Agentes da Polícia Federal (PF) do Rio realizam, desde a madrugada desta sexta-feira (29), uma operação na zona oeste da cidade para cumprir 21 mandados de prisão expedidos pela Justiça Eleitoral com base em inquérito que aponta a participação de milícias em crimes eleitorais.
Logo cedo, os agentes da Delegacia de Defesa Institucional da PF prenderam Carminha Jerominho (PT do B), filha do vereador Jerônimo Guimarães Filho, o Jerominho (PMDB), que está preso acusado de chefiar um grupo de milicianos. Candidata a vereadora, Carminha foi detida em sua casa, em um condomínio em Campo Grande, na zona oeste da cidade, e não resistiu à prisão.
Na Barra da Tijuca, também na zona oeste, os policiais federais prenderam em casa Guilherme Bernardelli, que também faria parte do grupo denominado Liga da Justiça, comandado por Jerominho e seu irmão, o ex-deputado estadual Natalino Guimarães. O parlamentar foi cassado pelo plenário da Assembléia Legislativa do estado e está preso.
No dia 25 de maio, O Tribunal Regional Eleitoral do Rio notificou a então pré-candidata a vereadora pelo PT do por conta da divulgação de sua campanha no site de relacionamentos Orkut. Em todos os sites de divulgação com a propaganda irregular de Carminha, havia o emblema do Batman – símbolo associado à milícia chamada ‘Liga da Justiça’, que atua na Zona Oeste. Jerominho está preso sob a acusação de liderar o grupo paramilitar. Carmem, também conhecida como Carminha ou BatGirl, negou responsabilidade sobre a propaganda e qualquer envolvimento com a milícia.
Carminha Jerominho foi presa pela operação Voto Livre, da Polícia Federal, que também levou à prisão outras 22 duas pessoas ligadas à milícia Liga da Justiça por crimes eleitorais. Todos foram indiciados por formação de quadrilha armada, tentativa de homicídio e formação de curral eleitoral, crime previsto no Artigo 301 do Código Eleitoral. O irmão de Carminha, Luciano Guimarães, que já é procurado pela Polícia Civil, agora também passa a ser alvo da PF.
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De acordo com o superintendente da Polícia Federal no Rio, delegado Valtinho Caetano, até o final da manhã já haviam sido presos 11 suspeitos. Todos devem seguir ainda hoje para o Presídio Federal de Catanduvas, no Paraná, a bordo de um avião da PF.
“Iniciamos investigações há cerca de 90 dias. Tínhamos informação de que haveria candidatos coagindo eleitores em determinadas áreas, incluindo a Carminha Gerominho. Ela usava pessoal da milícia conhecida como Liga da Justiça, composta em sua maioria por PMs”, disse Caetano.
Entre os 22 indiciados, 13 são policiais militares. O delegado afirmou que Carminha foi presa porque estava se beneficiando da influência da milícia sobre eleitores, principalmente na zona oeste da cidade, nas Favelas do Batan, Barbante e Carobinha. A PF investiga duas tentativas de homicídio contra pessoas que se negaram a ceder espaços para colocar cartazes da candidata em seus imóveis e outras que tiveram de deixar suas casas por não a apoiarem.
Entre os presos, está um comerciante de gás que forçava a venda do produto por um preço superior ao praticado no mercado a fim de gerar recursos para a campanha de Carminha, segundo o delegado Valtinho Caetano.
Segundo lista divulgada pelo Ministério Público Eleitoral, tiveram prisão temporária expedida por 30 dias: Carmem Glória Guimarães, Luciano Guimarães, Fábio Pereira de Oliveira, Ivilsor Umbelino de Lima, Julio César Ferraz, Flávio Mendes Augusto, Expedito Pereira Marques, Alexandre de Souza Pereira, Carlos Henrique Ramos, Marco Antonio dos Santos Lopes, Moises Pereira Maia Júnior, Toni Angelo Souza Aguiar, Ricardo Carvalho Santos, Airton Padrilha de Menezes, Alonso dos Santos Holanda, Alexandre Bira, policial militar Kennedy, Marciel Paiva de Souza, Luciano Sabino da Silva, e Tiago, conhecido por Toni; Guilherme de Bem Berndinelli e Paulo César de Carvalho.
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