A presidência da Câmara Municipal é o sonho dos 13 vereadores que compõem a Câmara Municipal. Todos os anos, a eleição da Mesa Diretora começa dois meses antes, com conversas, acordos, oferecimento de favores e muita traição. Foi assim em anos anteriores, já tendo, inclusive, ocorrido acusações de compra de votos.
Para o próximo ano, a disputa vai ser ainda mais acirrada. A começar pelo fato de se tratar do primeiro ano de uma nova legislatura, além de haver um novo chefe no Poder Executivo. Entretanto, o que vai tornar a disputa muito mais dura, será o mandato de dois anos, que estreará a partir de 2009.
A eleição no legislativo jamais foi uma briga unicamente ‘doméstica’, ou seja, com a disputa ficando tão somente dentro do Poder Legislativo. Interessa de perto ao Executivo e também aos deputados, que determinam aos seus grupos políticos e às suas bancadas qual o caminho devem seguir. Como o próximo presidente da Câmara cumprirá mandato até 2010, ano eleitoral para renovar a Câmara Federal e a Assembléia Legislativa, o jogo de interesses será muito maior. Além disso, 2009 será o primeiro ano da administração de Vladimir Azevedo (PSDB), que precisará de apoio legislativo para aprovar as matérias que viabilizarão a implantação do seu projeto de governo.
O prefeito eleito, pela composição da futura Câmara, não terá vida fácil, a não ser que consiga costurar muitos acordos. Hoje ele tem como aliados apenas três vereadores (dois do PSDB e um do PDT). Nos bastidores já há em andamento uma operação para Vladimir atrair o PRTB, cuja bancada tem dois vereadores. Para isso, o atual vereador Milton Donizete da Silva, que não conseguiu a reeleição, será o Secretário de Promoção Humana (Pró-Humana) na futura administração. Como Donizete é do PRTB, esta é a forma de atrair a bancada do partido para a base governista. Os dois vereadores do próximo mandato que pertencem ao partido são Fabiano Tolentino e Edmar Rodrigues.
Levando o PRTB, Vladimir já teria uma bancada garantida de cinco vereadores na base. Entretanto, a oposição ainda ficaria muito forte. Isso porque os vereadores eleitos da base do deputado Jaime Martins formam uma bancada de cinco parlamentares, que deverá ser engrossada pelo PMDB, com dois vereadores. A confirmar este prognóstico, a oposição já seria maioria, com sete vereadores.
Certamente a bancada da base do deputado Jaime Martins (PR) fará oposição ao futuro prefeito. Isso porque, a disputa para a Câmara Federal deve colocar em lados opostos Jaime Martins, que deverá concorrer à reeleição, e o atual deputado estadual Domingos Sávio (PSDB), que já manifestou seu interesse em disputar o mandato de deputado federal.
Diante dos interesses políticos que há em ter o controle da Câmara, e agora com o presidente tendo mandato de dois anos, terminando exatamente em 2010, quando acontecerão as eleições parlamentares, a briga pela presidência do legislativo será uma das mais fortes dos últimos anos na cidade. O futuro presidente vai administrar um orçamento superior a R$ 8 milhões e ainda terá prerrogativas importantes. Ele será extremamente útil politicamente tanto para o prefeito, quanto para os concorrentes a mandatos para a Câmara Federal e Assembléia Legislativa.





