Não basta ao poder público organizar e sistematizar o ensino, o aprendizado e a transmissão de conhecimento. Isto por si só não garante a mudança do comportamento de um indivíduo ou de uma sociedade. Contribuí para o conhecimento humano, para o entendimento dos fenômenos que nos cercam e dos quais dependemos para a sobrevivência da espécie e das demais espécies sobre a terra. Mas, não garante o amadurecimento e a compreensão por parte do homem.
A educação é muito mais abrangente, quando a enfocamos pelo lado da evolução humana, do comportamento do indivíduo e da sociedade. Ela pressupõe mudanças e alterações naquilo que fazemos e vemos os outros fazerem.
Assim, a função educativa do poder público não se restringe apenas ao sistema organizado de ensino. Ela vai além.
O comportamento do poder público face às suas ações pode ser educativa ou anti-educativa. Por exemplo, enquanto o ex-presidente Fernando Collor dava murros na sua mesa, as pessoas em Brasília, tornavam-se mais grosseiras e deseducadas. Quando o Presidente Lula bebe uma “cachacinha”, o povo pensa que é bonito beber.
A cadeia de grosseria e de violência era estimulada pelo maior mandatário da nação, da mesma forma que também o era a apologia do álcool. Esses fatos sempre voltam à minha mente, quando penso ou falo de educação.
Além da “urbanidade”, do atender bem ao cidadão, como pode o poder publico ser educativo? Receber todo e qualquer cidadão, de maneira polida e atenciosa, é apenas “urbanidade”… e obrigação (apesar do comportamento contrário de boa parcela dos servidores públicos).
Mas não se trata dessa “educação”, quando falamos da função educativa do poder público. Ela é muito mais ampla e profunda.
O poder público exerce sua função educativa quando procura usar do conhecimento humano para realizar suas ações. Quando utiliza da técnica e da tecnologia, do saber humano e científico para realizar suas propostas, buscando o que “há de melhor” para atender seus objetivos. Com essa atitude está demonstrando a importância da competência, do saber, do conhecimento, do estudo etc. para uso do ser humano. Está dizendo para todos nós que estudar é importante, que pesquisar é importante, que conhecer as ciências e as artes também é importante para o bem coletivo.
É obrigação básica do poder constituído ter o melhor assessoramento técnico e científico para orientar suas ações. Não se justifica que o poder público seja mal assessorado.
Quando os custos dos servidores são pagos pelo povo, esse mesmo povo tem o direito de ter o melhor atendimento, tanto técnica, como financeira e socialmente.
O que se busca em um órgão público é, sobretudo a competência para lidar com as questões que lhe dizem respeito e que, por natureza, influenciam toda a vida de uma comunidade.
Quando pagamos os servidores públicos, de qualquer escalão, nós os pagamos para serem competentes. Não os pagamos para serem “políticos”, mas para nos servirem com competência.
Se determinado funcionário não dispõe de conhecimentos básicos de sua área de atuação, ao exercer o cargo de chefia, de comando, não terá o desempenho e a produtividade que o cargo exige , ocasionando prejuízos em cascata.
Ora, a administração pública é muito complexa, e se todas as áreas de serviços não forem competentes, não se pode esperar competência do todo.
Desrespeitar a técnica, a tecnologia, o conhecimento e o saber é comportamento completamente anti-educativo. Os nossos jovens poderão perguntar: “pra que competência e conhecimento se os serviços e obras públicas são realizados a
“bel-prazer” dos mandatários?” Concluirão facilmente que não vale a pena se esforçarem, porque o conhecimento não tem servido pra nada!Vejam as obras mal-feitas, os projetos incompletos, as soluções inadequadas para os problemas… Vejam os estragos que nos causaram ao longo dos anos!…A falta de planejamento e visão de conjunto!
Por que o cidadão tem que aceitar ver seus problemas diários sendo resolvidos de forma incompetente e improdutiva? Ninguém é “dono da verdade”, mas pode ter meios de obtê-la! Não se pode mais aceitar como normal a mediocridade política, denunciada ao país por um Senador da República.
Se o poder público não faz o melhor, ninguém mais precisa fazê-lo.
Se o poder público é “deseducativo”, a reação é em cadeia.
Se o político é medíocre, o país continuará a ser medíocre!






