A ressaca eleitoral para o candidato do PSC à prefeitura de Divinópolis, Marcos Vinícius Alves da Silva, que já anunciou sua saída do partido e filiação ao PT, está gerando uma grande dor de cabeça, alimentada por notícias carregadas de maldade e até com certo rancor. Foi o que demonstrou a primeira matéria veiculada sobre o assunto pelo Jornal Agora, com o título “Calote à vista”, referindo-se ao débito de aproximadamente R$ 120 mil, originados na campanha de Marcos Vinícius. Ao fazer a afirmação de que há um “calote à vista”, o jornal, antecipadamente, classificou Marcos Vinícius como mau pagador, ou então teve uma visão futurista de que o atual presidente da Câmara não pretende pagar as dívidas que contraiu durante a campanha.
De fato, a dívida existe. Como também existem dívidas na iniciativa privada, em órgãos de imprensa e em praticamente todos os setores da sociedade. Entretanto, o simples fato da existência da dívida não configura um calote, como fez entender a matéria veiculada pelo jornal.
O presidente do PSC, Geraldo Passos, que vem sendo alvo de críticas veladas, explica que a dívida não é do partido. “Foi criado um Comitê Financeiro para gerir os recursos de campanha e pagamento das contas, porém a responsabilidade da dívida é dos candidatos. Em nenhum momento foram assinados cheques em nome do PSC e sim do Comitê Financeiro”, explica Geraldo Passos.
O presidente do PSC afirma ainda que a dívida foi contraída por ingenuidade da própria equipe, que confiou nas garantias de repasses de recursos que entrariam como doações de campanha. Ele conta que as promessas de doações não foram cumpridas e a não concretização destes recursos aconteceu quando as dívidas já haviam sido contraídas. De acordo com Geraldo Passos, um importante empresário da cidade, cujo nome ele não quis revelar, fechou acordo antes das eleições para angariar fundos junto ao empresariado e os recursos não apareceram. O prefeito de Belo Horizonte, Fernando Pimentel (PT), e o vice-eleito Roberto Carvalho, em encontro com o presidente do PSC, acompanhado dos candidatos Marcos Vinícius e José Antônio Baião, garantiram que o PT enviaria R$ 200 mil para serem usados na campanha em Divinópolis. “Nem 10% deste valor chegou ao Comitê Financeiro”, explicou Geraldo Passos.
Para o presidente do PSC, os grandes responsáveis pela situação que se verifica hoje são o prefeito Fernando Pimentel e Roberto Carvalho, que não cumpriram, pelo menos até agora, o que foi prometido, o prefeito Demetrius Pereira, e o próprio Marcos Vinicius. “Com relação ao Demetrius, ele rachou todo o grupo, não quis conversar e ainda dificultou o andamento da campanha. A falta de diálogo do prefeito Demetrius foi sensivelmente importante para que houvesse o fracasso na campanha e sua posição contribuiu decisivamente para o afastamento dos doadores”, disse Geraldo Passos. “Com relação ao Marcos Vinicius, ele não poderia ter entrado numa campanha como entrou, praticamente sem recursos e sem saber de onde eles viriam. A dívida existe, mas não é do PSC, é responsabilidade dos candidatos”, finalizou.
De acordo com Geraldo Passos, o débito será quitado. “Nós estamos ajudando na tentativa de solução deste impasse e na busca de recursos para quitar o débito e isso vai acontecer antes do final do ano”, disse ele. Sobre as especulações que surgiram na tarde desta terça-feira (4) de que ele pretende deixar o PSC, Geraldo Passos foi categórico. “Em nenhum momento eu cogitei deixar o PSC. Continuo na presidência da legenda e vamos trabalhar em futuras eleições”.





