Há algumas edições, um jornal que sistematicamente tem publicando matérias, artigos e editoriais sobre a Câmara Municipal de Divinópolis, sob a forma de denúncias, irregularidades e o comportamento dos vereadores e do presidente em plenário.
A situação chegou ao seu ápice quando em “editorial”, o nome dos vereadores Valdemar da Pamer e Adair Otaviano, ambos do PMDB e Beto Machado (PSDB) foram citados.
É necessário, primeiramente que se entenda o significado de um editorial. Diz-se que editorial é a opinião do veículo de comunicação quanto instituição. Mesmo que tenha sido redigido por um editorialista, o seu conteúdo expressará o posicionamento oficial do veículo.
Uma das coisas mais bonitas no trabalho dos novos profissionais do jornalismo é a consciência permanente de que, um veículo comprometido com a verdade cria uma ponte que os liga diretamente aos anseios dos leitores, conseqüentemente do povo.
O texto de um editorial deve ser a palavra, o pensamento, e o sentir do veículo e não a opinião pessoal de fulano ou beltrano. É péssimo que qualquer pessoa queira confundir-se com o veículo e queira fazer da sua opinião a opinião do órgão de informação.
O bom seria que em uma redação várias pessoas escrevessem o editorial, quando necessário, aí sim seria percebido que há harmonia na condução da linha editorial do veículo, fala-se a mesma linguagem em todas as editorias.
Concluem-se como aberrações jornalísticas, editoriais assinados ou induzidos por diretores. Que escrevam eles e assinem seus artigos e matérias, desta forma não comprometerão profissionais que não comungam com seus editoriais, mas habitam sob o mesmo teto.
Isso existiu em Portugal na época da ditadura, tornaram-se práticas utilizadas em jornais estatizados. Como exemplo: num deles, o diretor que foi deputado e dirigente de um partido do Governo, exerceu o monopólio da opinião. O editorial era a sua pessoa e sua personalidade se fundindo. Situações como essa prostituem o jornalismo de opinião.
Dito isto, vamos transcrever literalmente as nervosas falas dos vereadores em plenário, com a opção de transmissão de áudio da seção. Bata clicar no título abaixo.
Waldemar da Pamer (PMDB) – (Clique aqui) Ouça áudio da seção plenária na Câmara
Sr. Presidente peço permissão para falar sentado, Sr. Presidente, caros colegas vereadores, imprensa, pessoas que nos visitam boa tarde, Sr. Presidente ao ler o editorial do jornal agora de hoje eu me perguntei porque tanto destempero. Será porque eu assinei junto com a vereadora Eloisa Cerri e o vereador Edson Sousa o requerimento pedindo os gastos da Prefeitura e da Câmara Municipal com a mídia? Estamos esperando esta resposta, porque há suspeita, que fique bem claro, que há suspeita que um órgão da imprensa está pretendendo faturar 3 milhões de reais nos quatro anos do governo tucano. Será que é por esta razão que alguns órgãos de imprensa que usam lupas gigantes para fiscalizar a Câmara e não fiscaliza os atos corruptos da prefeitura.
Sr. Presidente, talvez aí esteja a explicação dos destemperos do editorial, felizmente eu cheguei neste mandato sem dever promessa de campanha a ninguém, independente financeiramente, por isso que eu sou uma ameaça aqui nesta Câmara. Tudo que se passa aqui onde tem corrupção. Que eu posso numerar duas coisas aqui sem medo de errar: A compra do hospital Santa Mônica, onde ali ia escorrer pelo ralo mais de 12 milhões de dinheiro do povo, que ia ser jogado fora.
Aquela negociata dos computadores, 250 computadores que davam ali um prejuízo pro erário de 900 mil reais. Será que é por isto presidente?
Eu quero saber se o povo concorda com meu mandato? Eu não fui eleito aqui para satisfazer sargento do Jornal Agora não. A ditadura acabou, nós estamos num pais democrático eu não estou na Venezuela de Hugo Chaves não. Eu estou no governo do presidente Lula, um democrata, um cidadão respeitado, que com muita dignidade está levando nosso pais a se tornar um pais de primeiro mundo.
Provoca-me asco a forma como alguns órgão da imprensa faz um propaganda governamental a troca de verba pública.
