Vai separar o PSDB para Minas e para a presidência?
Eu acho que principalmente a direção regional tem que fortalecer o PSDB e o Estado. Por mais que sejamos o partido com o maior número de prefeitos, o partido que mais parlamentares elegeu, que tem o governador do Estado, nós precisamos fortalecê-lo em determinadas regiões. O deputado e presidente fará esse diagnóstico conversando com nossos parlamentares e o objetivo é preparar o PSDB para que possa, novamente, liderar uma grande aliança no Estado de Minas Gerais já pensando em 2010. Mas, obviamente, o PSDB de Minas fortalecido, isso cria também, ou amplia, o nosso espaço na discussão nacional que o partido terá que ter. O PSDB de Minas terá sempre uma presença muto importante nas decisões nacionais que viermos a tomar.
O partido vai ter candidato próprio ou trabalha por uma aliança como a que aconteceu em Belo Horizonte?
Nós temos tempo ainda para que essas questões amadureçam. Eu não acredito em nada construído a fórceps. Eu acredito nas coisas com naturalidade. É natural que o PSDB, por estar no governo, também almeje liderar esse processo. Mas isso só será construído ouvindo a aliança, ouvindo os demais parceiros e, a partir de agora, essas questões partidária, que dizem respeito ao PSDB estadual, ficam à cargo do deputado Paulo Abi-Ackel. Me perguntem sobre questões de governo, por favor.
Ministro das Comunicações, Hélio Costa, cobrou hoje, disse que o senhor precisa definir logo se o senhor vai para o PMDB, se não vai…
O ministro Hélio Costa tem sido extremamente gentil. Tem feito gestos públicos e alguns reservados de estímulo à caminhada de Minas à Presidência da República. E eu agradeço essas manifestações do minitro Hélio Costa, as retribuo reconhecendo a importância da sua ação à frente do ministério e as importantes parceriais que temos construído aqui em Minas Gerais na área de telecomunicações. Agora, esse é um processo que andará a seu tempo. Eu vejo certo açodamento, uma ansiedade de alguns, até mesmo de alguns amigos da imprensa para que o PSDB tome uma decisão rapidamente. Repito, não acredito que o mais adequado seja o PSDB construir a sua estratégia, no que diz respeito à sucessão presidencial, em razão da estratégia daqueles com os quais disputaremos as eleições. Cada uma tem a sua forma de compreender o momento mais adequado para as suas definições.
Quero regitrar, mais uma vez, que o presidente Sérgio Guerra asumiu conosco o compromisso de, até o final do mês março – e aí o PSDB de Minas terá um papel de estimular para que essa decisão ocorra – até o final do mês de março, possa estar regulamentando as prévias e aí nós iniciamos uma nova etapa de discussões. A partir daí sim, nós teremos condições de ampliar o debate interno, levando-o a todas regiões do país.
Como o senhor acha que devem ser realizadas as prévias. O senhor já tem uma ideia pelo que o deputado Rodrigo de Castro já levantou?
O deputado Rodrigo lidera um grupo de companheiros do PSDB que está formatando esse projeto de prévias. Confesso que já recebi e tive uma leitura prévia. É algo muito simples, mas o partido é que deve tomar iniciativa de discutir. A ideia em linhas gerais é que participem os filiados do partido. Poderá ocorrer num período de dois a três meses para que não ocorra apenas num dia, obviamente respeitando a proporcionalidade do eleitorado de cada estado da federação. Em linhas gerais, é isso, mas o detalhamento deverá ser feito pela executiva nacional do partido.
Eu registro que o partido não está discutindo se aprova ou não as prévias. As prévias já foram aprovadas pelo PSDB. Elas constam no nosso estatuto. Agora, o que temos que fazer é regulamentá-las e definir exatamente como elas ocorrerão, até porque definida pelo partido, essa proposta de prévia tem que ser encaminhada à Justiça Eleitoral, ao Tribunal Superior Eleitoral para que ele possa definir questões, por exemplo, como o financiamento das prévias, como elas ocorrerão, os partidos poderão receber financiamentos privados para as prévias ou deverão utilizar apenas o fundo partidário, os veículos de comunicação poderão cobri-las ou haverá alguns limites para que essa cobertura ocorra, enfim, essas definições serão feitas pela Justiça Eleitoral.
De forma muito objetiva, até o final de março, a Executiva do partido deverá encaminhar ao Tribunal Superior Eleitoral o modelo de prévias aprovado pelo partido e o Tribunal deve estabelecer os limites para que essas prévias ocorram. Algo absolutamente simples.
O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso deu uma declaração oposta a do senhor. Ele quer agilizar o processo no PSDB. O senhor acha que essa é uma tática para minar as prévias?
Vocês se lembram que o presidente Fernando Henrique esteve conosco aqui em Minas Gerais, não faz muito tempo, e se disse, disse a vocês e não a mim, favorável às prévias. Acho muito difícil que alguém possa se posicionar efetivamente contra a mobilização do partido, contra uma decisão que só tende a fortalecer o partido. No momento em que você tem um candidato, seja ele qual for, seja por exemplo o governador de São Paulo que tem legitimidade para postular a sua candidatura ou seja qualquer um outro candidato que venha a se tornar candidato, a partir de uma manifestação majoritária das bases do partido, ele passa a ter uma densidade muito maior e também não escondo que as prévias podem ser também um momento de ocuparmos um espaço que hoje nos é, de certa forma, desfavorável em relação à candidatura apresentada como a candidatura do governo federal, que tem instrumentos que tem utilizado largamente e obviamente com uma exposição maior que essas candidaturas.
As prévias podem servir, além do objetivo central que é a construção do novo projeto do PSDB, construção do novo PSDB, também para, do ponto de vista regional, uma maior divulgação, uma maior visibilidade dos candidatos do partido.
Eu fico sempre com o que eu ouço do presidente Fernando Henrique e ele tem me dito que considera esse processo de prévias absolutamente natural. Não vejo como antecipa-lo, até pelas questões formais. Acho que as prévias, no final do ano, já são uma antecipação da decisão formal que ocorreria no momento das convenções, provavelmente no final de junho. E na verdade, as prévias trazem um indicativo à convenção, mas naturalmente se o partido opta, como espero que ocorra pelo instrumento das prévias, aquele que vencer as prévias será consagrado apenas na convenção do partido como candidato com o apoio de todos outros.
E se o partido optar por não ter as prévias, vai ser um golpe para as pretensões do senhor?
Eu prefiro não admitir ainda essa hipótese porque seria contrariar uma posição que tem sido externada claramente pelo presidente do partido e por várias lideranças do partido. Vamos aguardar que o PSDB faça aquilo que acredito que é o melhor para o seu futuro. Repito o que tenho dito: aqueles contrários às prévias têm dito que não é da tradição do partido. Exatamente a tradição das decisões centralizadas nos levou a duas derrotas consecutivas. Acredito que está na hora de mudarmos a tradição da escolha dos candidatos do partido, democratiza-la também para mudarmos o resultado das eleições, tornando-os agora favoráveis ao PSDB.
E essa posição dos deputados do PSDB de São Paulo ligado ao Serra que acham que não vai ter tempo para acontecer as prévias, que é uma coisa muito grande?
Acho que querendo é muito fácil de fazer e muito bom para o partido. Esse não é um argumento que me seduza.




