A importante atuação social do Conselho da Mulher empreendedora, através da entrevista de Denize Fonseca.

Publicado por: suporte

O Divinews conversou com Denize Fonseca Santos Lara, presidente do Conselho das Mulheres Empreendedoras, um dos braços de atuação da Associação Comercial, Industrial, Agropecuária e de Serviços de Divinópolis – ACID. A vice-presidente do grupo é Sandra Amaral do Supermercado Candidés.

DN: Como é este trabalho? Quantas mulheres fazem parte?
Denize: São mulheres empreendedoras que dirigem empresas ou mesmo que trabalham nelas e que atuam, através da ACID, na questão social de Divinópolis. Desse grupo fazem parte diretamente12 mulheres, mas, indiretamente, o número é maior, porque não são todas que têm disponibilidade e podem sempre estar nessa linha de frente, mas estão nos bastidores. Trata-se de 25 a 30 pessoas, em todos os segmentos.

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DN: O Conselho tem uma nova sede na Av. 1º de Junho, o que funciona lá?
Denize: Lá é a sede do Grupo de Apoio a Adoção, que é o primeiro grupo do centro-oeste, fundado aqui em Divinópolis, junto com o Presidente Nacional dos Grupos. Na sala, fica uma pessoa para receber grupos de casais que queiram adotar crianças, levá-los aos abrigos, então a sede é mais um “ponto” de apoio. Ficávamos em uma sala muito grande para realizar somente essa atividade, por isso, nos mudamos para o edifício Paulo VI, no 9º andar. No novo local, não temos despesa e a Regina fica lá na parte da manhã e na parte da tarde ela vai aos abrigos, ver crianças para adoção e crianças que podem voltar para suas famílias.

O Grupo de Apoio a Adoção é uma ONG criado por iniciativa das Mulheres Empreendedoras e mantido também por ele, “mas é distinto do Conselho, contando com presidente, vice-presidente, é independente” explica Denize.

DN: Tem tido muitas adoções do exterior?
Denize: Dessa parte nós não participamos muito. Sabemos que existe, mas nós não sabemos os passos, porque nós ajudamos a amparar a família que quer adotar uma criança. Eles vêm nos procurar e a Regina os leva aos abrigos, mostra as crianças que estão para a adoção e explica os passos a serem tomados. Mas, existe sim a adoção internacional em Divinópolis. Existem problemas, do tipo: aqui não separam as famílias, pra lá, ouve-se falar que sim. Mas eu não sei os processos legais e como eles são feitos. O grupo foi fundado por nós, mas ele é mantido independente, inclusive o presidente do grupo é o Promotor da Infância e da Juventude, Carlos José e Silva Fortes, para que as coisas corram o mais legal possível e para que não haja dúvidas nas adoções.

DN: Além do grupo de apoio, vocês têm outros trabalhos?

Denize: Sim, muitos. Tudo começou com a idéia da construção de 26 casas para famílias carentes. Eu ganhei um terreno, de um amigo empresário, que me doou três mil metros, porque era seu sonho, mas ele não conseguiria construir sozinho. Em uma conversa informal, nós formamos uma parceria com o Grupo Pró-Moradia, que são pessoas voluntárias que formaram essa ONG, totalmente sem fins lucrativos. A grande responsabilidade deles, a meu ver, é que eles cuidam da parte técnica da construção das casas: aprovações de projetos, legalização, acompanham o trabalho da mão de obra. Nós só entramos com o terreno, com recurso e boa vontade. Tudo que for necessário na parte técnica eles fazem. Vão pra lá nos finais de semana, cuidam dos pedreiros, das pessoas que estão trabalhando, de eletricista, etc.

DN: Como teve início o Conselho?
Denize: Começou quando eu fui pedir a ajuda da ACID e eles falaram que a associação não tinha nada que fosse ligado à esse lado social e que isso precisava ser feito. Então, nós assumimos, pra fazer parte da ACID, com esse lado social.

DN: O que é o Projeto de Deus?
Denize: O Projeto de Deus funciona no Bairro Terra Azul. Ele é cuidado pelo Pastor Wilson Botelho com o qual fizemos uma parceria. O Projeto dá refeição diária para 150 crianças, atendimento escolar, enfim, todo tipo de suporte que uma criança precisa. Eles vão pra lá de manhã, os que vão para a escola à tarde almoçam lá e tem pessoas que os levam à escola.

DN: De onde vêem os recursos desse projeto?
Denize: Do nosso grupo e também de outras empresas. Uma parte de tudo que fazemos é destinada ao projeto, porque para mantê-lo custa caro.

