Gustavo Fruet (PSDB/PR) conseguiu os dados depois de pagar R$ 600,00 a uma pessoa que se identificou como detetive particular. De acordo com o parlamentar, que é integrante da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) das Escutas Telefônicas Clandestinas, o sistema de controle e fiscalização de dados sigilosos das telefônicas é uma “peneira”.
“Não quero culpar a agência reguladora [Anatel] nem as empresas de telefonia. O que se precisa é encontrar fórmulas mais eficientes de controle desses dados”, afirmou o deputado.
Gustavo Fruet ressaltou, entretanto, que o assunto deve ser tratado com toda cautela. Para ele, é fundamental que as discussões em torno dos grampos telefônicos e do acesso a dados sigilosos nas empresas de telefonia não acabem por beneficiar o banqueiro Daniel Dantas, preso na Operação Satiagraha, da Polícia Federal.
“Temos que garantir toda tecnologia necessária para as investigações legais”, destacou o deputado. Para ele, há o risco de os debates em torno das gravações clandestinas ajudarem na peça de defesa de Dantas, acusado de formação de quadrilha e evasão de divisas.
O problema, no entendimento do parlamentar, está na facilidade com que as pessoas têm acesso a esses dados sigilosos. “O que existe hoje é um comércio paralelo e criminoso de acesso a dados sigilosos”, disse.
Outro político que obteve os dados dos registros telefônicos do celular que utiliza foi o senador Álvaro Dias (PSDB-PR). O senador pretende incluir as empresas de telefonia em um projeto de sua autoria que dá poderes ao Ministério Público Federal para fiscalizar qualquer órgão que detenha dados sigilosos. A matéria tramita na Comissão de Constituição e Justiça do Senado (CCJ). “Isso tudo é muito grave. Estamos com a nossa vida devassada por completa por uma prática que facilita a bisbilhotagem”, disse o senador.
Reportagem da edição deste domingo (14) do jornal Folha de S. Paulo mostra que é possível comprar extratos de ligações telefônicas e torpedos de qualquer assinante por menos de R$ 1 mil.
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