A discussão em torno da dívida contraída na campanha eleitoral do candidato a prefeito, Marcos Vinícius Alves da Silva, presidente da Câmara Municipal, continua intensa. De um lado, o partido reforça a informação de que a responsabilidade do débito é da chapa majoritária (Marcos Vinícius e José Antônio Baião). Do outro lado, os dois candidatos transferem a responsabilidade ao partido e ao Comitê Financeiro.
O presidente da Comissão Provisória do PSC em Divinópolis, Geraldo Passos, confirma a existência da dívida, que está próxima de R$ 130 mil. Os cheques sem fundo continuam na praça e cerca de 20 credores aguardam a quitação dos débitos. De acordo com a Justiça Eleitoral, os partidos que disputaram as eleições de outubro com chapa majoritária, têm até o dia 31 de dezembro para o fechamento das contas.
Tanto o vereador Marcos Vinicius, que inclusive já anunciou sua saída do PSC, porém sem oficializar o ato, quanto José Antônio Baião, negam responsabilidade sobre o débito. Eles transferem a responsabilidade para o Comitê Financeiro, que era coordenado por Geraldo Passos, responsável por assinar os cheques que foram distribuídos no período da campanha.
Para fugir da responsabilidade dos gastos, todos eles voltados para as atividades eleitorais do então candidato a prefeito, Marcos Vinícius argumenta que não teve conhecimento do que estava sendo feito pelo Comitê Financeiro. Em declaração publicada pelo Jornal Agora, em sua edição desta sexta-feira (28), o presidente da Câmara afirma: “Como vou me responsabilizar por uma dívida que não assinei? As dívidas foram feitas à revelia e sem meu conhecimento ou de Baião. A responsabilidade é de quem assina e contrata. Como posso ter responsabilidade por uma situação que não tive o controle e conhecimento pleno?”, interroga o presidente da Câmara.
O presidente do PSC vê com ironia a afirmação de Marcos Vinícius de que não sabia dos gastos de campanha. “O presidente Lula sempre afirmou que não sabia nada sobre o mensalão. É até plausível, já que o presidente governa um país e é cercado por partidos e políticos de todas as tendências. Agora, é inadmissível acreditar que um candidato a prefeito, dentro de uma situação micro, não soubesse do que acontecia em sua campanha. Isso até leva a crer que, se eleito, ele também não teria conhecimento pleno do que acontece na prefeitura”, afirma Geraldo Passos.
De acordo com o presidente do PSC, caso necessário ele utilizará as provas que possui para provar que o presidente da Câmara está mentindo. “Tenho testemunhas de que tanto o candidato a prefeito Marcos Vinícius e o candidato a vice, José Antônio Baião, eram colocados a par de tudo o que ocorria na campanha. Além dos testemunhos, tenho também outras provas ainda mais substanciais para provar a farsa que está sendo montada pelo presidente da Câmara para fugir de sua responsabilidade”, afirma.
A campanha de Marcos Vinícius foi elaborada e coordenada da casa de Geraldo Passos, onde ocorreram as principais reuniões para discutir as questões relacionadas à disputa. Praticamente todos os dias se reuniam Marcos Vinícius, Geraldo Passos, José Antônio Baião e Renato Delgado, secretário geral do PT, com o objetivo de discutir o andamento da campanha. De acordo com Geraldo Passos, nestes encontros todas as questões eram debatidas, incluindo os gastos que eram todos de conhecimento de Marcos Vinicius. “A contratação de pessoal, serviços, publicidade, tudo, tudo foi feito com o conhecimento e aprovação deste grupo que tomou a frente da campanha. Ninguém tomou decisões unilaterais, principalmente quando se tratava de questões financeiras. Marcos Vinícius sempre soube da situação financeira e, além do mais, concordou com todos os gastos que foram realizados”, afirma Geraldo Passos.
A situação do presidente da Câmara tem alguns complicadores. Primeiro foi sua saída intempestiva do PSC, sem justificativa plausível, já que a derrota eleitoral não mudou o relacionamento do grupo. Para garantir a aprovação do seu nome como novo filiado do PT, ele usou como barganha um cargo público, contratando para ser seu assessor de gabinete na Câmara o secretário geral do PT, Renato Delgado. A contratação era totalmente desnecessária, já que o cargo era ocupado pelo jornalista Samuel do Valle, que hoje está em desvio de função na Câmara.