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DN: O Projeto Quero Viver também apóia o Projeto de Deus ou ao contrário?
Denize: Ambos se apóiam. O Wilson usa a mão de obra do Quero Viver para ajudá-lo, na construção de salas do projeto de Deus.

Recentemente ele ganhou um consultório odontológico completo para o projeto Quero Viver, mas como ele não tinha o espaço físico para colocá-lo, então, fizemos aquele evento do dia da mulher para conseguir renda e comprar material de construção e fazer o consultório funcionar.
A Dra. Eloisa Cerri, antes de ser vereadora tinha se prontificado para arrumar um grupo de médicos para atender uma vez por semana ou nos finais de semana a toda a comunidade.

DN: Isso já está acontecendo?
Denize: Não. Nós ainda estamos construindo no bairro Terra Azul o espaço físico para oferecermos esse atendimento.

DN: Vocês também trabalham com formação de mão de obra?

Denize: Sim. Lá tem um projeto de computação, Inclusão Digital. São vinte computadores que funcionam, doados pelo deputado federal Jaime Martins.

Eles estão outras possibilidades de capacitação profissional, como exemplo a facção de confecção, entre outras. Mas para isto é necessário ter um espaço, que está em construção. Já existe a cozinha, três salas de reforço escolar e estão sendo construídos o consultório odontológico e o consultório médico. Porque o espaço é muito grande, e tudo que nós fazemos, uma parte é para construção das casas. Já existem oito famílias morando no local. As casas ficam no Nova Fortaleza.

DN: A Sra. já está à frente desse projeto há três anos. Qual a sua maior pretensão?
Denize: Pretendemos entregar 26 casas, conseguimos entregar oito. Para as pessoas ganhar tais casas tem que trabalhar em regime de mutirão. Para participar deve ser feita uma inscrição no Pró-Moradia, depois será realizada uma sindicância para sabermos se realmente essa pessoa precisa e ela tem que se comprometer a trabalhar por um período. Nós damos o material, o terreno, mas ela tem que trabalhar.

DN: Alguém inspeciona?
Denize: Sim. O pessoal do Pró-Moradia acompanha com os engenheiros que vão ao local.

DN: Não seria mais fácil vocês administrarem os custos sendo uma ONG?

Denize: O Pró-Moradia é uma ONG, registrada, com CNPJ, como a ACID não pode ser transformada em ONG, nós fizemos parcerias com ONGs que são cadastradas e trabalhamos junto com elas, pois podem receber verbas. No caso das casas nós temos o Pró-Moradia, no Terra Azul nós temos o Projeto de Deus, que já é registrado e cadastrado e o Grupo de Apoio também que já é cadastrado, são três ONGs cadastradas.

Alem do Projeto de Deus e da construção das casas, o Conselho da Mulher Empreendedora, por meio do Grupo de Apoio, também presta assistência às famílias que querem ficar com seus filhos e não tem condição “porque, por exemplo, as crianças são retiradas das famílias e vão para o abrigo, às vezes não é por maus tratos, por agressão, é por falta de condições financeiras da família de sustentar” explica Denize.

O que o Conselho faz é viabilizar a possibilidade das crianças ficarem com as famílias, “se ela já tem uma casa, mas está sem estruturada, falta janela, luz, móvel, esgoto, etc., nós viabilizamos isso para as crianças voltarem para suas famílias, porque as vezes o pai e a mãe tem muito carinho, cuidam bem, mas não têm as condições necessárias” conclui.

Para manter todos esses projetos apresentados por Denize, o Conselho da Mulher Empreendedora realiza, freqüentemente, eventos como jantares em que são vendidas mesas para arrecadação de fundos.

Para o dia 27 de abril, está sendo preparado um jantar oriental. O evento acontecerá numa segunda-feira porque a preparação da comida será feita pela japonesa Naomi, que tem uma agenda ocupadíssima pelo shiatsu

O jantar será realizado no Divinópolis Clube, na sede urbana e serão oferecidos quatro pratos, o Tempurá, o Bifum, Yaksoba e Harussami. Os convites estão sendo vendidos a R$ 25 reais por pessoa e podem ser requisitados com Arminda pelo telefone 3221-8041 e com a Regina do Grupo de Apoio, 3222-4410 ou 9947-7149.

Denize explica que a renda é revertida para todos os projetos, ou para o que mais estiver precisando no momento. E diz que para a construção das casas será necessário fazer um caixa maior apesar de já existir muitas doações, inclusive dos padrões pela CEMIG.

