Os políticos, nesse contexto estamos falando dos que atuam na esfera do legislativo, precisam ter uma visão macro do seu mandato, traçando um planejamento estratégico a curto, médio e longo prazo. Ser gestor do seu gabinete de forma profissional, como se fosse uma empresa.
Seria necessária uma gestão de pessoas com perfis adequados a cada função a ser desenvolvida durante o mandato. De forma que fosse possível avaliar não só a produtividade, mas também a qualidade dos trabalhos dos seus auxiliares, que podem catapultá-lo ou simplesmente enterrá-los, provisoriamente ou pra sempre.
A boa ou péssima imagem de um político é proporcional a sua própria atuação, é claro, mas, com uma estrondosa participação da sua equipe. Uns dizem que tal percentual é 50%, outros aplicam percentuais diferentes.
O fato é que, existe uma profusão de inadequações profissionais nos gabinetes e escritórios dos parlamentares. Isto acontece, na maioria das vezes, em conseqüência dos compromissos políticos assumidos durante a campanha eleitoral, seguido da inabilidade do político no processo de recrutamento, seleção e treinamento da sua equipe.
Existem situações que beira o cômico e a hilaridade. Assessores de imprensa que não sabem escrever, não possuem estilo de redação e matam o português, sem dó nem piedade. O mercado não está pedindo Machado’s de Assis, nem Monteiro’s Lobato’s, ou qualquer outro escritor fera em nossa língua, afinal ela é realmente muito difícil. Pede-se o mínimo, para que se possa publicar o release na íntegra, ganhando tempo com isso. Afinal, release é release, matéria é matéria.
Às vezes, e não são poucas, não dá para entender o conteúdo dos releases. As informações mais básicas, como “o que?”, “quando?”, “onde?”, “como?”, “por quê?” e se necessário “quanto?” são passadas de forma truncada, ininteligível.
Outra situação importantíssima é quanto à visibilidade do político. A grande maioria dos profissionais não descobriu ainda que, independente da sua posição na assessoria, ele precisa interiorizar e saber que o produto maior do seu “chefe” é a exposição, é necessário trabalhar o tempo todo tendo isso em mente.
De forma prática, afirmamos que se em um evento não houver fotógrafo oficial da equipe, ele mesmo precisa sempre estar portando uma máquina para registrar os encontros do seu líder. Como exemplo, citamos o recente Congresso da Associação Mineira de Municípios. Os veículos de comunicação não receberam nem uma linha e muito menos imagens de parlamentares que lá estiveram. E, o ambiente era altamente propício à divulgação.
É necessário, ainda, que tenham postura adequada na sociedade, porque assim o trabalho o exige. Afinal, sua identidade e os atos cometidos estão ligados à imagem do parlamentar para o qual ele trabalha.
Existem assessores que deveriam atuar como Relações Públicas do parlamentar, ser o próprio em sua ausência. Contudo, são tímidos, não possuem o dom de interagir com as pessoas, fecham-se, isolam-se, não são simpáticos, nem cativantes, alguns chegam ao cúmulo de não conhecerem pessoas fundamentais, formadoras de opinião na cidade.
Em muitos gabinetes o número de funcionários é bem maior que em algumas empresas, mas o parlamentar, “toca” o seu mandato de qualquer jeito, porque é assim que alguns fazem, infelizmente, a maioria no estilo “deixa a vida me levar, vida leva eu”. E, a vida não os leva para onde eles tanto almejam.
O estilo antigo de “fazer política” está acabado, é preciso ser profissional, estar atualizado com as novas tendências e modelos de gestão. No entanto, conseguem ignorar um dos principios básicos de administração, a formação de uma boa equipe. A grande maioria possuem um amontoado de pessoas dando “tiro” em todas as direções e competindo entre si, colocando o mandato do parlamentar no “chão”, talvez, jogando fora sua chance de reeleição.
Em Divinópolis este filme já foi visto por inúmeras vezes, no executivo até hoje nenhum prefeito conseguiu o feito de ser reeleito. Será porque?


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