Uma mulher se vender é muito feio, mas um homem se vender por causa de dinheiro pra mim é que nem uma prostituta. É o caso do dono do jornal agora. Ele se vende para a prefeitura municipal e pra quem paga mais e não tem moral, não tem credibilidade pra tocar no meu nome como empresário desta cidade, não quero que aquele homem chega próximo de mim, ele não tem dignidade;
A sua empresa está penhorada na justiça por falta de pagamento de funcionário. Ele não tem essa moral nem nenhuma pessoa daquele jornal para falar deste rapaz vereador um empresário, filho de um homem que fui um combatente como meu pai junto ao MDB depois PMDB.
Quem é aquele homem para falar de mim? Quem é aquele homem para dizer que eu sou uma pedra no calcanhar da administração. Eu sou um calo no pé da corrupção eu sou um calo e não vou me calar e não vai ser jornal agora, jornal nenhum desta cidade que vai me calar eu vou falar aqui a verdade, doa a quem doer. Pode ser quem for, não me interessa se é rico, se é pobre, se é preto, se é amarelo, roxo. Roubou, vou falar aqui que roubou e pode ficar certo a população carente desta cidade. Aqui tem um vereador que não tem medo de nada, não tem medo da verdade, e a verdade vai ser dita aqui.
Esse cara pensa que ele manda nesta cidade. Ele não manda em mim não. Ele pode mandar nas negas dele na Rua Pernambuco, no quarto andar ali, mas em mim ele não manda não. Ele não vai me calar não, para a corrupção aqui nesta cidade me calar, tem que me matar.
Ele é um covarde. Fala que eu distribuo fel aqui nesta Câmara, mas ele distribui é sangue, com a sua covardia, porque usa o editorial para denegrir a imagem de um homem público como Valdemar da Pamer e o vereador Adair que está no seu segundo mandato. Um vereador integro um vereador honrado.
Nós não estamos aqui brincando de fazer política não. Nós temos aqui em Divinópolis hoje 10% da população passando fome na periferia, nos temos aqui 15% dos nossos jovens se drogando porque não tem emprego.
Ele devia cuidar da família dele que não dá conta de cuidar, porque eu dou conta de cuidar da minha.
Então Sr. Presidente, eu vi o desespero deste jornal, desta calunia difamatória. Inclusive ele está acusando a comissão de ética, que é presidida por um tucano, que é uma das pessoas mais respeitada desta casa que é o nobre vereador Beto Machado, todos vereadores aqui são respeitados, mas tem uns que se destacam mais do que outros. Jamais vereador Beto Machado fui contra suas atitudes aqui nesta casa.
Nós não podemos deixar um caro do nível desse, entendeu, um ditador, um cara acostumado a espancar gente nos porões da ditadura. Vim aqui falar pra mim, o que eu devo fazer e o que não devo. Sou empresário há 24 anos aqui nesta cidade. Procura o me pedigree, procura o meu pai, os meus irmãos, a minha família.
Olha pra aquele cara no espelho aquilo é um ditador, que espancava gente nos porões, agora está aposentado……
Barulho de aplausos
Agora quer meter o pau em vereadores aqui nesta casa. Vocês podem se acovardar, mas eu não. Eu não sou homem de esconder das coisas que procuro não. Eu procurei a política. Eu não faço política pra roubar não, como muitos fazem aqui em Divinópolis não.
Eu faço política é porque eu gosto. Eu gosto de ajudar as pessoas. Eu ajudo uma casa de recuperação de drogados há 18 anos, eu mantenho. Tem 60 pessoas lá recuperando de droga e álcool. Se algum de vocês suspeitar desta palavra vamos até lá.
E toda vez que este jornalzinho me acusar eu vou responder a altura.
Este coronel metido a sargento a mandar nesta cidade a mandar na política. Ele pode mandar é no prefeito no vice-prefeito no deputado. Em mim não. Eu não vou me calar, como ele calava o Galileu no PMDB.
Eu encaro ele da forma que ele quiser. Eu espero que isto aqui não se repita. Um editorial igual aquele, porque se repetir vai ter o troco aqui nesta tribuna.
A geração que virá vai me dar a certeza do que eu estou fazendo aqui eu estou fazendo para o bem de Divinópolis, eu estou fazendo para o bem das pessoas menos favorecidas, aquelas que moram no bairro longe, aquelas pessoas que não tem o que comer, aquelas pessoas que muitas vezes não tem o dinheiro pra pegar nem um ônibus pra vim no centro da cidade.
Não estou aqui fazendo média política não, agora. Manda ele me procurar e conversar comigo de homem pra homem, não mandar recado pra mim não.
Porque o prefeito foi na minha casa me comprar. O prefeito foi na minha casa me comprar
Pensou que eu fosse moeda de troca, igual ele foi na casa de muitos de vocês e conseguiu alguma coisa. Conseguiu empregar parente de vocês, conseguiu empregar pessoas que vocês indicaram. Eu não indiquei ninguém pra prefeitura nem vou indicar.