O Divinews, dando continuidade a entrevista tentou conhecer a empresaria Denize sob a ótica mulher, mas acabou retornando ao seu trabalho social. Sua atuação como voluntária na CPI da Pedofilia.

Denize e seu pai Wilson Santos

DN: Não fugindo à regra da clássica pergunta: Quem é Denize?
Denize: Sou de uma família tradicional de Divinópolis, meu pai foi um grande empresário e até hoje é lembrado pelos trabalhos que deixou. Sou totalmente comprometida com a minha empresa. Há 20 anos que trabalho. Após a morte do meu pai a empresa é comandada pelo meu irmão Eduardo Santos, que é presidente do grupo. Sou casada, tenho 3 filhos, um de 13 outro de 18 e uma menina de 22 anos. Meu hobby é o meu trabalho e minha família.

DN: Qual é o seu posicionamento político?
Denize: Procuramos ser o mais imparcial possível. Vivo a política, porque sou uma empresária e tudo acontece direta ou indiretamente via a política. Mas, não tenho posicionamento político-partidário. Não podemos assumir publicamente um partidou ou um candidato. Precisamos circular em todas as correntes e tendências. Fazemos o nosso trabalho com seriedade sem envolvimentos maiores, para que não fiquemos refém de nenhuma situação complicada. O nosso maior envolvimento é com a política social de ajudar o ser humano.

DN: Sua empresa emprega quantas pessoas?
Denize: O Grupo Wilson Santos, compreende quatro empresas. A Cisam, uma Aciaria em Pará de Minas, A Ferradura Logística, Sidercentro e a Wilson Santos Transportes. Temos aproximadamente 450 funcionários diretos.

DN: Já é possível fazer uma pré análise do atual Governo Municipal?
Denize: Ainda não, é muito pouco tempo. Vladimir vai ter uma gestão diferenciada, mas a mudança não será muito drástica, porque ele deve seguir mais ou menos a mesma linha do governo anterior. Não podemos julgar nada porque não vimos nada de seu trabalho. Dois meses de prefeitura é muito pouco tempo para falar se vai ser um bom prefeito ou não. Temos que esperar as obras acontecerem pra podermos julgar.

DN: A Sra. está muito envolvida nesta questão da pedofilia?
Denize: Nós apoiamos a campanha pelo senador Magno Malta e pelo promotor Dr. Carlos José, que hoje faz parte da CPI da pedofilia, convidado pelo senador.

Em Divinópolis existem muitos casos de pedofilia e as pessoas não tem conhecimento. No dia da passeata, quando fomos à Câmara para sensibilizar as pessoas. Uma senhora me procurou e perguntou porque estávamos importando uma campanha que não era nossa. Lhe respondi que ela estava enganada, porque temos muitos casos que não são divulgados porque envolve menores e tais crianças não podem ficar marginalizadas posteriormente por um crime que elas foram vítimas.

Infelizmente, as pessoas não sabem e não tem noção do que ocorre em Divinópolis.

A CPI tomou uma proporção que ninguém esperava. O Magno está nos Estados Unidos e o Dr. Carlos José em breve vai fazer um curso para aprender algumas técnicas sobre a pedofilia e fechar o cerco cada vez mais.

Atualmente são aproximadamente 3.500 (três mil e quinhentas denuncias por dia no Brasil)

DN: A CPI da pedofilia encorajou as pessoas a denunciar?
Denize: Nós participamos de um caso que a pessoa nos contou que ela sozinha não tinha como provar que os três filhos dela eram abusados por um funcionário publico. Ela procurou a delegacia, o delegado falou que infelizmente não podia fazer nada sem provas documentais ou concretas. Anteriormente a denuncia não servia como indicio, hoje sim, através de uma denuncia eles vão investigar.

DN: Como isso mudou?
Denize: Estão sendo propostas mudanças da lei para que a pedofilia se torne crime. Por incrível que pareça, no Brasil a pedofilia não é considerado crime.

DN: Nenhum deputado colocou o projeto?
Denize: Sim. Já esta em tramitação. Mas existem inúmeras modificações. Por isso, estamos muitos envolvidas, e o promotor de Divinópolis também está muito envolvido.

DN: Esse processo vai demorar?
Denize: Existe uma tramitação na Câmara Federal e também no Senado. Cada um dá sua “pincelada” para melhorar. O fato é que a primeira cartilha sobre o assunto, que está circulando em todo Brasil foi criada aqui em Divinópolis pela Monica e pela Meire, que são pedagogas e psicopedagogas, com a supervisão do Kaze.

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