raça, reforços, títulos, mas sem perder a cabeça, contudo sem perder nem acabar com a vida de ninguém. Futebol é arte, é esporte, é saúde… vamos festejar nos estádios, aplaudir, vibrar, rir, comemorar, xingar, cantar…vamos fazer do futebol o espetáculo que ele merece ser, no qual famílias podem se orgulhar de comparecer em peso aos estádios. Vamos fazer valer a paz que tanto buscamos. É necessário pedir a paz, mas é fundamental promovê-la!!!
Michelle Janaína
Registro de Jornalista Profissional: 12.850/MG