Falei aqui e torno a repetir Vereador não é eleito pra bajular prefeito. O vereador é eleito pra fiscalizar o prefeito
Mais barulho de aplausos
Nós não estamos aqui pra fazer média com ninguém. Nós estamos aqui para defender o livre direito democrático das pessoas poder apresentar os projetos aqui e ser bem aceita pela comunidade, pela sociedade. Eu não estou aqui fazendo gracinha…..
Terminado o tempo do vereador, o presidente lhe concedeu mais 5 minutos
Eu não estou aqui pra fazer gracinha pra jornal agora não, pra sargento faria não, Estou aqui fazendo um trabalho sério onde eu largo minha empresa e venho aqui procurar ajudar a sociedade de uma cidade onde criei minha família, estou criando meus filhos, quero criar meus netos, eu sou enraizado aqui em Divinópolis. Eu não vou fazer gracinha para coronel faria não.
Se ele tiver pensando que vai meter a mão na prefeitura, sem a Câmara ficar sabendo, nós vamos falar aqui. Nós vamos falar, o que eu ficar sabendo eu vou falar, eu não tenho medo de cara feia, não tenho medo de revolver, não tenho medo de nada, nem da morte eu tenho medo muito mais muito menos de uma pessoa igual aquela ali, inescrupuloso, caloteiro.
Muito obrigado Sr. Presidente
Fim do discurso do vereador Valdemar da Pamer
Barulho de Aplausos
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O vereador Rodyson após o discurso de Valdemar pede a palavra
Resumo de fala do vereador Rodyson (PSDB)
Disse ser a Câmara a casa do povo onde reina a democracia, concorda com parte da fala do Valdemar, mas repudia a questão da compra dos computadores e o caso da compra do hospital Santa Monica.
Com relação aos computadores afirma são velhos e obsoletos, além de usarem programas piratas, por isto, a necessidade de serem trocados urgentemente.
Já a defesa do Santa Monica, ele afirma que em nenhum momento o prefeito falou em comprar o Santa Monica, estavam apenas estudando a viabilidade e estava sendo feito um estudo. Chegou-se a conclusão que o melhor é construir e isto vai ser feito, construindo o melhor hospital da cidade.
A seguir o discurso do vereador Odair Otaviano (PMDB)
Gostaria de cumprimentar na tarde de hoje o tribuno Altivo que vem trazer as suas idéias a esta casa com relação a possibilidade dos trilhos da nossa cidade para que seja utilizado aquele espaço, criando-se um espaço para ciclovia, plantando coqueiros e outras árvores preservando o nosso meio ambiente, o Altivo está de parabéns porque a maioria dos cidadãos, a maioria das pessoas não tem uma consciência que o ser humano deve preservar o meio ambiente de deve sempre plantar mais uma árvore.
O segundo assunto Sr. Presidente é com relação a fala deste vereador na reunião passada, este vereador fez pedido a esta mesa diretora e esta presidência que se tome medidas drásticas cabíveis com relação a este órgão que ora vem atacando esta casa, sendo que esta casa não esta casa não está devendo a este órgão.
Peço aqui Sr. Presidente como pedi na reunião passada, que façamos uma moção de repudio contra este órgão, porque este órgão está desrespeitando este poder. Este poder não é um poder que trabalha em prol de qualquer que seja o órgão. Este poder representa a população. Todos que ora estão aqui estão com mandatos dado pelo povo pela vontade popular então o que este vereador vem pedir nesta tarde é que esta mesa não deixe passar e que se faça uma moção de repudio contra este órgão que está dando tiro pra tudo quanto é lado e quer acertar o primeiro que passar na frente.
Como disse o nosso amigo vereador Valdemar, ele está aqui porque assim foi a vontade do povo, ele tem um mandato popular foi eleito pelo povo e tem que falar em nome dele.
Quanto ao vereador Adair Otaviano, muitos tem que lavar a boca pra falar do nome dele. Estou aqui há três mandatos e não entrei pela porta dos fundos. Entrei pela porta da frente eleito pelos cidadãos divinopolitano o qual tenho muito respeito.
E olhando esta matéria, se eu estivesse nesta presidência, eu cortaria qualquer gasto com este tipo de órgão, mas quem sabe qualquer dia eu chego a esta presidência e quero te dizer Sr. Presidente, criticar é muito fácil, enxergar um cisco no olho do outro é muito fácil, mas não consegue enxergar um palito dentro do próprio olho.
Quando se dirigem ao vereador Valdemar e ao vereador Adair dizendo que nós fazemos comentários desairosos contra este órgão, nós não estamos fazendo tais comentários nós estamos simplesmente sendo criticados e desrespeitados.
Toda matéria que sai neste órgão é com desrespeito a esta casa. E nós a casa do poder temos que tomar decisão com relação ao que está acontecendo. Nós podemos observar que neste editorial os vereadores foram chamados de uma parcela tonta, chega a ser ridículo ao dirigir-se a este poder, às pessoas que foram eleitas pelo povo para falar em nome do povo.
Outra parte do editorial conseguem desrespeitar a todos, nós podemos perceber que eles não são desrespeitosos somente com esta casa, mas com a população divinopolitana que escolhe os representantes que ora estão aqui. Dirigindo também com desrespeito ao eleitor chamando-os de eleitor menos qualificado. O que é qualificação pra quem está escrevendo isto aqui. Quem pode qualificar uma pessoa que tem coragem de escrever isto daqui, qualificar outra pessoa.
Na realidade Sr. Presidente quem precisa de políticas publicas é o cidadão mais humilde menos esclarecido é que precisa desta casa.
Também quando fala que jamais votaria no vereador Adair e no vereador Valdemar, eu jamais precisarei de um voto destas pessoas, eu costumo queimar a cara de onde estão acontecendo as obras. Eu fiscalizo embaixo do sol, queimando o rosto, não costumo ficar dentro de gabinete, não são os poderosos e os ricos que vão ganhar cargos, vai queimar a cara como nós queimamos lá, vai queimar o rosto igual nós queimamos…..
Quando falam de uns problemas que aconteceu com meu assessor há alguns dias atrás, quando eu tropeço arranco a cabeça do meu dedão…..Tenho consciência e acredito na justiça.
O que aconteceu com meu assessor cabe a justiça julgar e não cabe nenhum outro manifestar, mas é a justiça que vai me julgar. Eu acredito no poder da justiça, porque eu não devo nada, quem não deve não tem que temer, não tenho medo, não temo, porque eu não devo. Posso ser apreciado pela comissão de ética pelo poder judiciário porque eu não devo nada não tenho o que temer.
Quer encher lingüiça em papel pode continuar, mas esta casa não pode se submeter a esses desrespeito que estão acontecendo com a gente. De forma presidente que após esta reunião vamos sentar todos os vereadores para tomar uma decisão seria contra este órgão pelo desrespeito a esta casa.
Para encerrar foi eleito com 2.234 votos, 50% dos votos foi do eleitor mais esclarecido, foi na área central, quem escreveu isto aqui, escreveu verdadeira mentira. Então não fui eleito pelo eleitor menos esclarecidos, fui eleito com 50% do eleitores mais esclarecidos
Fim do depoimento do vereador Adair Otaviano
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Como também foi citado no editorial do referido jornal, para finalizar, fizemos um resumo do discurso do vereador Beto Machado (PSDB), referente à questão.
Beto começou constantando a temperatura da reunião naquele dia e que isto faz parte da democracia, que o plenário é assim, é o local onde eles podem expressar todas as suas indignações e expor seus pensamentos.
Continuou dizendo que o jornal em questão, desde o inicio da legislatura, vem publicando matérias com ataques à Câmara, é disse apoiar os vereadores Valdemar e Adair, que embora vivamos em uma democracia, alguma coisa precisa ser feito para combater a atual situação que atualmente esta denegrindo a imagem da Câmara.
Traçou um paralelo com o que atualmente acontece no Senado Federal. Que ao ser aprovada a CPI da Petrobrás vieram à tona todas as denuncias que estão acontecendo no Senado. Os escândalos dos atos secretos do senado, desmoralizam a instituição anulando e desfocando a CPI da Petrobras.
Beto, afirma que é sim presidente da comissão de ética, mas não trabalha sozinho, são 3 pessoas, um relator e um membro fazem parte da comissão. Então não procede colocar sua pessoa em xeque supondo que a comissão não vá agir de forma como manda o regimento interno em sua resolução 269. Mas, vai pelos tramites legais dentro da maior normalidade com direito a ampla defesa, com todas as questões jurídicas sendo respeitadas.
O que não se pode admitir é que essas coisas interfiram no trabalho da comissão de ética. Dizendo que a comissão tem que punir ou absolver alguém. A nossa função é apurar com imparcialidade. E, como homens públicos que somos, fazemos vender jornais e é isto que os maus veículos de comunicação que usar, portanto tem que ter um basta.
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